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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 966 / 2018

11/04/2018 - 11:25:03

SAÚDE MENTAL

Esquizofrenia:   a origem e o mito

Um dos transtornos mentais mais temidos pela população é a esquizofrenia. O que ele representa para a própria pessoa, a família, a população e para os profissionais de saúde, especialmente para os psicólogos e psiquiatras?

A palavra “esquizofrenia” teve origem em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler e significa “mente dividida”: em grego skizo, cisão e phrenos, mente. Mente divida entre o real e a alucinação/delírio. Ainda hoje não se sabe as reais causas do seu surgimento.

Na mídia (rádio, jornal, tv, internet) e no cinema hollywoodiano, a pessoa é vista como agressiva. Mas essa visão é equivocada. É um mito. O percentual de agressões praticado pelos portadores de esquizofrenia é pequeno, há muita, mas muita violência fora dos hospitais, do que dentro.

Esquizofrenia:  o que é

É um transtorno mental crônico (mas pode ser controlável)  e incapacitante  que se manifesta por vários  sintomas, principalmente alucinação e delírio. A evolução da cronicidade ou não, depende de cada pessoa. Muitos conseguem controlar a doença e tem uma vida considerada produtiva e feliz.

Foi o caso, por exemplo, do matemático John Nash, que teve sucesso numa carreira acadêmica após resolver um problema sobre jogos, em 1950, nos Estados Unidos, com o prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel (não é o Prêmio Nobel). Veja o filme “ Uma mente brilhante”.

É uma doença cerebral em que fatores genéticos e ambientais influenciam de maneira variável seu surgimento.

Esquizofrenia e o início

Geralmente, surge entre a última fase da adolescência – 18 e 25 anos - e no início da vida adulta. Mas pode ser numa idade mais avançada.

Esquizofrenia                      e os sintomas

O transtorno, muitas vezes, é confundido pela família por apresentar sintomas da  depressão; por mudança repentina e transitória do estado de ânimo,  sentimentos de tristeza, pena e angústia.

Por mal-estar difuso, isto é, sem uma causa específica. Mas investigando é possível detectar o transtorno, através de psicoterapia. A maioria dos psiquiatras ministra  medicamentos. Nise da Silveira (alagoana que revolucionou o tratamento aos esquizofrênicos) aboliu essa prática do tratamento farmacológico o substituindo por atividades, através da arte, principalmente pintura, escultura e barro.

Às vezes surge como uma mania, ou seja, por humor exagerado e sintomas, também de transtorno de pânico. Somente um psicólogo especializado ou um psiquiatra, têm condições de diagnosticar, corretamente, o transtorno.

 A doença afeta a parte do sistema emocional, da personalidade e também a cognição.

Esquizofrenia: delírios e alucinações

Os principais sintomas são os delírios: distorções no pensamento, isto é, interpretação errônea ou equivocada das informações que lê ou escuta. Manifesta-se como perseguição, inveja, megalomania e religiosidade exacerbada.

As alucinações são alterações na percepção, isto é, ouvir vozes sem um estímulo definido, ou seja, difuso.  Pode ser auditiva (é a mais comum e mais frequente), visual, tátil ou olfativa.

A pessoa acredita que todos os seus pensamentos são conhecidos e suas ações vigiadas e supervisionadas. A pessoa é “informada” sobre esses fatos através de “agentes”, por vozes (alucinação). 

Desorganização 

da fala

Também é perceptível uma fala desorganizada/incoerente (sem sentindo, sem nexo e até muito rápida) seja com um interlocutor ou até mesmo com um objeto (parede, poste,  etc.). Tem comportamento, também,  desorganizado e algumas vezes, bizarro,  como por exemplo, dizer um palavrão ou frases sem contextualizar o fato, ou fazer necessidade fisiológicas em lugares abertos (praça, etc.)

Esquizofrenia:         

embotamento afetivo

Também pode apresentar pobreza na conversa e fala vazia de conteúdo, sem nexo. Outra característica marcante é o embotamento afetivo, ou seja, diminuição na habilidade de expressar-se emocionalmente. A pessoa se esquiva ou foge em dizer o que está sentindo (tristeza, alegria, angústia), ou seja, tem dificuldade de verbalizar/falar.

Além de apresentar o que se conceitua de anedonia, ou seja, incapacidade de sentir prazer no dia a dia, ou  experimentar prazer. É a perda ou desinteresse pela vida social, acadêmica ou laboral (trabalho).

Esquizofrenia: 

movimentos

A pessoa pode apresentar sintomas motores, como posturas estranhas, agitação psicomotora sem uma causa específica.

Esquizofrenia e a 

autonomia

A pessoa começa a perceber que está perdendo a autonomia de seus pensamentos, de seus sentimentos, de seu corpo.

Esquizofrenia e a população

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 1% da população é diagnosticada com esquizofrenia. E dessas o número de tentativas de suicídio é bastante expressivo, cerca de 40%. Nos primeiros 10 anos de diagnosticada a doença, cerca de 10% praticam o suicídio ou a tentativa.

Esquizofrenia             e a família

É também um sintoma contundente, a pessoa ficar com a incapacidade de iniciar,  persistir ou concluir uma tarefa ou um projeto (tarefa escolar; um curso, seja ele de qualquer nível).

Há uma dificuldade em manter relacionamentos afetivos com familiares, com colegas na escola/faculdade ou manter um emprego por muito tempo;  ter amizades sólidas; além de dificuldades em ter relacionamentos íntimos duradouros.

A família é fundamental para observar e acolher o familiar que estiver apresentando os sintomas. Muitas vezes o comportamento se confunde de que o adolescente está em “processo de rebeldia” e por isso se isola, que “é natural”. Mas se os primeiros sintomas surgir sendo adolescente ou adulto, é bom procurar um psicólogo ou um psiquiatra.

Cura

  O que melhora o atendimento é o contato... O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito.

(Nise da Silveira)

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