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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 969 / 2018

02/05/2018 - 15:54:48

As armadilhas do poder

Eduardo Tavares

Às vezes me pego pensando sobre alguns assuntos tão importantes para a humanidade, mas tão insignificantes diante do mistério universal, da fragilidade do ser e de sua efêmera passagem pela Terra. 

Tenho feito reflexões sobre a necessidade que algumas pessoas têm de deter o “poder” a qualquer preço. Elas adoram, acima de tudo, a possibilidade de mandar, e até de decidir o destino dos outros, como se fossem uma divindade.  E o que é pior, poucas fazem uso do poder para melhorar a vida dos que mais necessitam. Poucos “donos do poder” estão preocupados com o bem comum. 

O poder, pois, revela os fracos de espírito. É claro que existem homens de bem em todos os setores da vida. E o mundo só vale a pena por essa razão.

À frente da televisão passo a ouvir ocorrências lastimáveis. Lembro-me que, certa feita, visitava uma empresa da Odebrecht e me fazia acompanhar de alguns colegas do MP.  Pois bem, o “grupo” era um império, e o objetivo da visita era assistir à demonstração de um “projeto social” a ser desenvolvido em nossa capital (empresário corrupto e ladrão gosta de projeto social). A empresa era tão grande e forte que estava espalhada pelo mundo inteiro, ou melhor, os seus tentáculos estavam em dezenas de países. Pensava: quem será o dono desse Império? 

Hoje, gente, esse empresário se encontra encarcerado por conta do seu envolvimento com a Lava Jato.  Indago: do que adiantou tanta corrupção, tanta riqueza adquirida de forma espúria? Que legado à posteridade deixará esse, outrora, semideus?

Outro dia assisti a queda do Maluf. Prefeito, governador, quase presidente da República, disputado por todos. Sentava ao piano e, após exibição de seus acordes, os afagos dos puxa-sacos. De que lhe serviu tanta ambição? Humilhado por estar fora do poder, humilhado por estar condenado e senil, como não estará se sentindo esse moribundo? É como se diz: “pra que chutar cachorro morto, não é?” Passamos até a sentir pena desses personagens da vida real.

Há quem admire o “coronel” moderno, o que “rouba mas faz”, o que  oferece “proteção” à vida e, com migalhas, “mata” a fome dos que vivem na miséria.

Ainda são muitos os “tiranos” entre nós, imprimindo terror. Mas, vale lembrar, quando a justiça falha, a natureza repara, pois, como diz o brocardo latino: mors omnia solvit, ou seja: a morte tudo apaga, no sentido lato da expressão. Todos os bens amealhados ficam na Terra e, não raras vezes, o exemplo e o legado deixados pelo “de cujus” só denigrem os seus familiares. 

Sim, porque se tem uma coisa certa na vida é a assertiva de que o amigo, em regra, é do poder e não do homem. No poder, o cerco dos bajuladores. Fora dele, o ostracismo.

Por isso, desde cedo, aprendi que o que vale a pena nessa vida são as coisas simples, o bom convívio, o poder andar com a cabeça erguida, admirar a natureza, sair com os poucos, mas verdadeiros amigos e tudo mais! 

Digo isso com a experiência de quem já exerceu os mais variados cargos públicos sem nunca ter perdido a humildade, a esperança e a fé.

Sou um otimista, e o otimismo é a fé em ação. Vamos depurar o Brasil! Vamos livrar o País dessas mazelas que tanto nos afetam! Iguais a esses dois exemplos, existem milhares.

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