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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 971 / 2018

15/05/2018 - 10:51:02

SAÚDE MENTAL

Ninfomania e afeto

Por que será que o sexo é banalizado pelos meios de comunicação social, especialmente a televisão e as revistas (meios visuais)? Será uma cortina de fumaça para que a elite possa dominar melhor o pobre sujeito, que pode ser rico de vida, de sentido, de sentido histórico, mas pode está frustrado porque não tem o corpo – ideal - ou a disposição que lhes oferece pela mídia?

O clichê: “Sexo é vida.” está em muitas mídias impressas e em dezenas de sites, oferecendo “medicamento para melhorar o prazer”. Só prazer. Basta dá olhada, de leve, nesses meios de comunicação.

Claro que sexo é vida! Faz parte do dia a dia das pessoas, sejam prostitutas, prostitutos ou não. Mas sexo não é só troca por dinheiro ou outros favores, ou é? Hoje está sendo, e como!

Mas sexo não é só pornografia, como insinua ou instiga as mídias. Ou não deveria ser, ou instigar. Sexo não deve ser um preenchimento de vazio. Sexo é, também, complemento afetivo entre um casal, entre duas pessoas.

E o que tudo isso tem a ver com ninfomania e afeto?

Perversão e perverso

Ninfomania tem a ver com uma estrutura psicopatológica conceituada como perversão, que por sua vez tem como características principais: uma sexualidade diferente da sexualidade “dita normal” ou um comportamento de transgressão às normas e códigos sociais.

Perversão e perverso II

É bom não confundir perversão com perverso. Ou seja, a pessoa com transtorno de personalidade perversa apresenta outro tipo de psicopatologia: é o antissocial que costuma ser agressiva, destrutiva, sádica e sente prazer com a dor alheia, não sendo capaz de criar empatia com nada e nem ninguém.

Ninfomania e o bebê

E o afeto? Ao se estabelecer o diagnóstico de ninfomania, percebe-se ou descobre-se que a história de vida dessa mulher tem muito de falta de afeto, principalmente nos primeiros sete anos de vida. A mãe ou cuidadora, por alguma razão, não deu o devido valor a ela, ou desvalorizou o bebê e por razões que só num processo psicoterápico vai-se descobrir: ela se tornou ninfomaníaca.

O bebe se viu, sozinho, abandonado. Exatamente quando estava sentindo o seu maior prazer, mamar, “comer”. Era para se sentir acolhido, confortável, alimentado, mas não. Foi abandonado, negligenciado. Lembrando que psicologia não é matemática. Cada pessoa tem uma história de vida, de experiências únicas e reage diferente a cada fato, principalmente adverso.

Ninfomania ou outro ...

Todo transtorno mental tem como base vários aspectos: genético, familiar, social, entre outros. São vários fatores que levam uma pessoa a desenvolver um determinado transtorno. A história de vida de cada uma vai potencializar ou não, ao que foi mais frequente e intenso, um fato que foi frustrante. Para se chegar ao diagnóstico é preciso investigar os vários fatores que contribuem para o seu aparecimento.

Ninfomania e vazio

Assim, a ninfomania surge, exatamente pelo vazio (Não sente nada. Nada de afeto. Só prazer; sexual) que a pessoa apresenta e que é preenchido com a repulsa do afeto e em seu lugar a prática, excessiva ou compulsiva, do sexo.

É uma satisfação passageira, imediata; é uma fuga da angústia que foi processada ou desenvolvida ainda quando bebê, pelo abandono ou descuido da mãe, do cuidador ou de uma cuidadora. 

Sexo, drogas e ...

Assim, quando a “função materna” é inexistente ou insuficiente, a “falta”, ou o “vazio” é estruturado na mente do bebê, que poderá se desenvolver como algo presente, quando adulto, e ai poderá procurar preencher esse “vazio” com excesso de: sexo, drogas, dinheiro, bebida, coleção de carros, viagens excessivas, ou qualquer coisa que lhe dê sentido, porque a vida perdeu o sentido e a compulsão, ao sexo, é um preenchimento “ideal”; é uma forma de “se livrar” do abandono, da angustia que a pessoa sofreu. Tudo isso, lógico, inconscientemente.

Psicoterapia e os vazios

Daí a importância da psicoterapia para descobrir, juntos – psicólogo e paciente – onde está o “vazio” na história da pessoa. E depois de descobrir ou aflorar onde se encontra esse “vazio”, encontrar nele um sentido, preencher com sentido de vida; vida consentida (aceitada) pela própria pessoa como fazer ou construir sua vida com prazer e não, apenas, com sexo.

Vaivém sem afeto

Na caracterização do comportamento ninfomaníaco, o vaivém dos encontros sexuais compulsivos, tem-se, a ausência do afeto, do vínculo com a outra pessoa. O afeto não foi introduzido na memória da infância como algo sadio, pelo contrário, foi negligenciado e para “compensar” busca-se, desesperadamente, algo para preencher o vazio, o sentido dos fatos, das coisas; o sentido da vida.

Ninfomania e o desamparo

Os atos sexuais compulsivos seriam, assim, tentativas de autoproteção com o objetivo de diminuir sentimentos de desamparo, de abandono. Em relatos na clínica, indicam que a pessoa tem/teve – ainda quando adulta -, dificuldades de relacionamentos com a mãe, inconscientemente.

Ninfomania e tratamento

Assim, a ninfomania é uma estrutura psíquica do rol das perversões que tem na sua principal característica uma compulsão ao sexo, só sexo, sem sentimento ou afeto. O tratamento passa por psicoterapia em que psicólogo e paciente possam ressignificar um fato e, a partir daí, dá um sentido para a vida, que não seja, apenas, fazer sexo.

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