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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 967 / 2018

17/04/2018 - 21:04:21

Torre de Marfim

Isaac Sandes Dias

Ignorou as cortesias que lhe foram oferecidas e encastelou-se na sua torre de marfim.

De lá, tal qual um Chicó caruaruense passou a desempenhar sua ópera bufa recheada de artimanhas, acolitado pela sua trupe mambembe.

Agrediu o Judiciário, a Polícia, o Ministério Público e a Imprensa. Chamou-os de mentirosos e, mais uma vez, proclamou-se o homem mais honesto da galáxia. Todos mentem, todos estão errados, exceto ele. Não bastam suas fotos da visita ao repudiado triplex, não bastam os veementes depoimentos dos construtores afirmando que o apartamento é dele, não bastam todas as demais evidências. Para ele, só merece crédito a corrupção com recibo e firma reconhecida, fora isso, tudo é mentira. 

Esqueceu-se do ateísmo ideológico e celebrou com missa o aniversário de uma morta. Comeu feijoada com os filhos. Plagiou Luther King. Discursou por quase uma hora e até cometeu ato falho, quando no calor do discurso textualmente falou:   “ ... no processo do meu apartamento...! ”.  Fez que ia, não foi, e só terminou indo quando recebeu um ultimato de 30 minutos pra descer o pano da bufante ópera.

Muitos entendem que o juiz que cumpriu a determinação de prisão foi muito benevolente. Não creio. Acredito sim que o magistrado foi realmente cortês e deferente ao cargo um dia ocupado pelo irresignado condenado.

Por seu lado, tal cortesia tinha também um quê de corda de carretilha, só pra ver até onde ia a audácia e ousadia do fanfarrão.

Tal qual um estrangulador, as deferências apertariam o pescoço deste, quanto mais esperneasse e se afastasse delas.

Embebido de vaidade e outros fluidos, o condenado comeu a isca. Pensou que tripudiava sobre a autoridade do juiz executor, prolongou o momento de seu recolhimento até, como disse, receber um ultimato pois que, seus atos já arranhavam a desmoralização da polícia.

No último arroubo de seu discurso, se autoproclamou uma ideia. Ali, diante de toda uma nação já impaciente, transfigurou-se. Disse que já não era mais um homem. Era uma ideia. Resta finalmente saber qual ideia. Uma má ou boa ideia?  Mesmo que tudo tenha sido feito e pensado com base numa boa ideia, o final provou que as consequências resultaram más.

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