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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 978 / 2018

04/07/2018 - 10:09:12

Uma senhora

Isaac Sandes Dias

Caprichosa e bela. Branca, cútis fina e brilhante. Desfila sob intenso assédio, mas, por soberba, não se queixa. Busca aquele que quer, engana o outro que cisma. Vezes anda saltitante; outras, flutua como pluma ao vento. A poucos dá a liberdade de tratá-la por você.  A raros deuses se entrega ou se entregou com lascívia. Prega peças naqueles que se julgam seus senhores. Verdadeira Geni, agracia com o máximo prêmio aqueles que batem firme em sua cara, aqueles que não vacilam no seu trato. Ela é assim, vai facilmente do rés do chão aos mais voo, e com ela leva seus súditos. Nada ou ninguém pode se julgar seu dono. Ela é a dona e prenda cobiçada do espetáculo. Todos só têm olhos para ela. Seguem-na com milhares de olhos e câmeras atentas. Seus súditos a beijam e acariciam num momento, para, no outro, dar-lhe um pontapé pra longe, ou jogá-la ao chão com incontrolável raiva.

Em seus caprichos, teima em fazer piruetas e desvios que provocam uma quase parada nos corações apaixonados. Ao mesmo tempo, quando resolve brindar seus favoritos, vale-se desses mesmos desvios e piruetas para levá-los ao êxtase.

Ela só conhece um senhor a quem se sujeita mansa e submissa, só conhece um momento de orgástico prazer e languidez. Esse seu senhor é o gol, esse orgástico prazer é alcançado em seu enlace final nos fundos da rede. Só ali ela se entrega e se rende a esse supremo senhor. Voa bela, voa bola, vai beijar a rede e fazer explodir de alegria e prazer toda uma legião de hipnotizados amantes.

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