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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 971 / 2018

15/05/2018 - 10:48:52

Doleiros e o seu futuro

ELIAS FRAGOSO

No Brasil existe todo um discurso de que nossas instituições são fortes e – dizem – a maior prova disso é que os escândalos da Lava Jato embora venham derretendo reputações no meio empresarial e político, não têm sido capazes de abalar os pilares da nossa democracia. Sei não...

Embora noticiada, a prisão de mais de três dezenas de doleiros do eixo Rio-São Paulo-Brasília, meio que vem passando desapercebida do grande público. Mas o que vem por aí, a partir das delações dessas figuras subterrâneas e seus vínculos tentaculares com todo o poder desta república, vai tornar a Lava Jato um nada. Não custa lembrar que esta começou com a delação de um único doleiro e dos mais chinfrins. Agora não, foram pegos – exceto o doleiro dos doleiros – todos os grandes operadores do mercado a cabo do país.

Agora, interessante, é que nessa toada até aqui não se falou dos banqueiros, justamente eles que operam em parceria com os doleiros e encobrem com ares de legalidade as falcatruas perpetradas neste país, assim como em quase todo o mundo. Doleiro sem banqueiro não dá rima. Até porque o capitalismo tupiniquim em grande parte é sustentado por operações de lavagem de dinheiro e/ou evasão de divisas. Que passam pelos bancos.

A questão é: até onde a PF vai? Porque se a coisa for para valer mesmo, só usando figurativamente uma frase muito empregada na década de 1950 para explicar a hecatombe que se aproxima: a república cai. Não no sentido lato, mas na plenitude que a frase traz embutida. Não serão só mais alguns políticos ou empresários. Será praticamente toda a elite – aqui na pior acepção do termo – nacional, desde a governamental encrustada no executivo, judiciário e legislativo nas três esferas de governo, passando pela empresarial (banqueiros, empresários de médio e grande porte), pela social (artistas, jogadores famosos, profissionais de alto coturno financeiro, etc.) e, pelos traficantes (de drogas, de armas, de mulheres, de órgãos e toda a sorte de criminosos com “relações comerciais” com outros países). 

 Para que se tenha ideia do tamanho do problema, os grandes doleiros agora presos chegaram a criar um “banco” denominado de Bankdrop apenas para movimentar os bilhões de dólares dos “clientes” brasileiros e de seus comparsas lá fora através (até o momento) de cerca de 3.200 contas offshore localizadas em mais de 52 países! Instituímos a corrupção por atacado. Mais uma marca “Made in Brazil”.

Neutralizar as relações espúrias entre autoridades corrompidas, maus empresários e “socialites” desviados com o crime organizado – todo ele e não apenas os doleiros – é passo fundamental para se quebrar a espinha dorsal da corrupção que tomou conta do país, infestou importantes camadas da nossa sociedade, quase toda a máquina estatal e resiste de todas as formas em retroagir suas investidas criminosas contra a Nação.

O crime organizado (ou institucionalizado) como temos hoje em nosso país, somente acontece se houver associação delitiva entre criminosos de todos os matizes com a classe política e de servidores públicos. Ou seja: o crime só se organiza com a permissão/omissão do Estado. O resto é conversa mole.

Cabe ao cidadão não apenas se indignar. Mas reagir, pressionar (as redes sociais estão aí para isso) e votar certo. Se votar em criminoso de colarinho branco ou sem colarinho, quem vai sair roubado é você.

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