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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 969 / 2018

02/05/2018 - 15:49:52

Eletrocutaram a Ceal, um dos nossos orgulhos

JOSÉ ARNALDO LISBOA

Meus pais, Manoel e Lysette, não eram ricos, mas em nosso sobrado nunca faltou alimentos para os 7 filhos, brinquedos, roupas e as coisas mais necessárias. Papai era um comerciante batalhador, dono de pequenos imóveis rurais e, mamãe, uma professora e dona de casa exemplar. Eu estudei o primário em Mata Grande no Grupo Demócrito Gracindo, o Curso Ginasial em Penedo, Palmeira dos Índios e Aracaju e todo o Científico no Colégio Guido de Fontgalland. Já estava cursando Engenharia Civil e no 5ºano, arranjei um estágio na recém-criada empresa, a Ceal-Companhia Energética de Alagoas. O Dr. Benedito Bentes era o seu presidente e o Dr. Lenine Melo Mota seu superintendente. 

Como eu estudava Engenharia Civil, fiquei responsável pela construção da primeira cidade a ser eletrificada em Alagoas, a cidade de Cajueiro. Na época, a Ceal só possuía um engenheiro eletricista que era o Dr. Lenine e dois estagiários, eu e o colega Adalberto Câmara, já falecido. No dia da inauguração, com tantas autoridades presentes, eu me senti tão realizado profissionalmente que bebi muito whisky, a ponto de o governador ter mandado me levar para casa. Afinal de contas, estava sendo o meu primeiro trabalho profissional. A diretoria da Ceal me deu o anel de engenheiro,como presente de formatura e, já formado, o governador mandou que eu fosse nomeado para o DER-AL, onde me aposentei. 

Na Ceal, eu e o colega Adalberto Câmara fomos os pioneiros e, depois chegaram os engenheiros Marcelo Guimarães, formado na Alemanha, os engenheiros Itamar Barros, Nourival Fireman, Carlos Esteves, Rogério Alcides, Marcos Cotrim, etc, etc.  A Ceal formou uma equipe com excelentes profissionais, eletrificando todas as cidades e povoados de Alagoas. Os trabalhos da Ceal sempre foram destaques da engenharia e nós nunca precisamos importar engenheiros, técnicos, topógrafos eletricistas ou outros servidores, pois sempre tivemos servidores abnegados e capazes. 

Quando a Ceal começou a mostrar serviços com muita eficiência, os governadores começaram a atender a todos os pedidos políticos, colocando pessoas sem nenhum preparo técnico ou administrativo. Nós alagoanos, que tínhamos orgulho da Ceal, o que vimos foi uma empresa incompetente e sem condições de atender ao povo. A Ceal faliu, a ponto de não ter condições de assumir seus compromissos técnicos, administrativos e pecuniários. Os alagoanos que antes tinham orgulho da empresa, fomos obrigados importar mão-de-obra de outros estados e se transformar em Eletrobras. 

O pior para os alagoanos foi ver a sua querida Ceal ser eletrocutada, já que a política e a corrupção acabaram com um dos orgulhos alagoanos. Agora, o governo do Sr. Temer vai entregar aos particulares e estrangeiros as companhias de eletricidade, como a Chesf, os aeroportos e as rodovias. O pior é que a corrupção está acabando com os nossos patrimônios. 

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