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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 977 / 2018

26/06/2018 - 19:20:40

Em nome da impunidade

JORGE MORAIS

Espero que o comportamento de um grupo de torcedores brasileiros na Rússia não seja mais um a entrar na estatística daqueles que não são punidos nunca, no mínimo viram manchetes na mídia, são defendidos por advogados bem pagos, conseguem inverter os fatos ocorridos, as vítimas é que são culpadas e, por fim, nunca presenciamos ou ficamos sabendo da aplicação das punições, isso quando não são transformadas em trabalhos comunitários e sociais.

Pelo visto, esses torcedores se juntaram aleatoriamente com o objetivo de se divertir e torcer pelo Brasil na Copa do Mundo. Se juntaram na sua insanidade mental para fazer “graça” em um país que não faz graça com ninguém. Os russos, a partir de seu presidente, Vladimir Putin, não é de perdoar ou deixar para lá. Pelo menos é assim nas suas questões políticas ou de relações internacionais, quando agem com mão de ferro e até com uma polícia violenta no combate à baderna.

Mais do que justificar o ato como uma brincadeira, por sinal de muito mau gosto, os brasileiros foram indelicados, desrespeitosos, violentos em sua ação, e, mais do que nunca, sabiam que estavam ofendendo não só uma mulher, mas todas as mulheres e todo um povo. A repercussão no Brasil foi a pior possível, maior do que na própria Rússia, onde o lado mais frágil de qualquer questão ainda demora muito a ser digerido. Acredito, sim, que após o fechamento desse artigo fatos novos tenham surgido em torno dessa questão, com decisões diplomáticas tomadas entre os dois países.

Se o vídeo mostrado fosse o contrário, com russos no Brasil faltando com respeito a uma mulher brasileira, usando as mesmas palavras, hoje eles estariam presos e, provavelmente, seriam expulsos do nosso país, deportados sem direito a defesa, com uma condenação ou próximo disso nas costas. Espero, sinceramente, que isso tenha ocorrido com os brasileiros e que não fique apenas nas notas de repúdio da OAB, dos discursos de políticos no Congresso Nacional, dos governos e da justiça brasileira. Espero muito, não sei o quê, mas espero.

Quando escrevia este artigo, comecei a receber mensagens dizendo que este caso não foi único na Rússia nos últimos dias. Muitos outros vídeos estão sendo espalhados nas redes sociais ou, pelo menos, comentados. Tive a oportunidade de fazer algumas transmissões internacionais, inclusive Copa do Mundo, Copa das Confederações e Copa América, testemunhando fatos estarrecedores com o envolvimento de torcedores brasileiros em países estranhos. Não são todos, claro, mas uma boa parte dessa gente que apronta e, depois, tenta se passar por vítima.

Em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, cheguei a ser testemunha de uma ação violenta em um dos bares da cidade, me obrigando, depois, a testemunhar contra os conterrâneos, pela violência e falta de respeito com os anfitriões, pelo simples desejo de levar vantagem. Não podia ficar calado e concordar com aquilo. Em Lyon, na França, caso idêntico, inclusive com a conivência de alguns colegas cronistas de outros estados, que só faziam dar risadas.

Não estou dizendo que os brasileiros não sofrem também, mas eles estão na terra dos outros e muitos de nós não temos limites para as coisas. Uma resposta dura precisa ser dada, senão isso continuará ultrapassando barreiras, como agora na Rússia.

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