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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 972 / 2018

22/05/2018 - 15:49:30

Denúncia de diplomas falsos assusta estudantes no interior do estado

candidato derrotado a vereador promete regularizar situação de 20 mil estudantes

Gabriel Mousinho
Catunda tenta convencer alunos de que diplomas são falsos

Em um encontro ocorrido na sala de aula da Escola Sesi/Sesc de Marechal Deodoro, na terça, 15 de maio, o líder do Movimento Diploma Legal, João Catunda, reuniu-se com estudantes de diversas Instituições de ensino superior alagoanas. Esses alunos estão preocupados e aflitos devidos noticiários de que de que seu diploma é irregular podendo ser cancelado, como foi mencionado em reunião semelhante em Palmeira dos Índios, no último dia 8 deste mês. 

Pousando como uma espécie de “salvador da Pátria” Catunda propôs, de forma objetiva, que os alunos se cadastrem, o mais rápido possível, no site do movimento (www.diplomalegal.com.br) para que, assim, o Ministério da Educação (MEC) autorize a migração da grade curricular de cada um para centros de estudos superiores que estariam regularizados juntos à instituição federal. 

Em seu discurso ele afirma que o cadastro dos dados junto ao Movimento Diploma Legal é imprescindível porque a diretoria do movimento conseguiu “sensibilizar” o MEC com relação à causa. 

Não é muito estranho um secretário do MEC sair de Brasília e ir ao interior alagoano, como ocorreu em Palmeira dos Índios, para tirar o poder constitucional de faculdades e transferir tamanho poder para uma pessoa com histórico político às vésperas de uma eleição. Importante observar que a plataforma www.diplomalegal.com.br proposta por Catunda para que os alunos se cadastrem já merece investigação, visto que as proposta do governo para instituições governamentais ficam hospedadas em sites com final “.gov.br” e para instituições educacionais a terminologia da hospedagem é “.edu.br”

Fica mais evidente que em período eleitoral centenas de alunos estão sendo induzidos a disponibilizar as suas informações pessoais em um sistema de captação de dados que não oferece garantia constitucional aos estudantes.

Mas o ex-candidato a vereador por Maceió, João Catunda, que, atualmente, é filiado ao partido Democratas, não apenas sugeriu aos universitários que realizem o cadastramento. Ele chegou a declarar, em seu discurso, durante o encontro, que quem não repassar os dados pessoais estará sendo conivente com o que chamou de “máfia dos diplomas”. “Quem não se cadastrar acaba sendo cúmplice do que está acontecendo, pois isso se chama omissão”, afirmou Catunda para um assustado grupo de pessoas.

 “Vocês (os alunos) foram roubados! Estão pagando por um diploma que não é reconhecido pelo Ministério da Educação. Nós nos reunimos com o MEC e intermediamos esse processo. Conseguimos a autorização para fazer esse cadastro da grade curricular para, em seguida, migrá-los para instituições regularizadas. Todo esse processo deve ser feito através do movimento, com a participação do Sindicato das Faculdades Particulares de Alagoas”, afirmou João Catunda.

Na prática, o movimento está vendendo a ideia de que os representantes do MEC deram a garantia de que, através de Catunda, depois que a migração dos dados estiver efetivamente efetuada, os estudantes poderão reaproveitar o que cursaram em outras instituições de ensino. E o que é melhor: pagando mensalidades a preços populares.

“Não é melhor vocês pagarem um ou dois períodos a mais do que perder tudo?”, indagou João Catunda durante a reunião, sem explicar, contudo, quais as garantias que os alunos terão nesse sentido. Ou seja, as aulas dadas em faculdades tidas por ele como golpistas serão aproveitadas?

Como forma de frear o esquema fraudulento, que ele considerou muito grave, o Movimento Diploma Legal também pretende impetrar uma ação judicial para que os cerca de 20 mil alunos prejudicados sejam ressarcidos por prejuízo financeiro e danos morais. 

No entanto, alguns estudantes já se perguntam se não é inseguro entregar seus dados e destino a um movimento liderado por políticos em ano eleitoral? Outros, desconfiados indagam: “Como é que os estudantes irão ter o ressarcimento de serviço que foi prestado, com históricos entregues, que, inclusive, o próprio Catunda garante que serão aproveitados por diversas instituições de ensino superior?” 


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