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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 972 / 2018

22/05/2018 - 15:43:42

O canto das Sibilas

Isaac Sandes Dias

Em meio ao moto-contínuo da operação Lava Jato, suas intermináveis fases têm lancetado tantos bubões de corrupção a ponto de levar nosso povo a um quase completo descrédito nos dirigentes e instituições.

Talvez esse estado de coisas tenha provocado o aparecimento das Sibilas do apocalipse político, com nefastas predições da volta da ditadura militar.

Quando um povo ou Nação encontra-se em grande tumulto ou confusão política e institucional, é comum que se atenha e preste atenção a todo tipo de predição que soe como um unguento para suas chagas políticas, sociais e econômicas. Nesse estado de espírito, perde sua capacidade crítica e passa a crer em qualquer pregoeiro, por mais estapafúrdia ou absurda que seja sua prédica.

Em primeiro lugar, esquece o que significa um estado de exceção, o terror e o medo que o permeiam.  Nele a primeira baixa é da liberdade de expressão, exercitada hoje à exaustão nos diversos meios de comunicação eletrônica que dispomos. Em seguida, perdemos o direito à ampla informação, passando a consumir a informação dirigida que nos é imposta. Depois, perdemos o direito de reunião e discussão democrática de qualquer tema. Mais à frente perdemos o livre direito de ir e vir. Finalmente, passamos a perder amigos, parentes ou qualquer um que tenha se voltado contra o novo estado de coisas vigente.

No entanto, esquecem as Sibilas do fracasso não tão distante do último regime militar que vigorou em nosso país. Esquecem que aquele fracassado regime tinha tudo para se perpetuar, pois foi instituído por um conjunto de fatores que muito bem poderiam lhe dar sustentação por muito mais tempo. O auge da Guerra Fria, o temor que tinha a potência hegemônica ocidental daquele momento de ser cercada por satélites comunistas, o medo de que estes satélites comunistas dominassem todos os recursos naturais estratégicos de que a potência se alimentava e bem explorava, e, principalmente, o medo de que o Brasil, um país continental, se tornasse o espelho ocidental de uma China comunista.

Todas essas condições e fatores fizeram com que, naquele momento histórico, a grande potência ocidental financiasse, apoiasse e desse suporte operacional a todas as ditaduras existentes ou por existir, do México até a Patagônia.

Finda a Guerra Fria, esvanecido o fantasma do comunismo com o fim da União Soviética, a debandada da China para um comunismo não praticante e voltado para a economia de mercado, igualmente findou-se o interesse do grande Tio em fomentar e financiar as ditaduras bananeiras.

Hoje, os tiranetes extemporâneos que perderam o bonde da história nem aparecem no radar da grande potência, vivem como fósseis presos num pedaço de âmbar, isolados e vistos apenas como cápsulas do tempo.

Tudo isto foi esquecido pelas Sibilas que agouram a Nação com a volta do militarismo. Tudo isto foi desconsiderado por elas na ânsia de pregar suas más novas. 

Imaginem elas o quanto desastroso seria agora um regime militar sem o apoio econômico, sem o fomento e sem o apoio estratégico do grande avalista das ditaduras bananeiras.  Imaginem as Sibilas que, se enquanto cercada pelas condições favoráveis das décadas da Guerra Fria, nossa ditadura deu com os burros n’água, como seria então ela agora sem tais sustentáculos e circunstâncias. Como seria ela hoje sem o apoio do grande capital. Como seria ela hoje sem o apoio logístico e sem o aparato de inteligência cedido pelo grande Tio. 

Se as Sibilas que profetizam dito retorno pudessem da mesma forma prever o quão danoso ele seria,  deixariam de lado seu milenar ofício das previsões sérias e se limitariam a ler mãos de transeuntes, predizendo novos amores, protegendo-os do olho grande, inveja de vizinhos ou  garantindo retorno de marido desgarrado.

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