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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 978 / 2018

04/07/2018 - 10:18:23

SAÚDE MENTAL

Desmistificar frases         e viver melhor

Todo mundo já ouviu a frase: “Uma andorinha só não faz um verão”? A pergunta é: será isso verdade? As pessoas estão cheias de frases feitas na cabeça. As frases são como ‘chiclete’ que grudam na mente, no cérebro e são difíceis de serem retiradas. As pessoas acabam se comportando exatamente como as frases determinam. É claro, inconscientemente.

 O que isso representa no dia a dia das pessoas? A mídia corrobora para que isso a-conteça? Uma ideia, uma frase, uma mentira sendo dita constantemente não se torna algo normal, natural e aceita por “todos”?

Quem diz ou quem disse que uma andorinha só não faz verão é uma pessoa pessimista, sem visão. Portanto, uma andorinha só, faz, sim, verão. Todo mundo pode fazer a dife-rença no trabalho ou nos relacionamentos.

Como os comportamentos são influenciados por essas frases, aparentemente simples e “inofensivas”? É preciso desmistifica-los para que possamos fazer uma reflexão e com isso mudar, agir, para viver melhor.

Nasce duas, três ...

“A gente só nasce uma vez”. Não! As pessoas nascem muitas, muitas vezes. Elas nascem a cada adversidade (dificuldade) que enfrentam, superam. Isso sim.

Muitas vezes a pessoa está com algum tipo de sofrimento (físico ou psíquico) mas não vê uma alternativa, uma saída e pode entrar num processo depressivo. Até mesmo numa doença ou na perda de um membro (perna, braço ou outro) por causa de um acidente, a pessoa pode ter um ganho pessoal com isso. Um exemplo clássico é um atleta pa-raolímpico.

É preciso nascer, renascer. Não é fácil, mas é possível. Afinal de contas todos os dias o Sol nasce para todos. Portanto, as pessoas nascem duas, três, quatro vezes...

É sim

“Não sou melhor do que ninguém”. Essa é uma das frases que mais escutamos na clínica. A pessoa chega fragilizada, sem perspectivas. Vê tudo cinza, sem cor. Com o processo psicoterápico descobre-se que é melhor do que muita gente, sim. 

Portanto, cada pessoa tem potencial, tem criatividade, pode mudar os comportamentos e pensamentos que incomodam, mas tem que buscar, descobrir. E, com certeza, é melhor do que outra e pode ser ainda melhor a cada dia. Esse processo é doloroso e extremamente libertador.

Ache

Os comportamentos e pensamentos frequentes são extremamente decisivos para que uma pessoa possa encontrar a felicidade que tanto procura. Mas tem que achar e não é só procurar. Geralmente diz: estou procurando um emprego; estou procurando um amor. Não procure, ache. E quando achar transforme em um bom emprego, um grande amor. Tem gente que só procura, procura, procura. Ache.

Tudo; não!

Dependendo do grau de autoestima que a pessoa está num momento, quando ela recebe um ‘não’, isso pode desaba-la emocionalmente e a consequência é não conseguir realizar bem o que estava programado, planejado. Um exemplo é quando uma pessoa se prepara para um concurso ou um teste para um emprego e alguém diz que ela não vai conseguir. Nesse momento é preciso fazer de conta que não es-cutou. É mais prudente. 

Não escutar tudo que os outros dizem, às vezes, é a melhor motivação. Portanto, não escute tudo, apenas foque no que quer e mãos a obra. Ás vezes não é fácil ter esse comportamento/sentimento de motivação. Se não conseguir procure ajuda de um psicólogo.

Cor-ação

As pessoas costumam não saber a diferença entre viver e existir. Todos vivem mas existir é o diferencial. Existir é mais do que viver, é ter consciência de que pode fazer a diferença. Viver é colocar movimento na existência com o coração. Aliás, é como um eletrocardiograma. É movimento; é alto e baixo. É tristeza e alegria. É subida e descida. Viver é cor-ação. É dar cor - de colorido - à vida; é agir, é ação.

Não é

Muitas vezes a pessoa tem uma desilusão amorosa e por conta disso não consegue ter um segundo relacionamento sadio. Ou seja, está com ci-catrizes para o “resto da vida”. Será? É possível amenizar os efeitos do fato? Sim. É o mesmo que uma cicatriz de uma lesão por um corte profundo no corpo. Se isso acontecer, no lugar da lesão faça uma tatuagem. Pronto: a “lesão” foi ressignificada. Isso não é fácil e não é simples assim, mas é possível. Se não conseguir procure ajuda.

Ler tudo?

É comum a pessoa dizer: “Não está sabendo disso?”. Não, e daí? Pois é. Todo exagero, seja ele qual for, inclusive ler muito, pode ser um indício de que algo esta errado. Ser bem informado não significa consumir a maior quantidade possível de informações de um determinado assunto

Uma pesquisa em São Paulo, com mulheres grávidas do primeiro filho destacou que elas não precisam estar (bem/muito) informadas o tempo todo para prestar os primeiros cuidados necessários para que filho esteja bem. O mais importante é o afeto, os cuidados simples no dia a dia que ela pode dar para o bebê; a atenção.

O resultado da pesquisa indicou que as mulheres grávidas que selecionaram as informações sobre a gravidez e como cuidar do bebê, que leram menos, tiveram menos estresse. Ler tudo, desespera-damente, não.

 “Não quero saber”

O dia a dia das pessoas está cheio de fazeres, mas fazeres produtivos que podem mudar a vida de alguém, ou apenas fazeres vazio? É preciso fazer uma reflexão acerca do que se está construindo. Hoje quase não se tem tempo para nada. É apenas trabalho, trabalho e mais trabalho. É preciso sim, saber. O “não quero saber” pode ser um comportamento de esquiva que vai ter consequências nefastas. É preciso saber e aí tomar uma atitude.

Tristeza x depressão

No dia a dia muitas pessoas confundem tristeza com a depressão. E a qual a diferença entre uma e outra?  A tristeza, geralmente, tem um fator determinante, um fato concreto, como por exemplo um luto (período) pela perda de um ente querido ou por uma separação judicial. Essa tristeza, ou seja, um sentimento que incomoda, faz a pessoa chorar, refletir sobre a vida é extremamente natural. Se um dos dois fatos ocorre e a pessoa não fica triste há algo errado.

Já a depressão vai além da tristeza. Ela tem os sintomas da tristeza mais agudo e se torna uma angústia, algo sem controle. Geralmente os sentimentos que incomodam demoram muito mais do que a tristeza. Muitas vezes é necessária a prescrição (por médico psiquiatra) de antidepressivo para atenuar os sintomas.

Para a psicanálise a depressão seria um vazio, um buraco afetivo. Ou seja, fica sem rumo, sem perspectiva de vida, nada presta.

Quando a doença é diagnosticada a pessoa não interage com os familiares, colegas  e nem com os almigos. Ela se isola e pode negligenciar, inclusive, com a higiene pessoal.

Uma tristeza pode desencadear numa depressão? Sim. Depende da história de vida de cada pessoa, de como ela reage. O ideal é que assim que se instale uma tristeza difusa ou aguda se procure a ajuda de profissional.

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