Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 970 / 2018

09/05/2018 - 16:05:37

Só nos resta rezar

Alari Romariz Torres

Lembro–me bem do começo de 1964. Íamos, eu e meu marido, de férias a Penedo. De repente, para o ônibus: um grande grupo de homens e mulheres, armados de facas, foices e facões, pede ajuda aos passageiros. Segundo eles, lutavam por um Brasil melhor, com Jango e Brizola. Momentos de tensão, alguns entraram no ônibus, não agrediram ninguém e foram embora.

No ano passado, 2017, aconteceu outro fato digno de nota. Viajávamos a Recife e, em Japaratinga, nosso carro foi parado e uma longa fila logo se fez atrás de nós. Era o Movimento Sem Terra liderado por uma jovem, de camisa vermelha, celular na mão e cigarro aceso, pedindo ajuda para os companheiros. Demoramos um pouco, dissemos que estávamos sem dinheiro. Ela nos liberou, a contragosto, e prosseguimos.

Abril de 2018: Vínhamos de Porto Alegre para o Recife. Chegando ao Rio, a aeromoça avisa que não poderíamos descer. Pouco depois, pede aos homens que peguem a identidade e nos libera para sair do avião. Quando nos dirigimos à porta de saída estavam dois policiais federais recolhendo e conferindo as identidades. Minha conclusão: alguém suspeito vinha no nosso voo. 

Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal não podem andar livremente pelas ruas. Só com escolta da Polícia Federal. Um foi ameaçado e outro já foi xingado dentro do avião numa viagem a Portugal. Nas redes sociais estouram críticas severas aos integrantes do STF. Umas, até, desrespeitosas.

Os políticos do Brasil inteiro, com raras e honrosas exceções, não se apresentam em público. Vou a restaurantes, shopping center, aeroportos e não encontro os representantes do povo. Em outras épocas, viajei de avião ao lado de Renan Calheiros, pai, conversamos normalmente durante todo o trajeto. Hoje, nem o vejo andando pelas ruas de Maceió.

A internet mostrou a Gleisi Hoffman, senadora e presidente do PT, sendo ofendida e agredida dentro de um avião. Parlamentares federais são vaiados nos aeroportos. No início desta semana, o presidente da República foi ofendido, hostilizado e quase apedrejado no centro de São Paulo, ao tentar se solidarizar com as vítimas de um incêndio de grandes proporções.

Os generais do Exército ficam dando declarações aos jornais e pela internet, mas nada se resolve.

Na minha sublime ignorância, fico pensando: em 1964, as Forças Armadas eram bem aparelhadas, recebiam verbas para manter uma estrutura forte. O governo do PT as desaparelhou e congelou os salários de praças e oficiais.

Os traficantes do Rio de Janeiro são mais bem armados do que nosso Exército. O presidente Temer decretou intervenção federal noeEstado e não libera verbas suficientes. Como manter fora dos quartéis centenas de soldados com armamento antiquado e carência de numerário? Expuseram as Forças Armadas ao ridículo e o povo está ficando impaciente por não ver resultados.

Se nossos soldados não conseguem manter a intervenção num só estado, como poderão intervir no Brasil inteiro? Falta na cúpula das Forças Armadas um homem de coragem que diga: “Não somos crianças para brincar de intervenção. Precisamos de estrutura e verbas para exercer nossa função com dignidade”.

O próprio Lula, no seu primeiro governo, chamou a cúpula das Forças Armadas de “generais sem pólvora” e conseguiu, nos 14 anos do Partido dos Trabalhadores gerindo a nação, desarticular Marinha, Exército e Aeronáutica.

Na opinião da “Velhinha das Alagoas”, não haverá intervenção, nem será eleito um homem ou mulher forte que leve o país à normalidade.

Continuaremos vivendo à deriva, com instituições fracas, vulneráveis, com políticos corruptos, com empresários corroídos pela ganância.

O povo elegerá os mesmos; o sistema eleitoral sujo não mudou. Os fundos partidários manterão os caciques políticos comprando votos e com mandato.

Até quando? Só Deus tem a resposta! E vamos rezar para salvar nosso país, antes que seja tarde demais! 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia