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17 de Julho de 2018

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Edição nº 979 / 2018

06/07/2018 - 07:03:34

Doméstica acusa vereador de usá-la como servidora fantasma

Paulinho Bulgarim está sendo investigado pelo Ministério Público

Bruno Fernandes - Estagiário sob supervisão da Redação
O vereador Paulo Cavalcante Soares com a doméstica Viviane Rogéria Ferreira da Silva - Foto: Cortesia

Uma empregada doméstica entrou com uma representação no Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE-AL) denunciando o ex-patrão, o vereador Paulo Cavalcante Soares, conhecido como Paulinho Bugarim (PSC), por utilizar seu nome para receber dinheiro da Prefeitura de Pilar.

De acordo com o documento enviado ao MPE em 22 de maio deste ano, a empregada doméstica Viviane Rogéria Ferreira da Silva trabalhou na casa do vereador recebendo 500 reais/mês durante 1 ano e 9 meses, mas não sabia que o dinheiro pago a ela correspondia a 50% do valor recebido como servidora comissionada do município. “Não havia assinatura da Carteira de Trabalho, até porque não se pagava nem o mínimo legal. O Sr. Paulo solicitou a entrega de alguns documentos dizendo que iria realizar os meus recolhimentos previdenciários supostamente como autônoma”, explica a servidora fantasma sobre o início da fraude supostamente planejada pelo antigo patrão.

Ainda segundo a representação, durante o serviço habitual na casa do vereador, foi constatado por Viviane a existência de um documento, uma portaria de sua nomeação junto à Prefeitura de Pilar no cargo de Assistente de Diretoria da Secretaria de Administração, além de outros documentos que demonstravam que ela era servidora do município e um cheque nominal, sem a assinatura do então prefeito à época Carlos Alberto Canuto (PMDB). “Um certo dia fui orientada pelo Sr. Paulo a buscar alguns documentos no veículo dele, e lá encontrei a portaria com a minha nomeação”, declarou.

De acordo com Viviane Rogéria, Paulo Bugarim era chefe de Gabinete do então prefeito. “Ao ler os documentos, suspeitei, então, que o Sr. Paulo teria engendrado esforços para que houvesse a minha nomeação junto a Prefeitura já que à época ele era chefe de Gabinete do prefeito”, relatou na representação. Ela só soube da manobra depois que saiu do emprego. Para se precaver, procurou o promotor do município, Silvio Azevedo, e fez a denúncia.

Procurado pelo EXTRA, o vereador afirmou que as acusações não passam de “politicagem” feita pelo atual prefeito, Renato Filho (PSDB) e que nunca teve funcionários trabalhando para ele na prefeitura. “Fiz muitas denúncias contra ele e agora a Viviane está apoiando outro vereador da base do atual prefeito. Está sendo usada”, declarou Paulinho Bulgarim.

Em nota, o prefeito de Pilar, Renato Filho, declarou estar ciente do caso e que já está tomando as providências cabíveis “A denunciante esteve na Câmara de Vereadores informando que descobriu que estava como comissionada na prefeitura sem nunca ter trabalhado no local. O Município vai tomar as providências cabíveis para pedir o ressarcimento do recurso e procurar saber quem recebeu o dinheiro no lugar dela”, informou.

REINCIDENTE

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o vereador Paulo Bugarim terá que prestar explicações ao MPE. Em 2016 o órgão entrou com uma representação, junto ao Tribunal Regional Eleitoral com pedido de liminar, fundada na suposta alegação de Propaganda Eleitoral antecipada, consistente na realização de um evento artístico de grandes proporções com finalidade eleitoreira, capaz de configurar possível captação ilícita de votos. O juiz da Comarca do Pilar, Sandro Augusto Santos, acatou e suspendeu a festa.

O Ministério Público também deve se pronunciar sobre a denúncia de que o investigado também reparte os salários dos servidores indicados por ele, na Câmara do Pilar. As denúncias, fazem parte de uma investigação que pode resultar na cassação e prisão de mais um político alagoano.

Ao final de 2017, no dia 28 de dezembro, uma servidora do Hospital Geral do Estado (HGE), no bairro do Trapiche, em Maceió, denunciou um caso de agressão por parte do vereador, quando a mesma pediu que ele se retirasse da área, que é restrita aos profissionais do hospital.

De acordo com o promotor Silvio Azevedo, da Promotoria de Pilar, o procedimento para apurar a denúncia ainda será instaurado. “A denúncia por parte da empregada realmente existe e foi realizada pouco antes do recesso feito pelo órgão. Cheguei recentemente ao município, então preciso ouvir e conhecer as partes para instaurar o processo”, declarou o promotor.

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