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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 967 / 2018

17/04/2018 - 21:11:31

SAÚDE MENTAL

SAP e o inconsciente

Síndrome de Alienação Parental (SAP) é o termo designado pelo psiquiatra norte americano Richard Gardner (1985) para a situação em que a mãe ou o pai “treina” ou induz uma criança ou adolescente para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor.

Enquanto não se instalou a síndrome, é possível reverter a situação, através de psicoterapia e o restabelecimento das relações com o(a) genitor(a) prejudicado(a).

A Alienação Parental (AP) é o ato de induzir a criança a rejeitar o pai/mãe-alvo (com esquivas, mensagens difamatórias, até o ódio ou acusações de abuso sexual).

A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é o conjunto de sintomas que a criança/adolescente pode vir a apresentar decorrente dos atos de Alienação Parental. .

O termo alienação significa tornar o outro fora de si, ou seja, sem consciência e Síndrome é um conjunto de sinais e comportamentos adquiridos com a alienação.

Muitas vezes a Alienação Parental ocorre inconscientemente.   

SAP  e a lei

O Brasil criou a lei - 12.318 – com o intuito de preservar a integridade física e psicológica da criança e do adolescente, que pode ser detectado, através de laudos psicológicos (entrevistas: pai, mãe e criança – e aplicação de testes psicológicos), que está havendo a alienação parental. A decisão judicial poderá, na prática, abortar seu desenvolvimento impedindo que a Síndrome da Alienação Parental se instale.

No artigo 2º da  Lei 12.318, de 26 de agosto de 2010 (que determina o que é a SAP) expressa: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescentepromovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos  com este.”

SAP e o cuidar

No mundo contemporâneo, em que os pais, depois de separados judicialmente podem até atingir a integridade moral do ex-cônjuge, no desenrolar dos desentendimentos entre o casal, pode surgir diversos sentimentos entre eles. Alguns podem ser raiva e vingança, e o(a) filho(a) pode ser a “ferramenta” para atingir o ex-cônjuge.

A síndrome está associada à situação de ruptura da vida conjugal, quando ocorre, principalmente, vingança de um deles. 

SAP e o trabalho dos pais

A cuidadora ou a mãe, faz algum tempo, deixou de ficar em casa  para fazer as tarefas domésticas e agora trabalha para melhorar as condições de vida da família. Isso pode ter provocado ao homem a participar mais intensamente das tarefas domésticas e assumir, também, o cuidado da prole.

Numa separação, muitas vezes, agora, o pai reivindica a guarda do(a) filho(a). Essa situação é irreversível, mas esta havendo uma série de comportamentos que estão prejudicando a vida familiar, principalmente os filhos. 

A mãe (geralmente é a mãe, mas pode ser o pai ou quem esteja com a guarda da criança/adolescente) não elabora, adequadamente, a situação do luto da separação, e pode apresentar sentimentos e comportamentos de vingança (consciente ou inconscientemente) devido a separação judicial.

SAP e a  manipulação

Uma vez caracterizada a SAP, o juiz tem que tomar uma decisão se a criança está sendo induzida ou manipulada e isso pode ser contra o pai, mãe ou quem esteja com a guarda.

SAP: a  quem prejudica?

Principalmente o(a) filho(a) que está entre um conflito entre os pais. O adolescente se torna alvo de disputa dos pais e isso é extremamente prejudicial para a saúde mental, não só do adolescente mas também para os pais envolvido na situação.

SAP: como ocorre?

Um dos cônjuges não comunica os fatos importantes da vida do(a) filho(a), ou seja, sobre a escola, doença, comemorações (aniversário).

Pode ocorrer também um controle excessivo dos horários de visita. E isso cria constrangimentos na criança ou adolescente. Cria-se empecilho ou atividades no dia da visita, tornando-a desinteressante para que não haja harmonia entre a criança ou o adolescente  com o   pai ou a mãe (quem esta sendo prejudicado).

SAP: como ocorre? II

A mãe (pode ser o pai, também) relembra fatos desagradáveis com o outro genitor na frente do(a) filho(a). 

Obriga o(a) filho(a) a tomar uma decisão que conflita a situação do ex-cônjuge.

Por exemplo, a mãe vai viajar e diz que precisa da companhia do filho no período da  viagem. 

Transforma o(a) filho(a) em espião(ã) do ex-cônjuge.  Por exemplo, se o pai está tendo outro relacionamento e ai pede para o(a) filho(a) dizer o que está acontecendo entre o casal.

SAP: como ocorre? III

Insinua ao(a) filho(a) que o ex-cônjuge é uma pessoa perigosa, agressiva, doente, enfim.  Emite falsas acusações até de que o pai abusou sexualmente da filha; que ele usa drogas; é alcoólatra, enfim. Denigre a imagem do ex-cônjuge.

SAP e os filhos

Quando esta instalada a SAP os filhos podem apresentar sentimentos de raiva e ódio ao pai ou a mãe, ou seja, em quem está sendo impedido de ter uma vida familiar com o(a) filho(a). Os filhos podem apresentar alguns comportamentos que poderão se tornar transtorno mentais no futuro.

SAP e os transtornos

Os filhos podem apresentar alguns  transtornos, dentre eles: ansiedade, síndrome do pânico; depressão; transtornos de identidade e até cometer suicídio (9 vezes mais propenso). Também podem surgir, doenças psicossomáticas, baixa autoestima, uso abusivo de álcool e drogas; dificuldade de adaptação (psicossocial); insegurança; sentimento de rejeição; agressividades; dificuldade nas relações interpessoais;

SAP: os filhos podem apresentar

Podem também apresentar sentimentos e crenças negativas, como, desequilíbrio emocional; insegurança; baixa autoestima; falta de organização mental; comportamento hostil; dificuldade nas relações interpessoais; sentimento de culpa (por ter sido cúmplice inconsciente das injustiças praticadas).

SAP: consequências legais

O artigo 6º - Lei 12.318  - Caracterizados atos típicos de alienação parental  (...) inibir ou atenuar seus efeitos (...) o juiz poderá:   I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador; II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado; III - estipular multa ao alienador; IV - determinar companhamento psicológico e/ou biopsicossocial; V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão; VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente; VII - declarar a suspensão da autoridade parental. 

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