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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 969 / 2018

26/04/2018 - 18:03:53

Ildo Rafael: um representante das “famílias cristãs”

Para o pastor, está na hora de caciques de Alagoas saírem do poder

José Fernando Martins [email protected]
Pastor e radialista Ildo Rafael

Tentando concorrer pela segunda vez ao Senado Federal, o pastor e radialista Ildo Rafael se intitula representante das “famílias cristãs” dentro do projeto do seu partido, o PSB. Assim, como outros representantes evangélicos, tem por missão, se eleito, defender o modelo patriarcal da família brasileira, barrando projetos, como, da ideologia de gênero. Em entrevista ao EXTRA, o pré-candidato relembrou sua primeira candidatura, em 2002, onde ganhou 100 mil votos do eleitorado alagoano. 

Segundo o pastor, seu nome foi pleiteado no partido diante dos demais políticos que surgiam como possíveis candidatos. “Estou com 5% na última pesquisa realizada, isso sem ter adesivo ou dando entrevista, como outros estão fazendo”, destacou. Quando questionado sobre os atuais senadores e deputados federais alagoanos, Ildo foi bastante polêmico em suas declarações afirmando “que o atual grupo, assim como acontece em outros estados, se coloca como os benfeitores da humanidade”.

“Não é trabalho de um parlamentar justificar as verbas que consegue para o Estado, mas vejo uma ausência na criação de projetos que venham contribuir para a família brasileira. Pelo contrário, vejo a perpetuação do poder. Políticos com mais de quarenta anos de parlamento, se orgulhando disso e dizendo que será substituído pelo filho, sobrinho ou neto. E Alagoas não foge dessa regra”. Ildo ainda expôs que a sua condição de ser pastor não interferiria no seu futuro mandato. 

“A religião tem o papel de fiscalizador, como qualquer outra instituição. Em países de primeiro mundo, políticos que são descobertos com relações extraconjugais perdem seu mandato. Veja o Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos. Iria perder por ter tido um caso com uma secretária no passado. Já no Brasil é diferente”. E continuou: “a religião não pode andar de mãos dadas com a política, primeiro devido aos nossos políticos, que são os mais corruptos do mundo. A religião seja ela qual for deve cobrar posicionamentos corretos de seus representantes”.

O futuro candidato já tem um objetivo, caso seja eleito, de tentar destinar recursos para o desenvolvimento do Estado. “Uma necessidade que vejo é um aproveitamento de determinados lugares, como as lagoas Mundaú e Manguaba, que no seu passado, produziam frutos do mar e peixes. Hoje não são nem 10% do que eram. Então, viabilizar recursos para desassorear a região, trazendo novamente renda, emprego e alimento”.

Devido ao exercício de pastor, Ildo tem contato direto com as pessoas e, consequentemente com eleitores. Segundo ele, a maior reclamação do alagoano é sobre os escândalos de corrupção. “Um povo honesto gera políticos honestos, mas nós temos exemplos de pequenas corrupções no dia a dia, como aquele que fura fila, corta o sinal vermelho. É desse meio que nascem os nossos representantes”.

Ildo já sabe a maior dificuldade que irá enfrentar durante campanha ao Senado: a desigualdade com os atuais senadores Renan Calheiros e Benedito de Lira. “Eles possuem mandato e estão 24 horas na mídia, fazendo inaugurações, espaço dado aos partidos. E nós que somos pré-candidatos não temos”. Ainda desabafou: “O caixa dois vai continuar existindo, mesmo com a fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral”.

“Os políticos nos enganam. No período eleitoral levantam a bandeira da reforma política, mas eles não têm interesse nisso. Criam emendas para se beneficiarem. Tivemos o exemplo da prisão do Lula. Cinco ministros do Supremo votaram contra e cinco a favor. Que Legislação é essa? Onde está tudo dividido. É brincar com o povo. O estudante de Direito se posiciona como? As nossas leis são uma colcha de retalhos que ninguém entende”, finalizou.

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