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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 969 / 2018

02/05/2018 - 15:57:54

SAÚDE MENTAL

Suicídio e vida 

contemporânea

Em 2017 a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu aos países membros que realizassem ações no sentido de se falar sobre depressão. O tema foi: Depresion: let’s talk –  Vamos falar sobre depressão?

De acordo com estimativa da OMS, em 2020, o fator que mais contribuirá para ausência do local de trabalho será a depressão, que afeta cerca de 5% da população mundial e que, segudo as pesquisas recentes, no Brasil fica em torno de 9%. O que está acontecendo com a população?

Acredito que a situação de crises a que o país está submetido, ou seja, financeira, moral, política, tenha contribuído para que esse índice seja maior do que em outros países.

Instabilidade é a palavra que mais os brasileiros estão escutando. Seja econômica, jurídica, moral, além de inversão de valores: o certo é o errado e o errado é o certo. E o que isso representa na psique das pessoas e principalmente dos adolescentes?

Instabilidade (mudanças constantes) no trabalho, no casamento, no namoro, nas relações com amigos e colegas. Tudo isso pode contribuir, se a pessoa não tiver uma estabilidade emocional (que é adquirida, principalmente nos primeiros sete anos de vida, através da família, principalmente pai e mãe), para o surgimento de transtornos a exemplo de ansiedade, depressão e o crescente casos de suicídio que estão ocorrendo em todo o país, principalmente entre jovens entre 15 a 25 anos.

Além disso, somos bombardeados pela mídia, todos os instantes, sobre casos extremos de comportamentos/situações: uma pessoa furta um objeto de valor pequeno e vai presa, enquanto uma “autoridade” furta milhões de reais e fica solta. O que representa isso na visualização das pessoas sobre os comportamentos, sobre ética?

Como se tudo isso não bastasse, a insensibilidade humana está presente no dia a dia. E é instigada pela mídia. Um exemplo claro são as “pegadinhas do Faustão”, entre outros programas televisivos. Será que é engraçado cair e talvez fraturar um braço, uma perna? É engraçado compartilhar vídeos em que pessoas brigam e ninguém sabe o porquê? Colocar nas redes sociais que determinada pessoa deveria morrer, principalmente aquela que tem uma opinião diferente da dele?

Assim, é necessário e urgente que haja políticas públicas nos três níveis de governo: municipal, estadual e fede-ral no sentido de realizar ações e acolher, quando for necessário, dezenas, centenas e até milhares de pessoas que, por alguma razão, estejam passando por processo de sofrimento psíquico para que possa ser amenizado.

A cada ano este número aumenta, devido, a meu ver, às diversas instabilidades que o cotidiano impõe às pessoas, e nada melhor do que ações, nos três níveis de governo, que sejam executadas preservando a integridade psíquica das pessoas para que elas possam ter uma vida mais feliz.

Depressão e a estatística

De acordo com a OMS, 5% da população tem depressão (no Brasil é 9%). Um homem para cada duas mulheres e destas 46% a 57% na fase da menopausa. Dos que não procuram tratamento entre 10% a 15% praticam o suicídio.

Depressão e a estatística II

A população do Rio Grande do Sul é a que mais pratica o suicídio. 

Entre 10%  a 15% das pessoas que sofrem com o transtorno esquizofrênico comentem o suicídio. Embora seja necessária a medicação (talvez por algum tempo), é fundamental que a pessoa seja tratada por um psicoterapeuta.

Suicídio e sintomas

São inúmeros os sinais ou sintomas que a pessoa apresenta de que ela pode praticar o suicídio, dentre elas, expor sentimento de desesperança, desamparo, desespero e depressão.

Suicídio e sintomas II

Muitas vezes a pessoa até brinca: “Vou me matar”; “Não vale mais viver”; “Querer sumir”; “Estou dando trabalho às pessoas; “Não valho nada”; “É melhor acabar com tudo”.  Essas frases frequentes podem ser sinais de que a pessoa esteja sofrendo um processo depressivo e queira praticar o suicídio.

Suicídio e sintomas III

Existem até formas (conscientes e inconscientes) de demostrar o sofrimento psíquico. Por exemplo, comer sal, sabendo que é hipertenso; comer açúcar, sabendo que é diabético;  “praticar” muitas colisões com o carro em pouco tempo, ou seja, uma, duas ou três vezes por mês podem ser sinais de tentativa de suicídio, consciente ou não.

Nível de comportamento

As pessoas que apresentam os sintomas de depressão e que podem praticar o suicídio têm níveis para praticar o ato. Num primeiro momento falam que vão cometer o suicídio, que é o nível 1. Às vezes a pessoa até brinca dizendo que vai praticar o suicídio – “Vou sumir”. Neste caso se a fala for frequente pode ser um sinal de que, realmente, ela pode praticar. Caso isso ocorra é bom um amigo ou parente convencer a pessoa a procurar ajuda de um psicólogo.

Nível de comportamento II

Num segundo momento a pessoa pode planejar o suicídio. Portanto, é bom os familiares ficarem atentos se a pessoa está adquirindo algum equipamento tipo corda, tomando medicamento sem prescrição médica e até revólver. O terceiro nível é quando a pessoa, realmente, pratica o ato.

Suicídio e os fatores

Não existe uma causa específica que indique a principal causa para uma pessoa praticar o suicídio. São vários fatores, e um dos mais importantes é o meio ambiente, seja familiar ou social – estressante, conflituoso, conturbado. Também tem o aspecto fisiológico (um tumor no cérebro – dependendo do local - pode desencadear sintomas e comportamentos depressivos e até levar a pessoa a cometer o suicídio), genético, ou seja, se houve casos de suicídios na família, pais, avós, tios; é possível que outra pessoa  da família possa apresentar sintoma depressivo e também comeer o suicídio. Lembrando que psicologia não é matemática.

40 segundos

De acordo com os dados da OMS, a cada 40 segundos uma pessoa pratica suicídio no mundo. São cerca de 3 mil suicídios por dia. Quase um milhão por ano. No Brasil são cerca de 30 por dia.

Mitos de verdades

O primeiro mito é de que a pessoa quer morrer. Não é verdade. Ela quer acabar com o sofrimento e não morrer; que a pessoa não avisa. Avisa sim. Cerca de 80% das pessoas que cometeram o suicídio, de alguma forma falaram que iriam praticar o ato. A pessoa não deve ser considerada covarde e muito menos herói.

Acolher

Para quem tentou o suicídio.

Muitas vezes uma pessoa quer, sim, demostrar o sofrimento mas tem medo de ser mal interpretada, de ser rotulada de fraca, enfim. Aí tenta o suicídio para chamar atenção. A pessoa utiliza formas amenas.

Acolher II

Mesmo que a família perceba que a pessoa queira ou tenha manipulado as pessoas (por esse comportamento já precisa de tratamento psicoterápico) é preciso que ela seja acolhida. Isso levanta a autoestima dela. O mais importante: sem julgamento.

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