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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 968 / 2018

24/04/2018 - 22:57:57

Para quê imprensa livre

CLÁUDIO VIEIRA

Diz-se que a máscara sempre cai na hora do aperto. O adágio parece ser isso verdadeiro. Ao menos os fatos políticos recentes apontam para tal. Quem viu e ouviu o ex-presidente Lula discursar em cima de carro de som, durante o culto ecumênico em homenagem à sua falecida mulher, a ex-primeira dama Marisa Letícia, se tinha alguma dúvida sobre o mascaramento do orador, não deve ter mais. Prega ele a igualdade entre os homens, mas se considera acima de qualquer mortal. Aliás, segundo suas considerações, ele existe apenas como ideia, e como tal naturalmente é impunível. Apresenta-se como um patriota, mas insufla a horda de baderneiros do seu entorno para a perturbação social: queimar pneus nas estradas, invadir propriedades, pintar e bordar, como diria a minha neta, inclusive depredar (empastelar) empresas de jornais, revistas e emissoras de televisão, aquelas que o criticam. Já aí deveria responder a outro processo penal. Como também se diz popularmente, “quem muito fala pouco pensa”, o Lula “guerra e ódio” é exatamente igual. E foi assim que em sua etílica empolgação agrediu a imprensa. Apesar de declarar-se o maior democrata do mundo, controlar a mídia está bem dentro dos seus planos, pois a agência reguladora que propõe é, sem dúvidas, destinada a isso.

Não ignoremos que países democráticos têm seus meios de controle, mas, ou não é obrigatório aos veículos de notícias filiarem-se ao órgão controlador, como no Reino Unido, ou não é admitido controle de conteúdo, como por exemplo nos Estados Unidos. Controle de conteúdo é exatamente o que Lula e sua camarilha querem, como ficou bem claro nas suas ameaças aos órgãos de comunicação. A bem da verdade, os arroubos ditatoriais do ex-presidente, que já estavam implícitos no seu apoio e defesa de ditadores sul-americanos e d’alhures, não são exclusivos seus. Outros dos nossos políticos trazem em si esse vírus, só que menos expostos, expressos disfarçadamente em reformas da Constituição, com a redução de direitos individuais que afirmam excessivos, incluídos pelo constituinte tão só para saciar o desejo nacional de liberdade após o período autoritário. 

A livre, mas responsável mídia, é um dos baluartes mais caros dos países realmente democráticos. É pela mídia que o povo toma conhecimento dos emaranhados do poder, sendo sumamente instrutivo nessa questão o jornalismo crítico. A importância que tem isso é óbvia: é conhecendo os meandros do poder, a atuação dos governantes, as ocorrências diárias da política que a Nação forma a sua opinião sobre aqueles que elegeu para representá-la. Ter receio disso é desservir ao povo. Em certa quadra da minha vida, muitas foram as críticas que recebi da mídia nacional, muitas veementes e absolutamente injustas e desarrazoadas. Jamais adotei alguma medida judicial contra qualquer dos veículos noticiosos, simplesmente por acreditar naquele pensamento de Voltaire: “Posso discordar de todas as suas palavras, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”. Essa é a minha Democracia, não a do Lula e dos seus seguidores. 

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