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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 973 / 2018

29/05/2018 - 15:09:56

Ainda existe corrupção!

Alari Romariz Torres

Fico impressionada com a ousadia de políticos, empresários e “laranjas” em nosso país! Estamos há quatro anos ou mais com escândalos estourando, famosos sendo presos e não sentimos nenhum progresso no comportamento das pessoas que estão no Poder.

Tomando por base nosso estado: prefeitos estão sendo condenados por corrupção, deputados continuam pagando salários dobrados a mais de novecentos apadrinhados, usando indevidamente o dinheiro público.

Recentemente o STF cortou gratificações de militares colocados à disposição do Tribunal de Contas do Estado. Nos três Poderes existe tal situação e não vejo nenhum pecado nisso. Diria eu: há um certo privilégio beneficiando parte da categoria e deve causar algum rancor dos que ficam nos quartéis; trabalham mais e ganham menos. Vícios que vêm de longe.

Estouram escândalos semanalmente em todo o país! O Congresso aprova projeto de lei em benefício próprio! A Lava Jato pune algumas pessoas e o Supremo Tribunal Federal, de vez em quando, solta os “protegidos”.

Citarei um exemplo vivo de um ex-prefeito de uma pequena cidade de Alagoas. Moço, filho de família de classe média, sempre acompanhou políticos famosos e, de repente, resolveu entrar na dança. Dirigiu a cidade por dois mandatos, elegendo o seu substituto e o de outra cidade vizinha. Na primeira eleição visitou os amigos e era simpático. Seus bens se multiplicaram quase que de repente. Ficou arrogante e vaidoso, como se vivesse num plano superior aos simples mortais, pois tem brigado até com a Igreja Católica. Eu diria que cresceu muito em pouco tempo.

Outros políticos dominam o jogo das figuras poderosas das Alagoas. Um filho de um deputado estadual cresceu politicamente, ficou no lugar do pai, domina outros companheiros, controla os salários dobrados de novecentos assessores, age, através de “laranjas”, com muita sutileza. Mal visto por funcionários ativos e inativos, reina no Legislativo com poder e dinheiro.

Fora do estado, pouca coisa mudou: senadores, deputados federais, empresários, investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal continuam vivendo com muito dinheiro, reinando no Congresso ou na vida privada, como se nada estivesse acontecendo!

A situação é tão crítica que detentores de mandato são vaiados nas ruas, nos aeroportos, nos aviões. O presidente da República foi xingado, vaiado, quase apedrejado em São Paulo, no dia 1º de maio, ao tentar se solidarizar com as vítimas de um grande incêndio na cidade. Mas tais criaturas dão entrevistas como se seus atos lesivos ao patrimônio público não estivessem sofrendo o repúdio da população. 

Este ano teremos eleições. O Congresso ampliou o Fundo Partidário. E agora os donos dos partidos vão distribuir a verba proveniente dos nossos impostos. Vamos ter o prazer de acompanhar, pela mídia, a partilha do butim. Por exemplo: no MDB de Renan Filho e Renan pai, ambos candidatos à reeleição, para quem irá tanto dinheiro? Claro que irá para os amigos do rei. A distribuição será feita pelos dois políticos famosos e a tendência será eleger os mesmos de sempre.

Quero crer que as empresas vão ter medo de dar dinheiro aos candidatos. Não sei se acabará o “caixa dois” e os detentores de mandato de governador e prefeito usarão as verbas públicas como a lei determina.

Os poucos idealistas que se candidatarão em 2018 vão sofrer muito para visitar e conquistar o eleitorado. Lembro-me da campanha de Heloisa Helena ao Senado contra Collor. Ela de bicicleta, ele de helicóptero.

Moral da história: mesmo com as operações quase diárias desencadeadas pela Polícia Federal contra os fora da lei, apesar de Mensalão, Lava Jato e outros processos em andamento na Justiça, ainda não foram quebrados os elos do sistema eleitoral sujo que se implantou no Brasil.

A corrupção continua viva!     

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