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21 de Abril de 2018

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Edição nº 967 / 2018

15/04/2018 - 08:19:47

Deputado Dudu Hollanda está inelegível

Parlamentar cumprirá pena por mordida que arrancou parte da orelha de ex-vereador

Vera Alves - [email protected]
Dudu Hollanda foi condenado em 2016 por arrancar parte da orelha de Paulo Corintho - Foto: Divulgação

Oito anos depois do episódio em que literalmente arrancou parte da orelha de um então colega da Câmara de Vereadores de Maceió, o deputado estadual Dudu Hollanda (PSD) vai cumprir a pena de 3 anos e 5 meses a que foi condenado em 2016 pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. A decisão é do desembargador Sebastião Costa Filho e implica na perda dos direitos políticos do parlamentar. Com isto, Hollanda não pode disputar as eleições deste ano, a despeito de o cumprimento da pena ser pelo regime aberto.

Eduardo Antônio Macêdo Holanda, nome de batismo do deputado de 42 anos, coleciona uma série de episódios polêmicos em sua vida política. O mais inusitado, contudo, foi o que lhe rendeu a condenação e inelegibilidade. No Natal de 2009, quando presidente da Câmara, se envolveu em uma briga com o também vereador na época Paulo Corintho Martins da Paz (PDT).

Amigos de infância, os dois foram às vias de fato e, entre socos e chutes, Dudu terminou por morder e arrancar parte da orelha direita de Corintho. Condenado pelo crime de lesão corporal gravíssima pelo TJ em função do foro privilegiado, ele chegou a recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STF) contra a sentença, mas teve o recurso indeferido em dezembro do ano passado por ter sido interposto após o prazo legal.

No dia 28 de fevereiro último, o desembargador Sebastião Costa Filho, relator da ação penal contra o parlamentar, determinou o cumprimento da pena.

Presidente hoje de quatro comissões da Assembleia Legislativa - Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, de Transporte Comunicação, Serviços e Obras Públicas, do Meio Ambiente e da Criança, Adolescente, Seguridade Social e Família-, Dudu Hollanda integra ainda como substituto a Comissão de Direitos Humanos do Legislativo. 

O deputado, que iniciou a vida política aos 19 anos, é atualmente um dos investigados pela Polícia Federal na Operação Sururugate, que investiga o uso de funcionários fantasmas em um esquema que lesou em mais de R$15 milhões os cofres da Assembleia Legislativa.

Foi internado em uma clínica para tratamento de dependentes químicos em São Paulo em julho de 2015 e em setembro daquele ano provocou nova polêmica ao afirmou que a internação foi involuntária. Em novembro do mesmo ano protagonizou cenas de violência na casa de shows Maikai, no Stella Maris. Em abril de 2016, novo afastamento, desta vez sob o argumento de que faria tratamento de hérnia.

De vítima a réu por homicídio 

Vítima da sandice de Dudu Hollanda, o ex-vereador Paulo Corintho, também de 42 anos, se submeteu em 2010 a uma cirurgia de reconstrução da orelha direita. Advogado, não ocupou mais nenhum cargo eletivo desde o episódio, mas voltou às manchetes policiais em julho de 2014, acusado de homicídio culposo por uma manobra proibida que custou a vida do motoqueiro Allysson Melo Silva Nunes.

De acordo com a denúncia do Ministério Público constante dos autos do processo de nº 0730047-57.2015.8.02.0001, que tramita na 14ª Vara Criminal da Capital -Trânsito e Crime contra Criança, Adolescente e Idoso, Paulo Corintho estava na direção de sua Pajero, na noite do dia 3 de julho de 2014 quando, ao fazer uma manobra irregular, dando a ré em frente ao Motel Eldorado, no bairro do Barro Duro, atingiu a motocicleta que era conduzida por Allysson. 

Corintho deixou o local minutos depois em outro veículo afirmando que pagaria as despesas médicas do acidentado. O rapaz, contudo, faleceu.

A denúncia de homicídio culposo chegou à Justiça em novembro de 2015, mas somente em agosto de 2016 houve um despacho do juiz Odilon Marques Luz marcando para 1º de março deste ano de 2018 a primeira audiência de instrução e julgamento, que terminou não ocorrendo em função da ausência de testemunhas. 

O crime, previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro, implica em pena de detenção de 2 a 4 anos e suspensão/proibição de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. No caso de Paulo Corintho, sua CNH está suspensa desde 2015.

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