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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 978 / 2018

04/07/2018 - 10:17:18

Vivas ao país do futebol

CLÁUDIO VIEIRA

Amo o futebol! Infância, adolescência, juventude, maturidade, sempre que havia tempo dos estudos ou do trabalho, uma bola, uma “várzea”, uma praia, um gramado particular, lá estava eu correndo atrás da pelota, levando pancadas, mas sem cair igual ao Neymar. Amor tão grande que também cheguei a praticar o futebol de salão, hoje conhecido como futsal. Inesquecíveis alguns lances que vivi durante a prática desse esporte, mas nada se compara à minha última partida, a idade e as limitações do corpo visivelmente incompatíveis com esse esporte de explosão. O meu olhar melancólico sobre o gramado em Brasília, esse eu não esqueço nunca; era a consciência de que jamais voltaria a disputar uma bola, seja em quadras, gramados ou praias. Então a ironia do título não deve ser vista como um intelectualizado olhar de reprovação a essa paixão nacional, mas mera crítica ao non sense que declaradamente assumimos durante as grandes disputas.

Este ano vivemos dois eventos importantes. Um de paixão, outro de cidadania: Copa do Mundo e eleições. O primeiro, temos um único objetivo: vencê-la, ainda que nossos craques, com exceções tão raras que quase imperceptíveis, não sejam grandes coisas, apesar do ufanismo do Galvão Bueno e do merchandising da Rede Globo. Já quanto à segunda efeméride, essa terá o desfecho que Deus quiser, como se o Senhor pudesse querer corruptos sendo reeleitos, autorização para maiores atos de corrupção. De qualquer sorte, isso ficará para o futuro, os meados de outubro. Já a nossa canarinha, essa é o presente, graças a Deus! A inflação continua buscando espaços para crescer, a economia cambaleando, o governo desgovernando, o parlamento descansando e a Justiça esforçando-se em um “cabo-de-guerra” interno. Nada disso é mais importante que as continuadas quedas do Neymar, pois atingem o nosso orgulho nacional. Melhor seria que o craque brasileiro jogasse sem opositores, sem marcação, as defesas e os goleiros adversários estendendo tapetes vermelhos à sua passagem. Panem et circenses, diziam os romanos. Barriga cheia e sorriso largo, dizemos nós.

É esse espaço vacuoso de cidadania que as autoridades mais gostam para tomar decisões que pretendiam desde antes, mas temiam a visibilidade do ato, as críticas, a insatisfação nacional. O protagonismo dessa artimanha é a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Se a Corte fracionária já parecia um hímen complacente com os criminosos de colarinho branco, desta vez abriu definitivamente a porteira. Se o Plenário decide que a prisão após a segunda instância judicial não fere a Constituição, a Turma interpreta os casos da Lava Jato de forma diametralmente oposta, ladinamente advertindo que tais decisões não desrespeitam o entendimento da maioria do Supremo. Soltura geral para os criminosos ricos e políticos. Uma pérola de hermenêutica!

Como advogado, tenho minha interpretação, invariavelmente garantista, sobre a presunção de inocência ou de não-culpabilidade. Mas, a incerteza jurídica resultante dessas posições particulares e intestinamente opositivas entre os ministros da nossa maior Corte de Justiça vai de encontro a tudo o que sempre acreditei sobre Direito e Justiça.  O que quero? Que a Corte volte a ter coerência, seja ela qual for.

Bem, como não sou de ferro, volto à telinha para acompanhar o desenrolar das partidas e, ao contrário de muitos, torcer para que a Argentina e a Alemanha sobrevivam, ao menos à fase de grupos e, quiçá, às quartas de final, para em algum momento, ou em vários, enfrentar a seleção brasileira. Ao meu ver, seriam os embates dos meus sonhos!

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