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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 971 / 2018

15/05/2018 - 10:41:53

Thereza Collor critica corrupção e apoia Lava Jato

Empresária e socialite diz que 1992 não deve ser esquecido para não se repetir erros

Maria Salésia Com Rede TV [email protected]
Thereza Collor durante entrevista a Luciana Gimenez fala dos bastidores do impeachment, viagens, família e atualidade

Vestida de preto, com echarpe e adereços azul turquesa e com sorriso largo no rosto, a musa do impeachment Maria Thereza Pereira de Lyra Collor de Mello Halbreich arrancou aplausos e elogios durante entrevista na terça-feira, 8, ao programa Luciana By Night, na Rede TV. O encontro não foi direcionado para a política atual, mas Thereza aproveitou para elogiar a Operação Lava Jato e o combate à corrupção e assinalou a importância de uma maior participação feminina na vida política do País.

Durante entrevista, a empresária e socialite falou da coragem do então marido, Pedro Collor de Mello, em denunciar esquema de corrupção que desencadeou no impeachment do presidente da República Fernando Collor de Mello em 1992. Relembrou ainda que o irmão de Collor nunca sentiu remorso e nem se arrependeu de ter delatado o esquema e nunca voltou atrás de sua decisão. O riso tomou conta da plateia quando Thereza revelou que Pedro também nunca precisou tomar remédio para dormir por conta disso. “A consciência dele era tranquila porque ele fez tudo o que podia”, revelou. 

Quanto à ruptura na família, foi enfática em afirmar que “foi dificílimo, deu uma quebrada geral. (…) Dona Leda (mãe de Pedro e Fernando Collor) já estava muito cansada de tudo o que estava acontecendo e ela mesma achava que o Fernando não estava preparado para ser presidente”, revelou.

E naquele cenário político turbulento a vida sentimental do casal Thereza e Pedro também não ia nada bem. Porém, com o episódio da delação, ele ficou sozinho e ela o acolheu. “Decidi deixar de lado um problema pessoal por um problema que era da nação”, disse, ao acrescentar que tudo aquilo era incerto. “Não sabíamos no que aquilo ia dar porque naquele momento, depois de uma ditadura, um presidente jovem, eleito por voto popular, você jamais imagina que ele vá cair”.

Considerada musa do impeachment, com elogio por todos os lados de suas pernas torneadas e estampar várias capas de revistas da época, Thereza Collor não demonstrou ostentação pelo título. “O país numa situação gravíssima, com um assunto delicado, era uma coisa que não tinha nada a ver. Falaram muito, fiquei lisonjeada, mas foi gratificante ver um artigo que o Luís Fernando Veríssimo publicou no Jornal do Brasil, dizendo que a história do impeachment seria rodapé de página da minha história, porque eu era muito mais do que isso, e ele não me conhecia”, relembrou durante a entrevista.

Pedro Collor morreu precocemente. Mas a ruptura entre os irmãos não teve volta. Thereza relembra que após as denúncias os irmãos não voltaram nunca mais a se falar. “Nem mesmo com a descoberta da doença”.

Viúva e com dois filhos  (Fernando e Victor) para cuidar, Thereza arregaçou as mangas, trabalhou, estudou, viajou e se tornou “uma pessoa humanista”.  Casada há 18 anos com o empresário Gustavo Halbreich, Thereza falou da desigualdade existente no Brasil e sente-se feliz com o acolhimento da população. “Sinto que há um carinho, um respeito muito grande das pessoas. Acho que se deve à postura de toda uma vida”.

Thereza Collor sempre gostou de viajar. Para se ter uma ideia, sua festa de debutante foi substituída por uma viagem ao Irã, Turquia, Egito e Grécia, isso aos 14 anos de idade. “Costumo viajar duas vezes por ano para países como Indonésia, Turcomenistão, Índia, Papua Nova-Guiné e Mongólia”, contou.

E foi pegando carona neste hobby que a apresentadora do Luciana By Night aproveitou para mostrar momentos marcantes da convidada durante viagens pelo mundo afora, inclusive de sua terra, Alagoas. À medida que as fotos eram exibidas, Thereza comentava e colocava  legenda exibindo fotos tiradas nas viagens.

O bate papo foi descontraído e Thereza confirmou que 26 anos após ser considerada “musa do impeachment” ainda é confundida como ex-esposa de Fernando Collor, porém, pelos mais jovens. Ao ser questionada porque continua usando o sobrenome Collor, se limitou a dizer que “é o nome que eu fiquei conhecida. Acho digno continuar com ele”.

Um fato que chamou a atenção e causou estranheza durante a entrevista foi a afirmação de Tereza de que só teria conhecido a avó materna aos 13 anos, devido proibição do pai. Sendo que só foi possível devido sua “ousadia” em descobrir onde ficava a casa da avó e resolver bater a sua porta. 

Luciana Gimenez apresentou ainda algumas frases marcantes que a entrevistada teria falado em entrevista à imprensa. Na dinâmica, ela teria que comentar. Espontânea, admitiu que foi convidada a disputar uma vaga no Senado nas últimas eleições para concorrer com o ex-cunhado Fernando Collor de Mello, mas não aceitou porque não queria mais um embate.

PERSONAGENS DO IMPEACHMENT

FERNANDO COLLOR

Absolvido criminalmente pelo Supremo Tribunal Federal em 1994. Em 2006, foi eleito senador – cargo que ocupa até hoje – representando o estado de Alagoas.

PEDRO COLLOR

Morreu com 42 anos, em 1994, vítima de um câncer cerebral. A mãe, Leda, sofreu um AVC durante o auge da crise e ficou três anos em coma, até morrer, em fevereiro de 1995, dois meses após a morte do filho Pedro.

PC FARIAS

Tesoureiro da campanha que elegeu Fernando Collor presidente, foi condenado por sonegação fiscal, falsidade ideológica e outros crimes. Em 1996, em liberdade condicional, foi achado morto com a namorada – ambos baleados – em circunstâncias misteriosas.

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