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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 967 / 2018

17/04/2018 - 21:12:35

Jornalistas lutam para evitar calote

Ex-funcionários do O Jornal tiveram que provar que trabalharam para João Lyra

José Fernando Martins [email protected]

Foram dez anos de dedicação a uma empresa que acabou em uma batalha judicial. É o caso da jornalista Mônica Lima, uma das ex-funcionárias do extinto O Jornal, periódico de propriedade do usineiro falido João Lyra. Ela e mais de 20 outros companheiros de imprensa foram pegos de surpresa quando se viram na incumbência de ter que provar à Justiça que a empresa fazia parte do Grupo JL. 

Evidências como o prédio do jornal estar localizado no jardim da mansão de João Lyra ou, até mesmo, o uso do meio de comunicação para divulgação dos trabalhos da filha do ex-deputado federal, Lourdinha Lyra, quando vice-prefeita de Maceió, pareciam não ser suficientes. Porém, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT 19ª Região) já considerou O Jornal como um bem de João Lyra, mesmo estando em nome de terceiros. 

Mas para a conquista ser completa, ainda é necessário o aval dos juízes da Massa Falida da Laginha – que reúne as antigas empresas do Grupo JL –  Leandro de Castro Folly, Marcella Waleska Costa Pontes, Phillippe Melo Alcântara e José Eduardo Nobre Carlos. “Fomos orientados a procurar os magistrados para incluírem nosso nome na lista de credores da massa falida”, contou a jornalista. 

Flávia Batista, 44, passou o mesmo contragosto que Mônica. “Fui demitida semanas antes de O Jornal fechar. Recebi os salários atrasados, mas não as verbas rescisórias. Entrei com um processo e em 2013 e conseguimos acordo. Da minha ação que valia mais de R$ 30 mil, fechamos um acordo de R$ 10 mil, que seriam pagos em 5 parcelas. Nunca vi a cor do dinheiro”. 

Atualmente, a administração judicial da Laginha está nas mãos de José Luiz Lindoso, da empresa Lindoso & Araújo Consultoria Empresarial Ltda. Questionado sobre o pagamento dos funcionários do O Jornal, ele explicou que “se os créditos trabalhistas forem objeto de certidões expedidas pela Justiça do Trabalho enviadas à massa falida, ou se já faziam parte da lista publicada por edital em 2014, estas estarão ou estão incorporadas à lista consolidada”. 

E continuou: “A base do nosso trabalho é a lista publicada por edital em 2014, e a esta lista serão incorporados todos os pedidos de habilitação corretamente instruídos”. 

Para o EXTRA, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), Izaias Barbosa, destacou que é intensa a luta para inclusão dos jornalistas como credores da Laginha.

“A Justiça chegou a dizer que O Jornal não pertencia a João Lyra. Mas Alagoas sabia a verdade. Tanto é que o periódico se declarava na imprensa com o slogan ‘Grupo João Lyra’. Nós iremos agora a Coruripe, onde o processo da massa falida tramita, para agilizar a orientação do TRT, no mês passado, de inserir os jornalistas da lista de pagamento”, destacou. 

Até mesmo funcionários das usinas de João Lyra, que estão cadastrados na lista de credores, temem em não receber nenhum dinheiro. Também no mês passado, cerca de 300 ex-funcionários da massa falida do Grupo JL realizaram um protesto na frente do Tribunal de Justiça, reivindicando o pagamento dos direitos trabalhistas, que estão pendentes desde 2012. Segundo o TJ, a lista atualizada dos credores sairá ainda neste mês. 

Reforma agrária

O diretor-presidente do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral), Jaime Silva, recebeu trabalhadores rurais, na segunda-feira, 9, que fizeram uma mobilização pelas ruas de Maceió em prol da reforma agrária.

Participaram da reunião lideranças do Movimento Terra Livre, Movimento Unidos pela Terra (MUPT), Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Terra Livre, Trabalho e Liberdade (MTL).

A comissão cobrou agilidade no processo de desapropriação de terras e na negociação com os administradores da Massa Falida do Grupo João Lyra para assentar famílias nas terras da Usina Laginha; além de vistorias em imóveis indicados pelos movimentos; reparos nas estradas de acesso para os assentamentos; solicitação de lonas; apoio para a realização de feiras agrárias e implementos agrícolas; entre outros. 

Guaxuma

Enquanto credores ficam sem receber, a massa falida produz dinheiro. Os juízes que atuam no processo de falência autorizaram, na sexta-feira passada (6), o arrendamento da Usina Guaxuma pela Usina Coruripe e pela Impacto Energia. Com isso, a Guaxuma, que está com suas atividades paradas, voltará a funcionar. A Coruripe e a Impacto Energia atuarão de forma conjunta por 11 anos, prazo definido para o arrendamento. 

Segundo o administrador judicial, das três usinas que compõem a Massa Falida da Laginha em Alagoas, a Guaxuma, localizada em Coruripe, é a mais produtiva, tanto por ser capaz de produzir açúcar e álcool, quanto pela capacidade instalada de moagem, que é de 1.800.000 toneladas por safra.

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