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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 970 / 2018

09/05/2018 - 16:05:13

As cartas estão marcadas

JORGE MORAIS

Recentemente escrevi neste espaço um artigo, com a colaboração do meu amigo Paulo Memória, ex-presidente do PTC em Alagoas, jornalista, cineasta e escritor, sobre a situação do Partido dos Trabalhadores, em especial, do seu líder maior, preso em Curitiba, condenado em segunda instância pela justiça, Luiz Inácio Lula da Silva. Memória cantou a bola quanto ao nome na urna eleitoral pelo PT para a Presidência da República: será o do Lula. Ele garante isso porque os prazos serão favoráveis ao ex-presidente preso.

Muito bem. Esta semana, mais precisamente no Dia do Trabalhador, no programa Cidadania, apresentado pelo radialista França Moura, ouvi o mesmo ponto de vista do Paulo Memória em uma entrevista dada pelo senador Renan Calheiros. Segundo ele, esse chove não molha – o termo é meu – vai se esticar até quando o Tribunal Superior Eleitoral não tiver mais condições de trocar a foto e o nome das urnas eletrônicas. Lembrou, inclusive, os casos registrados em Alagoas, na eleição de Ronaldo Lessa ao governo do Estado, inelegível por decisão final da justiça quatro dias antes do domingo do pleito, sendo substituído pelo médico Jurandir Boia.

Lembrou, também, um caso ocorrido na eleição para prefeito de Maceió. Caso idêntico. Como nessas épocas os candidatos não lideravam as campanhas, os resultados foram os esperados por todos: os substitutos não obtiveram êxito. Não adiantaram fotos e nomes dos candidatos originais. Perderam as eleições assim mesmo. Então, a linha de raciocínio é a mesma para o pleito de outubro próximo, Lula terá sua candidatura registrada, posteriormente tornada inelegível e o PT apresentará outro nome.

Segundo o senador Renan Calheiros, mesmo com o ex-presidente preso a situação deverá ser diferente, pois a liderança em todas as pesquisas de opinião pública – girando em torno de 35 por cento – lhe dará essa condição favorável, até para quem venha lhe substituir no pleito. Renan entende que o quadro não deverá ser modificado. Para ele, se a eleição fosse hoje, Lula ou seu substituto estaria em vantagem em relação a Jair Bolsonaro, que não passa dos 17 por cento. Com a soma dos percentuais dos demais candidatos a presidente, a sobra seria pequena para dividir entre todos.

Não discordo da linha de raciocínio do senador Renan Calheiros, um especialista em eleição, como se diz, raposa velha nos números da política, e que conhece como ninguém a realidade nacional. Acho, apenas, que tudo está nas mãos ou nas cabeças dos julgadores da justiça. Respeitadas as decisões em segunda instância, Lula já está condenado, preso e, acredito, fora do processo, mesmo com os prazos ainda existentes. Além do mais, se o ex-presidente preso for condenado pelos outros processos em que está indiciado, como o do sítio de Atibaia, vai passar muito tempo inelegível, isso sem falar dos esquemas do BNDES e Caixa Econômica Federal que ainda vão pipocar.

Portanto, como leigo nesses assuntos de legislação eleitoral e em questões políticas, continuo achando que muita coisa ainda vai acontecer, principalmente em relação ao Lula. Como quem acha é doido, vamos esperar o que vai acontecer. Agora, PT, se ficar puto é pior.


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