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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 978 / 2018

04/07/2018 - 10:12:48

O papel do sacerdote

Alari Romariz Torres

Vivi dezessete anos em Paripueira. Convivi nesse período com três padres e tive oportunidade de observar o que acontece numa pequena cidade.

Quando por lá cheguei, o pároco era o padre Vicente. Tímido, calado, muito trabalhador. Evitava brigas e nunca o vi falando com o prefeito. Rezava sua missa e cumpria suas obrigações.

Chegou o padre Luiz: moço, ordenado há pouco tempo, educado. Sem motivo aparente, angariou a animosidade do gestor municipal. Tentou edificar uma igreja maior ao lado da matriz, numa área pertencente à paróquia, mas o prefeito não deixou, dividindo a população em azul e vermelho, isto é, contra e a favor do padre. Segundo a autoridade, o terreno iria ser desapropriado para que no local fosse construído um terminal de ônibus. Pois bem, o padre Luiz saiu de Paripueira depois de seis anos, e nada foi concretizado: nem o prédio novo, nem o terminal de ônibus. Só ficaram as mágoas.

Eis que chega à pequena cidade litorânea o padre Lídio. Cidadão moço, arquiteto, culto e com vontade de trabalhar. Escutava ele falando de seus planos, de seus sonhos para a paróquia e tinha até pena. 

Estávamos perto da festa de Santo Amaro e acompanhei a luta dele para organizar o novenário de janeiro de 2017. O antigo gestor municipal havia deixado o cargo há poucos dias e mesmo assim começou a implicar com as festividades. Negava tudo que dependia do poder público e colocava seu pessoal para fiscalizar os movimentos do vigário. Uma loucura!

Dias antes da festa de Santo Amaro, o arcebispo de Maceió celebrou uma missa campal no terreno ao lado da igrejinha matriz e depois tomou café em nossa casa. Deve ter percebido a angústia do padre Lídio. Ao sair, disse ao padre: “Faça a festa de Santo Amaro ao lado da igreja. Os ‘baticuns’ devem ir para bem longe; não é problema seu”. Sábio homem!   

Saiu um prefeito e entrou outro, mas o primeiro continuou mandando e não colabora com a Igreja Católica. A cidade se divide e ouvimos sempre de alguns fiéis: “Esse é do lado do Abraão, tudo o que se passa na igreja, ele leva ao conhecimento dele”.

E a luta continua. Novo ano, nova festa do padroeiro, o padre conta muito pouco com a prefeitura. Ela ajuda, mas discretamente. Ainda teme o antigo gestor.

Pensam que o padre Lídio desistiu? Não, a igrejinha está linda, toda reformada, bem mais ventilada, mais aconchegante, bem iluminada. O coro, onde ficam os cantores, foi ampliado e seu acesso facilitado. A missa é muito bonita e crianças, adolescentes e adultos, devidamente preparados, ajudam nos cultos e em todas as atividades paroquiais. Nos dias 22, 23 e 24 deste junho, foi realizada a Festa de São João. Um sucesso! Após a missa no início da noite, acontecia a reunião do povo de Deus ao lado da igreja. Show musical, quadrilha, côco de roda e várias apresentações folclóricas, com fogueira e fogos. Não vi ninguém ligado ao poder público municipal. Só a comunidade católica!

O “pescador de almas paripueirense” continua trabalhando: celebrando as missas, visitando e confortando doentes, orientando os grupos de oração, treinando pessoas para dinamizar atividades sociais, cuidando do patrimônio.

Não entendo porque os políticos não gostam da igreja. Têm alguns objetivos convergentes. Juntos poderiam ser de grande valia para a cidade, que está ficando violenta. Se eles entendessem que a Igreja Católica é importante e tem muitos seguidores, talvez concluíssem que suas tarefas em muito seriam melhoradas. Mas o poder e a vaidade cegam os administradores públicos e eles se acham inatingíveis.

A comunidade católica da cidade está apoiando e acompanhando o padre Lídio voluntariamente. Vi uma garota de 7 anos no altar, comportando-se muito bem, cantando e rezando. Os fiéis estão se multiplicando. Falta, apenas, que os fofoqueiros de plantão se enrolem em suas próprias línguas!

Viva Paripueira! Viva Santo Amaro!

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