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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 978 / 2018

04/07/2018 - 10:18:46

Autoatendimento em supermercados gera polêmica

Deputado quer proibir sistema sob argumento de que aumenta o desemprego

Sofia Sepreny [email protected]
Sistema de autoatendimento em supermercados já é uma realidade em Alagoas, mas há quem aredite que pode elevar as taxas de desemprego no estado

Um projeto de lei (437/2017) do deputado estadual Galba Novaes (MDB) quer proibir nos hipermercados, supermercados e similares a venda de produtos por meio de sistema automatizado. A ideia de ir ao supermercado de forma ágil, com menos filas, é para o deputado uma forma de aumentar o desemprego e a falta de postos formais de trabalho em Alagoas. 

O sistema consiste no próprio consumidor escanear o código de barra do produto e efetuar o pagamento com cartão de crédito e débito em uma máquina. A partir disso, o cliente não precisa essencialmente do auxílio de um funcionário para registrar e pagar as suas compras. A Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio AL) acredita que a proposta do deputado está na contramão de uma tendência mundial, que já é realidade em vários outros países. 

Segundo Maykon Ferreira,  gerente de um hipermercado localizado no bairro da Jatiúca, o autoatendimento faz parte de novos hábitos de consumo no varejo, além de sempre haver um funcionário por perto para auxiliar os clientes que ainda não sabem passar pelos caixas automatizados, além de fiscalizar a quantidade de itens. “Temos as duas opções, o consumidor tem o poder de decisão. Além do que, o autoatendimento faz com que em horários de pico as filas diminuam consideravelmente, favorecendo o estabelecimento e agilizando o processo para os clientes”.

Catarina Maria é consumidora e prefere o caixa convencional, por não ser muito familiarizada com a tecnologia. Já Bárbara Albuquerque ao fazer compras pequenas prefere o self checkout por evitar filas e ser mais prático, já que na maioria das vezes utiliza cartão ao invés de dinheiro. Embora a máquina seja bem explicativa, existem consumidores que preferem um auxiliar no momento de realizar suas compras, ao lado do cliente explicando passo a passo do que deve ser feito.

O estabelecimento citado não estabeleceu o self checkout como única opção e conta com oito caixas convencionais e outros quatro de autoatendimento.

Samuel Brasil, diretor de Relações Sindicais do Sindicato do Comércio Varejista de Maceió, (Sincomércio), afirma que este tipo de projeto já nasce morto: “Tendo em vista que a evolução da informatização já permite que aplicativos de celular façam com que o cliente escaneie produtos, efetuem o débito em conta e vão só para o caixa conferir, a proibição dos terminais de autoatendimento são um regresso na sociedade”.

O deputado Galba Novaes afirma que o motivo da criação deste projeto de lei é para impedir que o desemprego se propague. “Minha preocupação em relação a isso é o desemprego. Imagina a gente com mais de 13 milhões de pessoas desempregadas e você vai para o supermercado que é um grande empregador, nos caixas, na embalagem, no atendimento, na fiscalização e retira isso, coloca uma máquina pra fazer”. 

Novaes disse ainda que está aberto a discussões e que o interesse primordial é na maioria, e que a implantação do projeto só pretende beneficiar essa maioria.  Ele afirma ainda que não podemos pensar somente na tecnologia e no avanço. “É necessário pensar no trabalhador, na geração de emprego e renda, na cidadania, na inclusão social, na capacitação de pessoas que o mercado de trabalho forma”. 

No primeiro semestre de 2017 o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) registrou o fechamento de cerca de 33 mil postos formais de trabalho em Alagoas, sendo Maceió o município no ranking estadual com a extinção de aproximadamente 5.500 postos. O projeto de lei do deputado tem esse cadastro como justificativa. 

Para a Fecomércio embora os terminais possam diminuir emprego de determinada categoria, por outro lado poderão gerar novos empregos de maior qualidade técnica, cabendo ao estado se preocupar em ter melhor oferta na educação de qualidade, com formação tecnológica e atual aumentando assim a qualificação dos trabalhadores.

Caso o projeto de lei seja aprovado, o estabelecimento que desobedecer receberá uma multa equivalente a 5 mil Unidades Fiscais de Referência. No caso de reincidência, a multa a ser aplicada será o cancelamento do alvará de localização, com o consequente fechamento do estabelecimento comercial. 

TENDÊNCIA

Os terminais de autoatendimento são novidade nos supermercados brasileiros, mas já estão presentes no cotidiano de muita gente. Nos aeroportos brasileiros, onde o passageiro faz seu próprio check-in, nos bancos onde os clientes podem fazer seus pagamentos e atendimentos nos terminais automatizados e no pagamentos de estacionamento de determinados estabelecimentos, como shoppings. Terminais de autoatendimento trazem o uso de tecnologia a favor dos negócios, da agilidade e da inovação.

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