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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 977 / 2018

26/06/2018 - 19:16:47

Comoção marca despedida de sócia do Bar da Pata

Socorro Alves morreu vítima de câncer; centenas foram dar adeus à empresária alagoana

Maria Salésia [email protected]
Familiares e amigos compareceram ao sepultamento de Socorro Alves

A chuva fina que teimava em cair no final da manhã do domingo, 17, deu lugar ao sol para que irradiasse seus raios sob a empresária Socorro Alves, 68 anos, cujo corpo foi sepultado em clima de comoção no cemitério Parque das Flores, em Maceió. Lágrimas, homenagens, flores, orações e um misto de sentimentos uniram as centenas de pessoas que foram prestar a última homenagem à sócia do famoso Bar da Pata, situado no bairro do Farol, na capital alagoana.

Socorro Alves lutava há cinco anos contra um câncer de pulmão e mesmo no período mais crítico da doença fazia questão de cumprimentar os clientes - que para ela eram amigos. O sorriso, a simpatia e o carisma eram a marca registrada da guerreira que no sábado, 16, não resistiu e faleceu em sua residência.

A lacuna que Socorro deixou jamais será preenchida. Falar do Bar da Pata sem ela é quase impossível. E para homenagear a amiga de longas datas, de décadas, de quase 50 anos, alguns clientes amigos, conterrâneos e familiares abriram seus corações ao EXTRA, que traz alguns depoimentos daqueles que mesmo com muita tristeza e já com bastante saudades conseguiram falar. Outros, as palavras não saiam e alguns respondiam com lágrimas. Foi o caso do garçom Luís que há vários anos trabalha no Bar da Pata. 

Para Glaucia Torres a tia foi exemplo de mulher grata a Deus, solidária e que conseguiu reunir e unir a família. “Foi exemplo de amor, o esteio da família. Uma guerreira que tinha uma força que vinha de dentro dela. Ela dizia que tudo estava bem, quando estava difícil”, disse a assistente social.

Companheira de longas datas, cúmplice, amiga e sócia de Socorro, a tímida Osvolusia de Andrade Pontes, a Lu, estava desolada. Quando questionada sobre o destino do Bar da Pata e de como seria a vida com este vazio, disse que ainda não tinha parado para pensar. “Estou cansada, não sei ainda o que fazer, mas Deus vai me orientar”, adiantou.

Para o médico Paulo Pimentel faltaram palavras para expressar seus sentimentos. Cliente e amigo de Socorro há mais de 30 anos, disse que não tinha muito o que falar. “Ela gostava de mim e eu gostava dela. Era mais amigo que cliente e durante a doença tudo o que ela pedia eu providenciava. Erámos amigos mesmo”, afirmou. 

O professor e empresário Marcelo Bastos, frequentador do Bar da Pata desde 1987, relembrou que a amiga sempre o recebia com alegria e esta característica era o segredo para a legião de clientes assíduos. “É o nosso senadinho. Um lugar em que fomos muito acolhidos e se alguém não comparecia ela tinha a prática de ligar para a pessoa e querer saber o que aconteceu e ainda intimava a voltar. Ela tinha muito zelo por seus amigos. Ela não vai morrer em nosso coração, em nossa memória. Vai continuar viva”, disse com bastante tristeza.

A professora Lúcia Porto era amiga de Socorro de longas datas e não conteve a emoção ao falar da amizade de mais de 40 anos. “Era uma pessoa guerreira, lutadora e que sempre foi em busca de seus sonhos. Vai deixar uma lacuna muito grande. Era amiga de seus amigos, otimista, alegre e mesmo doente estava animada, dizia que iria ficar boa e que estava bem”, confidenciou Lúcia, que foi vizinha da família de Socorro e acompanhou sua convivência com os parentes.

O empresário Anselmo Melo é outro amigo antigo frequentador do Bar da Pata e ainda citou os amigos professor Marcelo Bastos e o jornalista Fernando Araújo.  Mesmo diante da dor, fez questão em elogiar um dos bares mais antigos e histórico da cidade ao afirmar que o espaço é uma festa permanente e parte deste sucesso era fruto da simpatia e companheirismo da Socorro. “Ali praticamente a gente atravessava a madrugada. Ela estava sempre presente e fazia questão de ir em todas as mesas. Era tipicamente um bar com todo um diferencial”, elogiou Melo, ao acrescentar que Socorro deixa muitas saudades.

Ricardo Vasconcelos também fez questão de dar o último adeus a Socorro e falou do convívio de vários anos de “uma família que se reúne “seja para se confraternizar, se deliciar com a boa culinária, a exemplo da patinha de caranguejo que, segundo ele, é insubstituível. “Ela sempre foi atenciosa. Se não fosse essa atenção não teria sobrevivido por mais de 40 anos”, profetizou.

O empresário João Jatobá, amigo e conterrâneo de Socorro, era só emoção. Assíduo frequentador do Bar da Pata desde o começo da casa, apesar do vazio que estava sentindo com a partida da amiga fez questão em falar da importância do bar por se tratar de um ícone da gastronomia alagoana. “A Socorro nunca vai morrer em nossas memórias e a torcida é que esse legado permaneça por pelo menos mais uns 40 anos”, profetizou.

E naquele momento de comoção um outro amigo da Socorro chega com um vaso de margaridas nas mãos. Se aproxima do corpo, faz uma oração, coloca as flores e se junta a tantos outros. Era o professor Alexandre Pontes que foi dar o último adeus à amiga. “Dona Socorro foi um divisor de águas em Alagoas. De uma pequena garagem conseguir reunir tantas pessoas e manter um empreendimento por tantos anos só mesmo por mérito. Deixa muita saudade, mas vai nos dar força e paz. Ela representou isso: força e paz”, afirmou.

Crisogono Araújo Cavalcante, que além de amigo é sogro do sobrinho da Socorro, também deu seu depoimento e deixou o sentimento florir. Disse que o Bar da Pata é um estabelecimento super considerado por excelência. “As pessoas o frequentam há décadas e nunca houve problema nenhum. Mérito das proprietárias e a Socorro era responsável por esta harmonia. É uma casa especial”, comentou.

A jornalista Nide Lins era só elogio para a amiga que se foi. Falou da amizade, das reportagens sobre o bar em seu blog e das receitas cedidas para seus dois livros de gastronomia. Inclusive, confidenciou que a receita “Ova do Sertão”, especiaria da casa, vai fazer parte do seu terceiro livro que será lançado no próximo dia 25. “As duas construíram um patrimônio gastronômico incomparável. A Socorro era fundamental nas boas vindas de quem por lá aportava. Vamos torcer para que o Bar da Pata continue”, afirmou.

Israel Lessa disse que o Bar da Pata sempre foi uma referência e revelou que Socorro, além de amiga, é prima de seus filhos. “Nos encontrávamos no bar e em reuniões de família. Ela irradiava alegria e estes momentos de amizade íntima se encerraram com a sua partida. O espaço vai ficar em nosso pensamento, sem contar que a Socorro era ícone da culinária alagoana”, disse.

Dono de outro ícone da noite maceioense - o Bar da Maré-  Antônio Carlos Gama fez uma viagem ao tempo ao dizer que começou a frequentar o Bar da Pata em 1975 quando entrou na faculdade. O espaço funcionava em outro endereço e quando se mudou ele veio junto. “O estabelecimento e atendimento são tão bons que mesmo possuindo um bar com as mesmas características do Da Pata nunca o deixei de frequentar. A Socorro vai fazer muita falta”, comentou. BAR DA PATA-  Pelo Bar da Pata já passaram bastantes pessoas em seus quase 50 anos de existência. Anônimos, professores, profissionais liberais, empresários, advogados, jornalistas, políticos e várias celebridades nacionais. Para se ter ideia da importância do espaço, todos os ex-governadores de Alagoas nos últimos 30 anos e o atual também já provaram as famosas patolas de caranguejo e outras iguarias do Bar da Pata.

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