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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 971 / 2018

15/05/2018 - 10:48:16

Mães: altos e baixos

Alari Romariz Torres

São cinco horas da manhã, o silêncio da cidade é total, momento em que os mais velhos devem estar acordados, pensando nos altos e baixos que a vida lhes proporciona.

Senti pena de uma mãe no mês de abril: o filho foi preso no Recife. Estava sendo procurado pela Polícia por crime de corrupção. Apesar de não conviver com a família, sei que são pessoas de bem, o pai foi político honesto, a mãe trabalhava na Educação. Assim que tomei conhecimento do fato, lembrei-me, imediatamente, do sofrimento da coitada.

Imaginem vocês uma mãe que perde um filho ou uma filha, ainda jovem, vítimas de acidente ou de doença grave. Duas opções tem tal criatura: ou enlouquece de vez ou segura na mão de Deus para continuar vivendo.

Estou lendo um livro, cujo tema é um pai que perde um filho aos vinte e um anos e resolve criar uma fórmula mágica de felicidade. Como o rapaz era do bem, ele decide respeitar sua memória e procurar, nas pequenas coisas, motivos para ser feliz.

A onda de corrupção no Brasil está muito grande e toda vez que vejo na TV um político preso, envolvido em escândalos, meu juízo ferve. A mãe não deve ter ensinado seus filhos a roubar com tanta desfaçatez. Os mecanismos que determinados políticos utilizam para corroer o dinheiro público com certeza não foram sugeridos pelos pais.

Se o Lula ainda tivesse sua genitora viva, o que ela estaria pensando? Uma nordestina que foi enganada pelo marido, levou os filhos para São Paulo, lutou para criá-los com sacrifício e dignidade; hoje, veria seu filho na cadeia, condenado por grande parte da população do país que governava. Ela, certamente, sofreria bastante, mas acreditaria na inocência do filho e faria tudo para tirá-lo da prisão.

Os traficantes que tomaram conta da nossa terra, matando, roubando, aterrorizando o povo, devem ter mães. Elas, acostumadas com o ambiente do crime, vivem assustadas e esperando, a qualquer momento, a notícia da morte ou captura do filho. Apesar da facilidade no meio de tanto dinheiro, levam uma vida difícil, sem tranquilidade.

Conheci uma senhora em Paripueira que teve oito filhos e hoje vive numa pequena casa, só com o marido. Perguntei pelas crias e ela me respondeu: “Foram morar em São Paulo; de vez em quando mandam um dinheirinho; mas pouco conheço meus netos”. Será que essas oito criaturas pensarão na pobre velhinha no próximo domingo?

Outro fato interessante ocorre neste louco Brasil de hoje: os velhos estão sustentando os novos com seus rendimentos.

Recebi, em nosso sindicato, uma senhora que trabalhou para minha família. Não a reconheci e ela se dirigiu a mim, pedindo ajuda. Quando sorriu, vi que se tratava da Sebastiana. O filho, rapaz de cerca de trinta anos, muito nervoso, queria corrigir a pensão dela. Estava muito baixa, dizia ele. Procuramos ver o caso e ela me chamou: “Alari, não aumente muito; o que recebo dá para viver; eles (os filhos) querem mais!“

Existe, no entanto, muita história bonita, de filhos e filhas que são orgulhos dos pais, outros que cuidam de seus velhinhos com carinho e atenção.

Participo de vários encontros com casais da minha idade e ouço as narrativas de alguns sobre o sucesso das crianças: “Meu filho é médico em Brasília”, diz um; outro, bem emocionado, afirma: “Soube que meu menino e o de fulano foram promovidos a general?” Uma mãe me puxa para um lugar reservado: “Lembra-se da minha filha que era amiga da sua? Pois bem, passou no concurso do Itamaraty”. Todos muito orgulhosos!

Contudo, o mais importante nesta vida é criarmos os filhos e filhas para serem pessoas do bem. O orgulho da mãe é saber que seus rebentos são felizes, vivem com saúde, e, principalmente, ajudam ao próximo.

Viva a mãe brasileira, alegre ou triste!

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