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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 977 / 2018

26/06/2018 - 19:21:28

Obscena realidade

ELIAS FRAGOSO

Este país avança em marcha batida por uma senda que tem tudo para nos levar ao abismo. Ao fundo, do fundo do poço. Uma crise econômica que não passa, se bem que modestamente a gente aqui avisou que estávamos (e continuamos) num voo de galinha. Que o PIB não passaria do 1,5% no final deste ano, apesar do otimismo de expoentes da economia e do mercado, bancos, inclusive, terem previsto 3%; a roubalheira que continua; os mesmo de sempre como candidatos sem chances para o novo; o desemprego que é estrutural não diminui, e quando ocorrer não voltaremos sequer a médio prazo a índices aceitáveis; as reformas que o país tanto precisa, postergadas. “Ficam para o próximo governo”, dizem políticos e autoridades confiantes em suas promessas de engana bobo. 

A chusma de candidatos a presidente que aí está nada mais é que mais do mesmo. Alguns piores até. O cidadão comum desesperançado se apega a salvadores da pátria de direita ou a demagogos da esquerda que prometem o que jamais irão entregar. Os que se dizem de “centro” se escondem por detrás de discursos anacrônicos e acéfalos. Todos se arvoram em nos representar, mas estão ou estiveram – dá no mesmo – ligados ou vinculados à infâmia que tomou conta deste país representado pelas três escórias: PT, PSDB e MBD (os demais não passam de sinecuras satélites destes monstrengos políticos).

E não se pense que o cidadão não tenta mudanças. Não só pensa como realiza através do voto (o problema é que entra um, sai outro e a coisa só piora). Pesquisa recente realizada por Eduardo Cavaliere e Otávio Miranda mostrou que entre 1986 e 2014, 75% dos deputados federais não passaram do segundo mandato e apenas 21% dos senadores foram reeleitos. E que, de 1990 a 2014, dos 1.889 deputados eleitos, apenas 103 conseguiram se eleger senadores, prefeitos ou governadores. Pouco mais de 5%. 

O eleitor faz a sua parte. O problema são as barreiras que os sabidos colocam para se garantir no poder, embora os números mostrem que ainda assim a imensa maioria tem vida breve no Congresso. Vivem enganando, mas, pegos, são destronados. No máximo, passam a viver nas tetas do Estado a puxar o saco de algum político que o “acolheu” em seu desterro. Tristes figuras.

Num momento de alta instabilidade como o atual, a barreira de entrada para novos postulantes se reduz. Mas não sobra espaço para o novo de verdade. O eleitor terá que aguentar ouvir mais uma vez promessas vazias de mais educação para um povo semianalfabeto que ainda engole essas patranhas, mais saúde para uma população que morre miseravelmente sem acesso, mais segurança, quando nunca na história deste país a população viveu tão ameaçada e insegura.

Falar de coisas sérias nestas eleições? Nem pensar! Discutir a crise fiscal que corrói o Estado e penaliza a todos? Menos ainda. Ou porque somos obrigados a carregar este Estado injusto e ladrão nas costas entregando 34% do que ganhamos, para quase nada receber em troca? Imagine! Também não vão tratar de medidas para reduzir o fosso social, onde o 1% mais rico detém quase 60% da riqueza nacional, ou porque os mais de 44 milhões de brasileiros que vivem da esmola do famigerado e execrável Bolsa Família tem a eles destinados tão somente 0,5% do PIB, enquanto algumas poucas empresas recebem benefícios fiscais superiores a 3,3% do PIB. Nenhum deles quer discutir o que está de profundamente errado nas nossas finanças ou nas políticas sociais. Na nossa baixíssima produtividade. Na não educação que está levando nossa juventude ao crime e às drogas, por falta de capacidade para competir no mercado de trabalho. 

Essa obscena realidade em que vivemos precisa ser discutida. Agora. Já. Não há mais tempo. Rebelião social é fruto direto da anomia fiscal, tributária e social do Estado. Estamos à beira dela.

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