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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 969 / 2018

02/05/2018 - 15:57:11

Controle de natalidade

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

Tema extremamente delicado, dentre outros, mesmo justificando não serem adeptos de nenhuma ideologia, foi o que Steven Levitt, ganhador do prêmio bienal de melhor economista de menos de quarenta anos dos EUA em 2003 e Stephen Dubner, jornalista e escritor, trataram em seu livro Freaknomics (Elsevier/Campus): vincular a queda da criminalidade na América do Norte, entre os anos 1990 e 2000, à legalização do aborto. 

Autointitulando-se politicamente incorreto e criando o vocábulo do título, que nada mais é que o termo “freak” - exótico, fora do comum, em inglês – Steven é um economista nada ortodoxo. Não se liga a índices de bolsas, de inflação e tais. Daí enveredar por caminhos outros. Procurar respostas que não reflitam o lugar comum. Mostra que a diminuição da criminalidade nos EUA foi motivada pela rejeição de jovens americanas em gerar filhos indesejados. Pobres, negras, viciadas em droga e álcool sabiam que nada podiam proporcionar aos rebentos. 

Emblemático o processo na Suprema Corte em 1973, entre a jovem Roe, falecida em 2017, e o promotor Wade, que motivou a adoção oficial do aborto naquele país, evitando o nascimento de crianças que, sem afeto e lar, seriam levadas certamente à criminalidade. Quando a estatística indicava que tal queda coincidia apenas com a política de tolerância zero em NY, Steven mostrou que o declínio não fora só naquela cidade, mas em todo o país. Aqueles indesejados que não nasceram nos idos de 1973 seriam os pretensos cometedores de crimes nos anos 1990. Não foi fácil sustentar tal tese. A nova edição veio com farto material publicado na imprensa e pela net, discutindo e criticando, o que revela exatamente aquilo a que se propôs o livro.

Olhando para a realidade brasileira, mães abandonando filhos recém-nascidos, não diferenciam seus propósitos daquelas outras americanas. São mulheres sem perspectiva de vida para elas, quiçá para seus rebentos. Assim como lá, na época, o custo do aborto dentro de processos hospitalares clandestinos é caro entre nós, motivando o apelo as meizinhas e outras drogas que muitas vezes resultam em fetos deformados ou prematuros que são descartados sem testemunhas. As notícias de crianças abandonadas em circunstâncias diversas só atestam a necessidade urgente das autoridades focarem suas ações para os imensos bolsões de pobreza, onde impera a promiscuidade aliada à droga, gerando uma progressão geométrica de seres que sempre irão viver à margem da sociedade e à disposição do crime organizado. Serão, sem dúvida, novos marginais, com desvios de conduta os mais diversos. Haja vista a situação atual do Rio de Janeiro. Mas não é caso de polícia nem de legalização do aborto e sim de políticas sociais e educacionais sérias, dando ênfase ao controle de natalidade por meios lícitos, paralelo à extinção da miséria extrema.

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