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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 978 / 2018

04/07/2018 - 09:55:47

JORGE OLIVEIRA

JORGE OLIVEIRA

Vitória - Pesquisas a menos de quatro meses de campanha não valem nada, apenas apontam números que registram o comportamento do entrevistado naquele momento. Portanto, o eleitor não deve se impressionar com os índices do Bolsonaro e de outros candidatos. Esses números tendem a oscilar até a eleição, daí é prudente que os militantes do capitão não cantem de galo antes do tempo. O Bolsonaro, como todos sabem, é o mais descerebrado dos presidenciáveis. De posições claramente nazi-fascista, certamente não chega inteiro ao final da partida. 

Parlamentar inexpressivo, apresentou apenas quatro projetos na Câmara dos Deputados onde está há mais de vinte anos. É lembrado normalmente mais pelos seus arroubos e truculências verbais do que pelo desempenho na vida pública. Quando é questionado sobre a sua vida pregressa e as suas propostas lunáticas sempre parte para o ataque, pois não gosta de ser incomodado em relação a sua atividade parlamentar.

O que mais surpreende, contudo, é a sua militância histérica, igualzinha à dos petistas fanáticos, formada por irracionais dispostos a pegar em armas para defender as ideias dos seus líderes, se assim for necessário. São pessoas indulgentes e intolerantes que se enfurecem, como cães raivosos, quando o seu candidato é criticado. E o Brasil, sinceramente, não vai sair da lama moral com gente estúpida no seu comando. O capitão Bolsonaro fatalmente não governará o país se ganhar as eleições, pois não tem propostas e nem temperamento para conciliações políticas em um país à beira do caos.

Os bolsonaristas militantes, cegos politicamente, não enxergam o futuro, não se modernizaram. Defendem o capitão como se estivessem em um front de batalha e não numa eleição livre e democrática.  Desesperam-se quando seu candidato é questionado, contestado e flagrado em contradições sobre o que diz como parlamentar e o que fala como candidato. Como muitos deles são analfabetos políticos, alienados e ignorantes, não se preocupam em conhecer a história do seu ídolo, mas apenas em combater com xingamentos, palavrões e até ameaças os que pensam diferente do seu comandante verde oliva.

Bolsonaro não tem estatura nem capacidade política e administrativa para governar o Brasil. Estamos, portanto, diante de uma farsa. Mas se ganhar, fiquemos todos de olho no vice do capitão, figura importante no cenário político, com chances reais de assumir o poder, como vem ocorrendo nos últimos vinte anos na política brasileira.

Mas essa tragédia não alcança os bolsonaristas obtusos, fundamentalistas, envolvidos em um processo jihadista. Mas pode chegar, sim, àqueles que ainda não optaram pelo capitão ou aos indecisos que ainda procuram um candidato. A verdade é que está difícil escolher um nome nesse momento de Lava Jato. Muitos desses eleitores são devotos do Lula, que se mantêm fiéis à sua doutrina. Outra porção mira em Bolsonaro, o homem que pretende governar o país empunhando uma metralhadora para eliminar à bala os seus problemas sociais.

Enviada

Na outra ponta, Marina, enviada de Deus, enrolada sempre em um xale, que faz um papel de santa, como se as suas orações fossem salvar o país do abismo que se aproxima. Entre ela e o Bolsonaro, aparece o Ciro, sempre com um tridente querendo espetar quem diverge dele. Em seguida o Alckmin, o anjo que se desapegou do céu e chegou à terra desgarrado dos carneirinhos. E, aqui, tenta reencontrá-los para recompor seu rebanho.

Laranjas

Os outros, boa parte, laranjas do Lula, devem desistir do pleito quando o PT apresentar um candidato. Então, quando se olha os candidatos que se apresentam no cenário de hoje é natural que a insegurança e o medo remetam o eleitor ao nome do Bolsonaro, o candidato que promete dar um jeito no país empunhando a sua metralhadora giratória como um remédio eficaz para liquidar com todos os problemas que afetam a nação.

“Lourdinha”

Aliás, o Brasil já teve um personagem com esse perfil. O alagoano Tenório Cavalcante impôs-se em Duque de Caxias, à força da “Lourdinha”, a metralhadora que cuspia fogo nas madrugadas da Baixada Fluminense. Foi uma guerra sangrenta, na década de 60, que só terminou com a cassação do seu mandato, por sinal, por ordem dos amigos do capitão. Ontem, como hoje, matar gente e esterilizar pobres nunca foram medidas eficazes para acabar com os problemas de um povo, que, francamente, não precisa de um Exterminador do Futuro.

Escancarou

A Segunda Turma do STF não quer ninguém da Lava Jato mais na cadeia. Três ministros – Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes – que formam maioria na Corte decidiram que vão soltar todos os petistas notórios que cumprem pena. O último deles, Zé Dirceu, nem tinha esquentado o beliche de cimento da cela e já está na rua.

Patrão

Toffoli, que teve Zé Dirceu como patrão no governo do Lula, é quem iniciou os trabalhos para tirar seu ex-chefe da cadeia. Já discuti aqui, neste espaço, que a forma como são nomeados esses ministros é discutível. Veja esse caso: Tofolli não aceitou sequer deixar Zé Dirceu na cadeia enquanto o ministro Edson Fachin pedia vista do processo. Decidiu que o ex-ministro, preso por corrupção, iria aguardar o pedido de revisão em liberdade. 

Outros

Tudo estava preparado para também soltar o Lula. Para evitar que o habeas corpus do ex-presidente fosse jugado pela Segunda Turma, Edson Fachin determinou que a decisão fosse para o plenário do STF, contrariando os ministros que queriam mandar o Lula para casa. A carta marcada, assim, foi desfeita e Lula permanece na cadeia.

Suspeita

As decisões da Segunda Turma do STF têm envergonhado o país. Indicados pelo PT, Tofolli e Lewandowski têm hoje a companhia de Gilmar Mendes na proposta de soltar os corruptos petistas. Em compensação, Gilmar também tem o apoio para tirar da cadeia os clientes que ele julga que devem ser soltos, mesmo que isso comprometa seu nome com alguns réus, como foram os casos do Rio de Janeiro, quando foram soltos presidiários que tinham ligações com seus familiares.

Desconfiança

Os brasileiros desconfiam do seu principal tribunal, o STF, porque têm assistido uma verdadeira parcialidade em julgamentos feitos na Corte quando os réus são do PT. A proposta é esvaziar a cadeia de todos os envolvidos na corrupção e ainda tirar o Lula do xadrez para que ele participe das eleições deste ano. É por isso e por outras coisas que os candidatos radicais, tipo Bolsonaro, avançam nas pesquisas. 

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