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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 969 / 2018

02/05/2018 - 15:56:47

Supremo deboche

ELIAS FRAGOSO

Bem que o ínclito senador Romero Jucá disse: é preciso estancar a sangria...com Supremo e tudo... custe o que custar”. E pelo visto isso está acontecendo! A segundona (aquela turma do STJ que liberou geral e vem fazendo de tudo para soltar o chefe do bando que quebrou este país) está conseguindo abrir caminho na marra para isso. Defensores da Constituição tomam posição na defesa da liberdade de condenados do colarinho branco já condenados em segunda instância, de recorrer, recorrer, recorrer... E o Brasil todo sabe como isso acaba. Em impunidade. Advogados podem defender chicanas em prol dos seus representados (não deviam). O Supremo, não (lembram do ministro Barbosa acusando o ministro Lewandowski de chicaneiro no já distante processo do mensalão. Pois é.…). Neste caso em especial, o ministro Toffoli (que acabou de liberar o ex-senador Demóstenes Torres - sim, aquele mesmo que estava condenado com a perda dos direitos políticos até 2027 e que fazia parte do bando do bicheiro Cachoeira e que, no plenário do Senado posava de arauto da defesa da lei e da ordem -  para ser candidato este ano) deu, como se diz no popular, uma de “Joaozinho sem braços” ao afirmar a “pérola” de que as “investigações ainda estão em fase embrionária” referindo-se ao caso do sitio de Atibaia pertencente a Lula.

 A colunista Miriam Leitão fez a correta indagação: seria “o começo de algo muito maior que levaria os processos do Lula para longe de Curitiba?” E ela continua: “É preciso estar em Marte nos últimos anos para desconhecer que as empreiteiras corruptas trabalhavam com um caixa geral de propina” e continuamos, estão lá nos autos (e em todo o Brasil via TV) o depoimento do Sr. Emilio Odebrecht afirmando e reafirmando que o sitio era do Lula e que a reforma foi feita com grana de propina. Alguém precisa informar urgente o ministro sobre isso...

Utilizando-se do formalismo jurídico, parte dos membros da segunda turma do Supremo forçam a mão para retirar partes substantivas dos depoimentos da Odebrecht no processo do juiz Moro (mas o feito é tão rico em provas que somente anulando-o ou enviando-o para um “juiz amigo” livraria o chefe do bando de outra condenação).

A soltura do chefe de bando petista irá imbricar na soltura dos demais bandidos do colarinho branco estejam eles travestidos de políticos, empresários ou assessores e, na não prisão dos muitos que ainda estão soltos por aí ameaçando pessoas ou como acabou de dizer o senador Ciro Nogueira do PP (vocês ainda irão ouvir falar bastante deste partido e desta figura) após batida em sua casa e no escritório dele no Senado, quando seu advogado lhe informou preocupado sobre o fato: “Fique tranquilo”. Como disse Carlos Alberto Sardenberg “isso já não é mais ridículo. É gozação com a gente”. (Ah, a tempo: a visita levou à apreensão na casa do senador de “apenas” 200 mil reais. Deve ser o dinheiro reservado para pagar o pão e o leite dos “meninos”).

Essas pessoas todas não têm limites. São parte da elite dirigente deste país. A mesma que promove há muito tempo a política de terra arrasada que infelicita o povo desta espoliada Nação. Não serão eles que irão se incriminar. Muito ao contrário. Irão se auto proteger. É preciso aumentar o cordão sanitário em torno dos “juízes Moros” deste país (e eles existem, são poucos, é verdade, mas estão aí fazendo seus trabalhos). É preciso defender a Lava Jato. É preciso limpar a casa, continuar a combater as ratazanas. Por que, como disse Monteiro Lobato, “quem tem força, abusa”.

E não esqueçamos: a próxima eleição é uma excelente oportunidade de higienizar o ambiente político não votando em figuras carimbadas com rótulos pouco dignificantes.

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