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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 967 / 2018

12/04/2018 - 20:14:53

Secretário e servidores são acusados de fraudar Bolsa Família

Beneficiários recebiam R$ 8 mil por ano

JOSÉ FERNANDO MARTINS [email protected]
Ex-prefeitos Arnaldo e Miguel Higino são acusados de corrupção em Campo Grande

Tem algo de podre na Prefeitura de Campo Grande. Com um prefeito já preso acusado de receber propina, agora é a vez da Polícia Federal apurar o que se passa nos bastidores daquele Executivo. Após dois anos de investigação foi identificado um esquema criminoso que fraudava o benefício social Bolsa Família. 

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Agnaldo Mendonça Alves, durante Operação Garabulha, desencadeada nesta quinta-feira, 12, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, sendo cinco em Campo Grande e um em Arapiraca, todos expedidos pela 12ª Vara Federal de Alagoas. 

Um dos suspeitos de encabeçar o esquema é o secretário de Assistência Social campo-grandense, que contava com a ajuda de servidores municipais que faziam o cadastro dos beneficiados. A prática criminosa consistia em inserir pessoas em núcleos familiares diversos, a fim de permitir o recebimento de valores maiores do benefício. 

Com essas alterações, algumas famílias chegaram a receber a quantia de R$ 8 mil reais ao ano, o equivalente a R$ 670 por mês. “Um valor mais elevado do que o normal”, destacou o delegado. Durante investigação também foi possível identificar o uso de laranjas. “Tinha pessoas cadastradas que nem sabiam que seus nomes estavam recebendo o benefício. Ou seja, fizeram o cartão em nome dessas famílias sem autorização”. 

Na operação foram apreendidos cerca de R$ 18 mil reais, além de vários cartões do Bolsa Família. Pelo menos vinte pessoas estavam recebendo o dinheiro do benefício ilegalmente. “O valor desviado poderia ajudar cerca de 500 famílias que realmente necessitam de assistência”, frisou Alves. O nome da operação é uma alusão à “má-escrita”. Até o momento, ninguém foi preso.

Corrupção 

em família

O prefeito de Campo Grande, Arnaldo Higino Lessa (PRB), foi preso em flagrante em 24 de novembro de 2017 suspeito de receber propina.  Na ocasião, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE-AL), divulgou um vídeo do gestor recebendo o dinheiro. O prejuízo aos cofres públicos chega a R$ 500 mil. No momento do flagrante, Lessa estava recebendo em sua residência a quantia de R$ 1.871 de um empresário que vende mercadoria para o município. O pagamento seria o percentual da propina acertada anteriormente.

Já em janeiro deste ano, o ex-prefeito da cidade, Miguel Higino, que é sobrinho do atual gestor, foi detido acusado de desviar milhões dos cofres públicos na gestão 2013/2016. Conforme o promotor de Justiça, Kleber Valadares, o ex-prefeito se utilizava da mesma prática criminosa de Arnaldo Higino. Ambos teriam usurpado verba pública  utilizando esquema de notas “esquentadas” por empresários  sem que houvesse o fornecimento real das mercadorias. O lucro para ambos sempre foi de 90%, enquanto os empresários rateavam os 10% restantes. 

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