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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 966 / 2018

11/04/2018 - 11:22:55

Esperança, o último bastião

CLÁUDIO VIEIRA

Enquanto escrevo esta crônica, o Supremo Tribunal Federal decide a sorte do ex-presidente Lula. Após o bombardeio de notícias, extremadas opiniões azucrinando a paciência da Nação, o fato não mais parece importante. Como hoje me disse um amigo, em tom de chiste, o resultado todo o Brasil sabe; 6x5, seja pró ou contra. O que se joga na Suprema Corte não é, no fundo, a liberdade do ex-presidente, mas a vetusta seriedade daquela Casa. Lula não é importante; é um criminoso condenado, seja qual for o resultado do julgamento do seu habeas corpus. O País não irá parar se for ele preso ou não. Será apenas um exemplo de eficácia ou de não-eficácia das decisões judiciais; se há ou não segurança jurídica; se poderemos viver tranquilos sabendo que a impunidade acabou. 

 Desde a mais incipiente adolescência, atrai-me a mitologia greco-latina. Rememorando as ocorrências políticas mais recentes, veio-me à mente o mito da caixa de Pandora. Quem foi Pandora? Qual o conteúdo de sua famosa caixa? Narra-se que havendo o caos no mundo, Zeus entendeu por ordem no universo, separando  terra, mar e ar, antes um só ser amalgamado. Tendo tal ocorrido, o Titã  Prometeu, usando o pó da terra e algum fluido divino remanescente do período anterior, fez o homem à imagem e semelhança dos deuses. Epimeteu, outro Titã, distribuiu atributos a todos os seres vivos, mas, ao chegar à criatura do seu irmão Prometeu, o homem, faltou-lhe o que aquinhoá-lo. Incansáveis, os irmãos subiram aos céus em sua carruagem e do Sol roubaram o fogo, dando-o ao homem que, a partir daí, pôde construir armas, artefatos de agricultura, máquinas, etc. Júpiter (Zeus), zangado com os dois Titãs, fez a mulher, Pandora, e mandou-a de presente a Epimiteu que, por sua vez, fê-la companheira do homem. Pandora descobriu entre os pertences de Epimeteu, uma caixa hermeticamente fechada. Curiosa, abriu-a soltando no mundo todas as pragas e misérias que o Titã cuidadosamente guardava. Arrependida, sentindo que não obrara bem, fechou o baú com rapidez, prendendo o único e último dote de Epimeteu: a Esperança.

Por que amolo o leitor com história tão antiga? A política brasileira parece ter absorvido todos aqueles males da mítica caixa. Abrem-se os jornais, ouvem-se as rádios, assistem-se às televisões, e os respectivos noticiosos trazem sempre corrupção, prisões, solturas questionáveis, uso pessoal dos bens e dos recursos públicos, roubos do erário, etc. Resta-nos aguardar que Pandora abra novamente a sua famosa caixa e brinde-nos com a esperança do voto claro, consciente, responsável. 

Façamos então, jus à nossa qualidade de eleitores! 

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