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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 971 / 2018

15/05/2018 - 10:53:44

Ex-prefeito desviou R$ 8,5 milhões do Fundef

enaldo Vieira continuou farra com dinheiro público iniciada por Celso Luiz

José Fernando Martins [email protected]
Segundo o delegado Antônio Carvalho (E), um palhaço foi feito de laranja para o desvio de dinheiro; agentes estiveram em residências e empresas

E Celso Luiz Tenório Brandão (MDB) fez escola na cidade de Canapi. Condenado por desviar R$ 17 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), seu sucessor continuou com o crime. Genaldo Vieira (PTdoB), que era o vice-prefeito, assumiu o Executivo do município em 2016, após afastamento de Brandão. Segundo a Polícia Federal, Vieira teria torrado cerca de R$ 8,6 milhões em menos de uma semana.

 A coincidência é que o dinheiro sumiu entre os dias 26 e 29 de dezembro daquele ano. A agilidade seria para não sobrar nenhuma verba para o prefeito eleito, Vinicius Jose Mariano de Lima (DEM), que assumiria a Prefeitura no dia 1º de janeiro de 2017. Nesta quinta-feira, 10, a PF realizou a Operação Canapi para cumprir onze mandados de busca e apreensão e ordens de sequestro (apreensões de veículos que teriam sido adquiridos com dinheiro roubado). 

Além de Canapi, a ação aconteceu em Delmiro Gouveia, Tanque d’Arca, Marechal Deodoro e em Maceió. O ex-prefeito, um advogado e um ex-secretário vão ter de pagar fiança de R$ 10 mil a R$ 100 mil. Os três já foram notificados e têm 24 horas para quitar os valores. Segundo o delegado Antônio Carvalho, o golpe de Genaldo Vieira, também conhecido como Vieira do Povão, era mais elaborado do que o cometido por Celso Luiz. 

“O do outro prefeito (Celso Luiz), o esquema era feito a partir de depósitos em contas de pessoas físicas. No caso do Genaldo, todos os beneficiados eram pessoas jurídicas”, informou o delegado. As empresas investigadas são a Sonibrás, Cláudia Soares Pedrosa Ltda, JL de Macedo Neto Ltda e a KAP Locações e Serviços. Esta última foi a que mais chamou atenção dos investigadores. Acostumada a fazer contratos com valores pequenos, de uma hora para outra conseguiu firmar um acordo que envolvendo R$ 4,2 milhões. 

“Um dos diretores da empresa disse que o esquema teria sido intermediado por Rodrigo Alapenha, que era genro do ex-prefeito de Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira”, informou o delegado. Alapenha foi morto a tiros dentro do próprio carro em um trecho da Avenida Antônio José da Costa, na cidade do Sertão de Alagoas. O crime aconteceu no dia 11 de agosto de 2017. A KAP Locações e Serviços teria sido contratada para o transporte escolar no município. “Um serviço contratado por outras prefeituras por R$ 300 mil mensais”, contou. 

O esquema ainda destinou R$ 440.000 à empresa Cláudia Soares Pedro para a compra de cestas básicas. Um dos proprietários informou que as cestas eram adquiridas de outra empresa, a Maceió Peixaria, que trabalha com animações de festas na capital, e teria sido usada como laranja no esquema. O dono, que é palhaço em festas, ficou surpreso ao ser questionado pelos policiais federais, que descartaram sua participação nas negociatas. 

No inquérito policial também foram investigadas fraudes na prestação de serviços de limpeza de fossas, reparo de telhados, aquisição de alimentos e recuperação de estradas vicinais. As empresas recebiam por serviços que sequer ofereciam na cidade. 

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