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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 970 / 2018

09/05/2018 - 15:52:18

JORGE OLIVEIRA

Miserável contra miserável

JORGE OLIVEIRA

Brasília - Quando trabalhava no Globo, na década de 1970, fiquei surpreso quando perguntei a um rapaz que acabara de ser preso pelos seguranças da Central do Brasil, depois de roubar uma mulher operária que descia com ele na mesma estação, por que ele estava roubando uma pessoa que não tinha nada, uma pobretona como ele. Na delegacia, depois de preso, a resposta dele foi imediata:

- Porque miserável não gosta de miserável.

Cinquenta anos depois, entendo agora o que aquele rapaz falou depois de assistir à queda do prédio de São Paulo. Os desabrigados, centenas deles, foram unânimes em afirmar a cidadania: “Não queremos albergue, nós pagamos aluguel”. Como?, me perguntei. Aí fiquei sabendo, pelos depoimentos deles, que existe uma milícia paulista por trás da ocupação dos prédios da cidade de São Paulo. Os mafiosos – que vivem às custas dos miseráveis – alugam cortiços e deles tiram proveitos como se fossem uma organização imobiliária.

Que coisa! Já tinha uma ideia de que o Partido dos Trabalhadores tinha sido o responsável pela criação da maior organização criminosa do país. Seus dirigentes e militantes meteram a mão em milhões e milhões de reais. Muitos estão em cana, a exemplo do chefe Lula da Silva. O que nunca imaginei, no entanto, é que os organizadores dos sem teto da cidade de São Paulo, que ocupam dezenas de prédios, fossem donos da maior rede imobiliária do país. Isso mesmo, eles administram aluguéis de centenas de miseráveis e os mantêm como massa de manobra.

Estou horrorizado! Fico sabendo agora que as ocupações dos prédios são uma coisa engendrada, uma coisa moldada à maneira mais selvagem do capital. Um grupo de aproveitadores fantasia-se de defensores dos pobres e oprimidos, mapeia os prédios abandonados e incentiva a ocupação. Vende a ideia de que espaço vazio tem que ser ocupado por gente que não tem teto. A causa é muito boa. E para os incautos, como eu, nobre.

Acontece que a tragédia do prédio da Consolação abriu a cortina da safadeza. Por meio dos depoimentos dos desabrigados, a gente ficou sabendo da milícia que existe por trás da causa dos sem teto. Uma desabrigada, entrevistada, disse como muita clareza: “Não vamos para nenhum albergue, vamos resistir, não somos sem teto, pagamos 400 reais para morar aqui. Eles, quando viram a tragédia, pegaram seus carros na garagem e desapareceram”.

Isso mesmo, os miseráveis que roubam os miseráveis desapareceram. A senhora, que tentava proteger a família, estava indignada, afinal de contas, ele morava em um local onde pagava por ele um aluguel. E se não pagasse o que os milicianos pediam seria despejada impiedosamente. Imagina, um sem teto despejado por falta de pagamento! Agora a gente sabe que esse tal de Boulos e mais um monte de impostores, defensores de milhares de desocupados nordestinos sem esperança, são, na verdade, integrantes de uma máfia que sobrevive sob o manto de um partido político. 

Sabemos agora que boa parte das manifestações que ocorriam no país não era coisa ideológica. Por trás de tudo isso, existe uma organização para fazer dinheiro e financiar a corja, a insurreição. Quando a petezada estava no poder, o dinheiro público era usado para financiar protestos e manifestações de ruas de apoio à organização criminosa. Depois disso, sabe-se agora, gigolôs dos sem teto organizaram uma empresa especializada em ocupar prédios em São Paulo para dar sobrevida à milícia da moradia.

Atraso

Digo – e repito aqui – o PT é mais nocivo ao país do que qualquer regime ditatorial. Em um regime de força, todos nós vamos às ruas brigar pela liberdade e pelos direitos civis. Neste, mascarado de democracia, somos obrigados a conviver com bandidos políticos travestidos de honestos, salvadores da pátria. Que vergonha!

Alarme

Deixa-me sobressaltado quando vejo uma tragédia como essa de São Paulo, onde o poder público sabia de tudo. Sabia, inclusive, da ameaça do desabamento, pois já tinha emitido um laudo em que não acusava nenhum risco ao morador.

Na reta

Depois da tragédia, dificilmente você vai encontrar um responsável por ela. Mas pelo menos a gente sabe agora que os protetores dos miseráveis, na verdade, exploravam os miseráveis cobrando aluguel e oferecendo segurança, como fazem os milicianos cariocas. Ou seja: sabe-se, depois da tragédia, de um comércio que cobra aluguel de prédios públicos e ameaça o invasor de despejo caso não cumpra com as suas obrigações.

Manifestações

A tragédia do prédio também mostra que vivemos em um mundo de farsa política. Tanto faz a pessoa morar em São Paulo ou no Nordeste, a exploração é a mesma. Ela é feita por pessoas inescrupulosas que mantêm gente sob o seu domínio para criar seus currais leitorais. Ou seja: não adiante espernear, o nordestino, miserável da seca, não tem para onde correr. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Candidatos

A vergonha maior é quando se sabe que poder público paulista lavou as mãos para a tragédia antes e depois. O almofadinha do João Doria, que deixou a prefeitura, não quis se contaminar. Nem lá apareceu, porque, certamente, a tragédia iria sujar a sua campanha para governador. Preferiu não sujar as mãos e a consciência debilitada e fraturada pela incapacidade de perceber o óbvio: uma administração incompetente, incolor e refratária.

Farsa

A tragédia de São Paulo mostra que vivemos em um país apodrecido, insensível aos problemas do povão, aquele que não tem moradia, saúde, habitação. E nada se faz para minorar esse sofrimento. Assistimos, passivamente, balas perdidas, violência sexual, acidentes de trânsito, tragédias, massacres, violência, drogas, enfim, um país sem comando e de triste perspectiva. E o que fazemos? Nada. É lamentável.

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