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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 977 / 2018

26/06/2018 - 19:12:10

José Marques de Melo era uma referência mundial

Alagoano foi o primeiro brasileiro com doutorado na área

José Fernando Martins Com agências
José Marques de Melo foi o primeiro brasileiro doutor em Jornalismo

Após 22 dias da morte do jornalista e escritor Audálio Dantas, 88, foi a vez de José Marques de Melo, 75, deixar saudades à família, amigos, alunos e admiradores. Ambos saíram do interior de Alagoas e ganharam o país mostrando um jornalismo com responsabilidade social e crítico. Fizeram a diferença na literatura, nas redações de jornais e influenciaram o ensino da profissão em universidades. 

Assim como o colega de trabalho Audálio Dantas, o jornalista José Marques também faleceu numa quarta-feira, no caso, 20 de junho. Ele sofreu um infarto fulminante na residência onde morava na capital paulista. Natural de Palmeira dos Índios, o professor era referência em estudos na área da comunicação. A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) publicou nota informando o falecimento. 

O sepultamento foi realizado na quinta-feira, 21, no Cemitério do Morumbi. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, durante a década de 1960, antes de se transferir para São Paulo. 

José Marques de Melo foi o primeiro doutor em jornalismo titulado por universidade brasileira e fez seu pós-doutorado, com bolsa da Fapesp, nos Estados Unidos, onde realizou estudos avançados de comunicação. Atuou ainda como pesquisador/professor visitante em diversas outras universidades estrangeiras, nos Estados Unidos, México, Argentina, Uruguai, Venezuela, Bolívia e Chile. 

Em 1977, idealizou e foi um dos fundadores da Intercom, onde atuava como presidente de honra e membro do Conselho Curador. Atualmente, era titular da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional na Universidade Metodista de São Paulo. Foi impedido por anos de exercer a docência em universidades públicas em razão da ditadura militar, reassumiu sua cátedra na USP após a anistia. 

Em 1989, foi escolhido pela comunidade acadêmica para exercer o cargo de diretor da ECA, função ocupada até 1993, quando se aposentou na instituição. Em 2009, coordenou o processo de revisão das diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo, que foi implementada pelo então ministro da Educação Fernando Haddad (PT). 

ALAGOAS EM LUTO

O secretário de Estado da Comunicação, Ênio Lins, lamentou profundamente a perda de um dos principais acadêmicos de Jornalismo no Brasil. “Sem dúvida nenhuma, como acadêmico e jornalista, ele deixa uma história que ainda precisa ser contada, que ainda precisa ser reconhecida. Alagoas está de luto!” lastima.

Para o primo e desembargador José Carlos Malta, esta não foi apenas uma perda familiar. “É uma tristeza para o Estado, que perde um de seus mais ilustres filhos”. Ressaltou também a dedicação pela Comunicação e o Jornalismo brasileiros. “Ele estava produzindo até seus últimos dias. José Marques foi mais que um jornalista, ele é inspiração para todos acadêmicos da Comunicação”, reforçou o desembargador.

 A antropóloga Luitigarde Cavalcanti, amiga e companheira de projetos, destacou o pesquisador como sendo um ícone para a juventude da Comunicação. “José Marques foi mais que um professor; ele é uma inspiração para todos da Comunicação no Brasil”. Ela também frisou o homem cheio de vida que distribuiu conhecimento por todo o país.

 Entre suas principais obras estão Comunicação Social: Teoria e Pesquisa, Estudos de Jornalismo Comparado, Sociologia da Imprensa Brasileira, A Opinião no Jornalismo Brasileiro, Comunicação e Modernidade, Fontes para o Estudo da Comunicação e Teoria da Comunicação: Paradigmas Latino-Americanos.

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