Acompanhe nas redes sociais:

19 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 976 / 2018

14/06/2018 - 20:22:32

Renan Calheiros e sua luta pela reeleição

“A Lava Jato deixará avanços para o Brasil”, diz senador investigado

José Fernando Martins [email protected]
Senador Renan Calheiros

Citado várias vezes em delações na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, o senador Renan Calheiros tentará se reeleger em outubro, ao lado do primogênito, o governador Renan Filho, ambos do MDB. Diferentemente das outras eleições, um dos desafios de campanha do pré-candidato ao Senado será enfrentar o descrédito da população com a política, que segundo o próprio parlamentar, “tem sido contestada, exposta e mal falada”. Em entrevista ao EXTRA, Calheiros declarou que, apesar de também ser alvo de investigação, sempre defendeu a Lava Jato e qualquer outra forma de acabar com a roubalheira política no país. 

“Quando estive à frente do Congresso Nacional, demos ao Brasil algumas das leis mais efetivas no combate à corrupção. Isso vai da delação premiada à autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público. Sempre fui um defensor de qualquer investigação. Ninguém pode se colocar acima da lei. E em alguns casos, em que há uma evidente perseguição, a investigação acaba sendo uma oportunidade para você demonstrar o contrário. É exatamente isso que tenho feito. A Lava Jato deixará avanços para o Brasil. Mas, não pode atuar acima dos direitos coletivos e individuais. Ela deixará ensinamentos. Só não pode colocar, no mesmo barco, os bandidos e os inocentes”, disse.

Sobre o trabalho dele, em Brasília, Calheiros fez um balanço das vitórias e derrotas. “Como presidente do Senado, pude aprovar projetos, como: a obrigatoriedade do detalhamento dos impostos que pagamos nas notas fiscais; a Lei Maria da Penha; a PEC das Domésticas; a PEC do Trabalho Escravo; a implantação do Supersimples, que vem ajudando pequenos e médios empresários; a criação do MEI (Microempreendedor Individual); ampliação da licença maternidade; a atualização do salário mínimo pela inflação e pelo crescimento da economia”.

Quanto às derrotas, o senador cita mudanças estabelecidas após Michel Temer assumir a Presidência da República. “Vou dizer uma que me entristeceu muito:  a aprovação da Reforma Trabalhista, que roubou direitos dos mais pobres. Para defender o que sempre defendi, rompi com o governo. Lutei muito para que o Senado não cometesse esse erro. Abri mão até da liderança do partido para ficar livre para combatê-la. Fizemos várias reuniões com confederações, sindicatos, centrais e entidades variadas. Chegamos a derrotar o projeto na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Mas, no plenário, a maioria conservadora e governista votou a favor, acreditando na palavra do presidente de que corrigiria as injustiças por meio de uma medida provisória. O que não aconteceu”. 

DECADÊNCIA

No dia 3 de junho, quase a metade dos eleitores do Tocantins não quis participar da eleição suplementar para escolher um novo governador. Após cassação dos mandatos do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) e da vice, Cláudia Lelis (PV) por arrecadação ilícita de recursos em 2014, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendou um novo pleito. Mas o resultado foi que cerca de 50% dos tocantinenses aptos a votar optaram por ignorar os candidatos. Para Renan Calheiros, esse fato pode ser um prenúncio da decadência da democracia brasileira. “Se o Congresso Nacional, depois da eleição, não trabalhar pela funcionalização do Brasil, colocando sua Constituição acima de todos os Poderes, fazendo a separação, a independência com harmonia, vamos ter dias piores e ninguém, seja quem for o próximo presidente, se sustentará”. 

Porém, o senador analisa o eleitorado de Alagoas com otimismo. “Tenho certeza de que os alagoanos, é isso que tenho ouvido nas ruas, reconhecem os serviços prestados. Alagoas sempre reconheceu minha dedicação ao longo dos mandados, entre eles, quatro vezes na presidência do Senado”. E como resgatar a esperança do eleitor na política? De acordo com Calheiros, é um trabalho em conjunto. “Não cabe a uma pessoa, nem a um grupo específico, esse papel. É obvio que tivemos o final de um ciclo. E por isso a necessidade de reinvenção da própria política.  Mas isso precisa brotar de um sentimento coletivo. O que acontece hoje é resposta à situação econômica, ao desemprego, aos cortes nos programas sociais, especialmente no Bolsa-Família, ao corte de investimentos públicos, investimentos privados e a consequente paralisia na atividade econômica. A esperança só se restabelece diante da possibilidade de uma vida melhor”.

Sobre a disputa ao Senado em Alagoas estar mais concorrida que a de governador, o parlamentar aposta nos debates. “Acho um bom sinal. Uma boa disputa. A concorrência qualifica e legitima o processo eleitoral. Os alagoanos só ganham com isso, com mais opções de candidatos. Acho o debate insubstituível. É pressuposto para uma disputa séria, de programas, de postura. Quanto mais concorrida, mais condições teremos para colaborar com a reinvenção da política”, concluiu.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia