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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 973 / 2018

29/05/2018 - 14:55:56

Chico Vigário denuncia ameaça de morte

Corretor de imóveis disse que prefeito “entraria na pistola”

JOSÉ FERNANDO MARTINS [email protected]
Francisco Luiz de Albuquerque

O prefeito de Atalaia, Francisco Luiz de Albuquerque, o Chico Vigário (MDB), alega que foi vítima de injúria racial e também ameaçado de morte por um corretor de imóveis. O caso tramita na Justiça de Alagoas desde o último dia 17. Segundo os autos do processo, Fábio Ataíde de Lima Costa teria enviado mensagens de áudio em grupo de WhatsApp, chamado de Amigos do F.C., de cunho racista e difamatório contra o emedebista.

“Manda esse cachorro pagar o povo. O cachorro que estou falando é Chico Vigário, safado, que não paga ninguém”, teria dito o corretor de imóveis. Em outro áudio, que o EXTRA ALAGOAS teve acesso, Fábio Ataíde falou ainda que o gestor “seria um maloqueiro nego filha da p.”. E finalizou dizendo que o prefeito iria “entrar na pistola” uma suposta dívida.  Os áudios foram enviados no dia 14 de maio e se propagaram nas redes sociais.

Chico Vigário é conhecido no círculo de amizade do acusado, mas, ainda de acordo com o processo, não teria contato com o corretor há algum tempo. Segundo a petição do advogado e procurador do município, Carlos Eduardo Ribeiro Calheiros, “o prefeito nunca teve nenhum problema com Fábio Ataíde, no entanto, mesmo assim, os áudios foram disseminados pela internet. Uma montagem de fotos e as gravações se tornaram viral no WhatsApp, causando constrangimento ao gestor. Muitas pessoas afirmaram que a voz contida nas mensagens pertence ao acusado sem necessidade de perícia”.

Quanto à frase “entrar na pistola”, o advogado informou à Justiça que Chico Vigário, agora, vive com o receio de ser assassinado. “Após tomar conhecimento das ameaças, o prefeito foi procurar o promotor de Justiça de Atalaia, Sóstenes de Araújo Gaia, que orientou a ingressar com uma queixa-crime tendo em vista o crime de injúria racial maculando a honra e imagem da vítima”. O advogado anexou ao processo um vídeo, áudios e prints da tela do telefone celular para comprovação do crime.

Ainda neste mês, outro caso de racismo foi destaque em Alagoas. O delegado Leonardo Assumpção, coordenador da Central de Flagrantes, em Maceió, também foi vítima de comentários propagados por áudios em WhatsApp. O tenente-coronel da Polícia Militar (PM), Rocha Lima, comandante do Batalhão de Policiamento do Eventos (BPE), teria gravado comentários depreciativos contra o delegado, que soltou suspeitos de participarem de uma facção por falta de provas.  Lima nega a autoria dos áudios e o aparelho celular à disposição da Justiça para a apuração dos fatos. 

A filha de Chico Vigário, Francine Vieira de Albuquerque, declarou que seu pai não teria com o corretor de imóveis. “Não sabemos do que ele está falando e meu pai não deve nada a ele. Estamos tranquilos porque confiamos na Justiça. Além dos áudios, ele fez montagens com fotos do meu pai escrevendo palavras de baixo calão”, contou. O EXTRA ALAGOAS conversou com o acusado, Fábio Ataíde, que disse que não falaria sobre o assunto por telefone: “Fiquei sabendo do processo por outras pessoas, mas ainda não vi”.

Sendo assim, a reportagem marcou uma entrevista presencial com o corretor, que acabou não comparecendo.

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