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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 972 / 2018

22/05/2018 - 15:33:33

Grupos fortalecem artesanato como atividade econômica

Com muita criatividade, profissionais criam peças de decoração e vestuário que fazem sucesso

Texto: Débora Vieira
Amor Caseado participa de feiras nacionais e internacionais

O artesanato alagoano vem mostrando toda a sua força, representatividade e originalidade para o país. Isso é fruto, em parte, do trabalho dos artesãos em parceria com o poder público, que cada vez mais projetam suas peças e obras para além das fronteiras do Estado. Um dos mecanismos utilizados por alguns dos artesãos para isso é a formação de grupos produtivos, que englobam centenas de profissionais especializados em certa técnica.

Uma dessas histórias é contada lá no povoado de Murici, em Penedo. O grupo produtivo Fulô.A, formado por aproximadamente 20 pessoas, tem, com o  bordado livre, levado suas peças para diversos estados como São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Brasília. Além do reconhecimento, a participação em Feiras vem gerando renda para os seus integrantes, por meio de encomendas tanto para vendas no varejo como para lojistas.

A forma de organização das integrantes da Fulô.A, que está sempre “em processo de construção”, como explica uma de suas fundadoras, tem passado a técnica para dezenas de moradores do povoado. Ao menos é o que explica a artesã à frente do grupo produtivo, Ana Cristina.

“As pessoas me procuram sempre, querendo aprender a técnica. O que a gente faz é passar conhecimento para os outros do nosso local, que foi onde a gente nasceu e aprendeu o bordado”, pontua a artesã, explicando ainda que até homens da comunidade a procuram querendo aprender a técnica ou ajudam suas mulheres no processo de produção. “Eles ainda ficam com vergonha de dizer que bordam, mas estou tentando trabalhar isso com eles”, explica Ana.

Para uma das artesãs da Fulô.A, Nadja Santos, 22 anos, que aprendeu a técnica com a própria Cristina,  o bordado é uma forma de complementar sua renda familiar. “Fiquei sabendo que o grupo queria pessoas pra aprender a técnica e produzir peças, fui lá e comecei a produzir. Hoje o que ganho dos bordados me ajuda a pagar as contas”, conta Nadja.

Tradição do Filé

Já o grupo produtivo de Filé, o Luart, formado por artesãs dos municípios de Marechal Deodoro e do bairro Pontal, em Maceió, surgiu há 23 anos com objetivo de fortalecer a tradição da técnica do filé na região. Ao passar dos anos, suas integrantes perceberam que a produção estava aumentando e com isso surgiu a necessidade de agregar mais profissionais.

Hoje com aproximadamente 60 integrantes, o grupo vem se destacando por sua produção de peças diferenciadas que usam o filé no processo. Entre os itens, por exemplo, estão tamancos, sandálias e até bolsas de palha com aplicação de filé.

De acordo com a organizadora da Luart, a Lucineide Barbosa, as tomadas de decisões do grupo acontecem de forma coletiva. “Geralmente nos reunimos uma vez por mês para decidir tudo coletivamente. Costumamos dividir a participação das artesãs por processos, tem gente que se identifica melhor na produção da rede, ou no filé, na costura ou no acabamento, mas acaba que todo mundo sabe um pouco de cada processo e gostamos de dividir por afinidade”, explica Lucineide.

Para a artesã Nena Brito, 49 anos, que está no grupo há mais de 10 anos, o Luarte busca manter viva a tradição do filé em Alagoas. “É uma técnica centenária e nós fazemos parte dessa trajetória”, explica Nena.

Outro grupo produtivo que vem se destacando é o Amor Caseado de Boca da Mata. Com participação em feiras nacionais e internacionais, ele beneficia cerca de 120 pessoas no município. Na cidade, as bordadeiras são especializadas em aplicações de bordados em objetos de decoração e vestuário.

Alagoas Feita à Mão

     Os grupos produtivos como o Fulô.A, Amor Caseado, Luarte, entre outros, além das dezenas de associações de artesãos como do Pontal da Barra, Pontal do Coruripe, de Penedo - Pontos e Contos e o Instituto do Bordado Filé de Alagoas (Inbordal), têm ajudado a promover o artesanato genuinamente alagoano.

Eles encontram no projeto Alagoas Feita à Mão, promovido pelo Governo de Alagoas e coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), um importante aliado nas ações de divulgação e comercialização das suas peças e obras.

O projeto inclui publicação de editais para participação em feiras nacionais, placas de sinalização, cadastro e renovação da carteirinha do artesão, além da publicação de catálogo comercial do artesanato.

Para o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rafael Brito, as ações de beneficiamento aos artesãos locais, ajudam a fortalecer a atividade econômica no estado.

“Atualmente, o artesanato compõe a renda de mais de 14 mil profissionais no estado, sendo que aproximadamente 60% vive exclusivamente da atividade; é pensando nisso que as ações promovidas no Governo de Alagoas têm dado maior visibilidade a esses profissionais”, explica Rafael.

O Sebrae Alagoas é outro parceiro dos artesãos alagoanos. A entidade tem auxiliado esses profissionais com ações focadas no fortalecimento da gestão empresarial e também na promoção de acessos a aos mercados.

“Nessa última linha, a gente atua muito em parceria com o Governo de Alagoas, pois é por meio da geração de acesso a esses mercados, que estamos conseguindo colocar a sociedade a par de toda a arte que a gente tem”, pontua a analista do projeto Brasil Original de Alagoas, Giselle Mascarenhas.

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