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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 973 / 2018

29/05/2018 - 15:10:50

O perigo da hegemonia política

CLÁUDIO VIEIRA

O noticiário político alagoano tem uma particularidade preocupante: a indecisão da oposição. Busca-se um candidato a governador com possibilidade de fazer frente ao governo atual, e as indicações esbarram ora na falta de vontade de eventuais concorrentes, ora no desentendimento entre as agremiações oposicionistas e ora no receio de enfrentar um governador considerado forte. Quem definiu à perfeição o drama oposicionista foi o presidente estadual do DEM, ex-deputado José Tomaz Nonô, segundo noticia jornal local. Dissera o atual secretário municipal da Saúde, com a sua proverbial sinceridade, que a escolha não seria fácil, “porque não existem muitos bons nomes de candidatos ao governo”. 

Tem razão o secretário. Indiscutivelmente o melhor nome ao posto é o seu próprio. Os serviços que tem prestado ao estado e ao País credenciam-no a opor-se com firmeza à pretenciosa hegemonia dos Renans, no geral, e no particular, homem acostumado ao debate, à dialética retiliniamente socrática, talvez seja o único capaz de enfrentar os sofismas do atual mandatário. Não posso dizer, a bem da consciência, que o governador venha fazendo um mau governo. Não é esse o ponto. Ao meu ver o que não se pode é permitir que a soberba aflore demasiada, ao ponto de embotar o senso de autocrítica que deve conter os esbordos de toda a autoridade pública. Afinal, por melhor que venha sendo o governo atual, não é perfeito, ao ponto de se tornar insubstituível. Mas, a verdade exposta pelo secretário Tomaz Nonô revela o quão sem opção estará o eleitor alagoano. Aliás, esse fenômeno circunstancial não é exclusivo nosso. O País vive também momento semelhante. Não só aqui o rol de candidatos mais parece álbum de retratos de delegacia de polícia.

No caso de Alagoas, também listando candidatos aos diversos cargos em disputa envolvidos com inquéritos e ações penais por peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, e outros comportamentos penalmente relevantes e puníveis, o caso se agrava porque formadores de opinião sentem-se à vontade para servir a determinadas autoridades, bombardeando a população com notícias de sua inevitável eleição. E isso sem quaisquer bases empíricas, pois se pesquisas há, estão tão cuidadosamente guardadas que nos fazem acreditar em embustes. Esses fatos têm, certamente, o condão de criar uma “verdade” perigosa, pois acabará por deixar-nos nas mãos do “velho”, por mais que revestido do “novo” que queremos. 

Uma oposição forte, todos dizemos, é necessária – mesmo imprescindível – à realização da democracia.   

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