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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 977 / 2018

26/06/2018 - 19:23:12

Parque Tecnológico de Alagoas permanece no papel

Reunião para decidir futuro do projeto está marcada para julho

Sofia Sepreny [email protected]
Maquete do Polo de Informação, Comunicação e Serviços

Com quase seis anos de início do projeto, o Polo de Tecnologia da Informação, Comunicação e Serviços de Alagoas parece que vai demorar muito ainda mais para sair do papel. Ele faz parte do Parque Tecnológico de Alagoas, composto por três polos de tecnologia, dois agroalimentares em Batalha, região do Sertão e Arapiraca, Agreste, e o de Tecnologia da Informação, na capital alagoana, no bairro do Jaraguá.

De acordo com Lairson Giesel, superintendente da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) a obra está em fase final, mas ainda faltam alguns ajustes estruturais junto à empresa ganhadora da licitação. “Só faltam alguns detalhes em relação a acabamentos, obras de engenharia, correções. Quando dizemos que não saiu do papel é porque o projeto ainda não está funcionando, mas paralelo a isso temos coisas essenciais para que tudo funcione”.

O empresário João Kepler afirma que há falta de apoio na pasta da tecnologia, no quesito da valorização de startups, na economia gerada pelo empreendedorismo digital e que o estado deixa a desejar quando o assunto é reconhecimento. “Em todos os estados e municípios que têm esses parques tecnológicos, a gente percebe que as secretarias de Tecnologia não trabalham somente como prestadores de serviços e representando o governo; elas trabalham e vivem em função do ecossistema da comunidade. Aqui em Alagoas você tem eventos locais, por exemplo, de grande proporção, que a secretaria não está presente, e isso é muito ruim, pois a comunidade percebe”. 

O empresário relata ainda que se não há apoio e inovação no ramo, os grandes empreendedores saem do estado e acabam gerando renda, emprego e desenvolvimento em outro lugar. “Esse apoio deveria ocorrer independente de estrutura física. E o polo além de mostrar que tudo acontece em um só local, que tudo está concentrado em um lugar de apoio ao empreendedor, poderia fornecer diversos serviços às empresas, como mentoria, um auditório para eventos grandes”. 

Segundo o superintendente da Secti, além da burocracia, o lançamento do parque esbarrou na ativação de serviços essenciais. “Primeiro é necessário os serviços básicos para funcionamento, como manutenção, limpeza, segurança armada, manutenção de bombas, geradores, ar-condicionado e a maioria desses processos são realizados através de licitações”, detalha Giesel, afirmando que é necessário atender algumas questões burocráticas, em termos de referência, para o início do funcionamento. 

Ele disse ainda que em julho haverá uma reunião para finalização de alguns ajustes e que uma consultoria externa, para trabalhar no modelo de gestão, de ocupação do polo, justamente para entender como que vão ser feitos os processos de ocupação pelas empresas, foi contratada.

Já João Kepler pontua que este atraso é resultado da falta de esforço e dedicação na área. “A princípio esse atraso para ficar pronto um prédio mostra que não existe nenhum esforço e dedicação pra essa área. Quando não se tem foco nisso se perde desenvolvimento, renda, criação de empregos, pois esses jovens vão embora para gerar tudo isso em outros lugares. O que falta é apoio, o que falta é incentivo”, finaliza o empresário considerado um dos maiores, investidores em capital e conhecimento em startups no país. 

Uziel Barbosa, dono da startup Doyti, acredita que o polo consegue tornar um ambiente tecnológico em um meio de incentivo e inovação. “É bom as empresas estarem unidas, aguçando a competitividade e fomentando a área de tecnologia de informação”. 

O parque tecnológico em Alagoas faz parte de um avanço na tecnologia onde o objetivo maior é aglomerar diversas empresas dos mais variados segmentos, mas que têm a tecnologia como ponto focal de seus negócios. Os investimentos no parque, desde sua criação, ultrapassam 28 milhões de reais, oriundos de recursos públicos, de fontes do governo do Estado e do governo federal.

Polos tecnológicos se aproximam de um distrito industrial, mas com uma gestão voltada à inovação, que estabelece estratégias para integração entre as empresas, com as instituições de ensino e pesquisa, além de serviços especializados para apoiar a competitividade e inovação das residentes neste ambiente.

Lairson Giesel afirma que um polo tem que funcionar como uma tríplice hélice,  havendo sinergia entre os setores, e por isso a demora do projeto em sair do papel. “Estava havendo uma divergência, um conflito de interesse para a ocupação deste polo, os acordos não foram frutíferos naquela época. Hoje a situação do polo é legal e foi determinada através de decreto federal, o que trouxe uma situação um pouco diferente. O decreto fez uma varredura em aproximadamente nove leis que ajudaram o andar do processo. Agora temos várias possibilidades jurídicas, flexibilidades, inclusive de licitações quando a finalidade é inovação, além da formalização de parcerias, com institutos, com empresas”, relata o superintendente.

Josealdo Tonholo, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) reafirma que inovação é sinônimo de desenvolvimento, econômico principalmente. “Se você não tem empresa competitiva, suficientemente qualificada e inovadora, você não cresce, fica na subsistência. Quem ajuda essas empresas a fazerem isso com melhor qualidade são os habitats de inovação, os parques tecnológicos”.

Ainda segundo o superintendente da Secti, os polos integrantes do Parque Tecnológico de Alagoas têm papel relevante na economia do estado, através de ambientes que propagam inovação. As empresas de base tecnológica podem se cadastrar no Parque Tecnológico e expor suas atividades, produtos e serviços. “É um desafio muito grande você estabelecer um polo de tecnologia no Brasil, então temos acompanhado as iniciativas em outros estados. Nossa equipe já foi a Pernambuco e Santa Catarina, estamos muito confiantes na retomada desse modelo de gestão, e esperamos que seja um sucesso para funcionar bem”.

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