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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 970 / 2018

09/05/2018 - 16:06:52

Ctrl C Ctrl V

CLÁUDIO VIEIRA

A princípio pensei em comentar sobre a nossa democracia de partidos. Dirigi-me a consultar Kelsen, Bobbio, Zagrebelsky. Logo desisti, pois a democracia à brasileira não se ajusta bem aos conceitos dos filósofos. Assim, resolvi apenas tratar das minhas próprias convicções sobre os nossos partidos políticos, sejam os grandes ou os pequenos, pois todos me parecem um amálgama de alguma coisa qualquer. A essa conclusão facilmente chega-se à simples leitura das orientações programáticas dos grêmios partidários, via de regra mero exercício de ctrl C e ctrl V, para se usar terminologia desta era cibernética. Copiar e colar é atividade a que se dedicam os instituidores dos partidos. Nada trazem de original aos programas e, pior, são absolutamente infiéis ao que pregam. 

Recentemente li ou ouvi análise interessante sobre a nossa democracia. Comentava o autor da referência que, ante as descobertas da Operação Lava Jato, os inúmeros partidos políticos que povoam o nosso País, todos, ou a grande maioria, têm em suas fileiras investigados, ou indiciados, ou processados, por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, prevaricação e, pasmemos, formação de quadrilha. É comum se ouvir “quadrilha do PT”. “quadrilhão do MDB”, “mensalão do PSDB”, e por aí vai. Há partido que, de uma bancada de 40 e poucos deputados federais, 29 deles estão, de alguma forma na mira da polícia, do MPF e da Justiça. Dizia o analista que, apesar da ansiedade da Nação por políticos honrados, decentes, realmente republicanos, os donos do poder tudo fazem para frustrar esse anseio nacional. Fez ele uma observação curiosa que, realmente, deixou-me com a pulga atrás das orelhas. Considerando que os partidos brasileiros têm casta dominante, os maiores, e os menores têm donos, dificilmente teremos renovação das casas legislativas nas próximas eleições. Explicou que assim seria, porquanto as castas e os donos dos partidos, controladores dos fundos partidários, dificilmente concederão facilidades àqueles candidatos que não escreverem por suas cartilhas. Parece verdadeira a conclusão, pois se os partidos são quadrilhões, nada mais tragicamente natural.

Não podemos, nem devemos, acomodarmo-nos com tal situação. Se realmente pretendermos a mudança na prática política brasileira, cumpre não desistirmos de dar ao nosso voto a natureza para a qual existe: a escolha de representantes de bons quilates. Assim daremos ensejo à verdadeira democracia representativa, porquanto corruptos e quadrilheiros não devem representar a Nação brasileira. 

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