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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 966 / 2018

11/04/2018 - 11:17:56

Nem tudo que reluz é luz

Isaac Sandes Dias

Não se iluda! Nem tudo que reluz é ouro, ou luz.

Os últimos acontecimentos envolvendo o uso dos dados de 50 milhões de usuários do Facebook para manipulação das eleições americanas e talvez da votação do Brexit, revelam uma verdade que se sabe de há muito.  A confirmação de que tem muito mais angú  de caroço no contexto socioeconômico  da humanidade, do que nossa grande Van lotada de filosofia. 

A todo momento vemos eruditos e acadêmicos estufando o peito e enchendo suas bochechas com o discurso politicamente correto da força e poder da sociedade civil nos destinos político das nações.

Mas as constantes manipulações que agora e sempre a dita sociedade civil está sujeita, revelam quão frágil e quão enganosa é essa crença.

Alguém há de dizer: mas foram as massas formadas pela sociedade civil que desencadearam as grandes revoluções. Que fizeram balançar e cair o Ancien Régime. Que fizeram reluzir a nova era promovida pela Revolução Russa. Que fizeram a Revolução Cubana e tal.

Sim  foram, em parte, pois nem tudo que parece ser , na verdade o é no todo  ao final.

Esquecem que, como demonstrado agora no caso Facebook, tal qual uma receita de cheese cake, a vontade da decantada sociedade civil americana foi manipulada, resultando na eleição da  tragicômica versão do Sidney Magal dourado, outras manipulações históricas também já ocorreram.

Na Revolução Francesa,  a massa foi manipulada  inicialmente por alguns nobres que alimentavam a esperança de ocupar o lugar do inapetente Luiz XVI, os quais, após perderem o controle da situação jogaram a pizza já  quente nas mãos de meia dúzia dos pensantes manipuladores Mirabeau, Danton, Marat e Robespierre que completaram a receita com mais de cem mil cabeças cortadas pela reluzente lâmina da guilhotina os quais,  ao final, jogaram todo o poder no colo do Corso Napoleão.

Na Rússia, igualmente, o ressentido Lênin após o enforcamento do idealista irmão, resolveu manipular a miserável turba  que vinha amargando fome e tirania para, junto com outros igualmente manipuladores, prometerem uma república  proletária que, como sabemos, resultou no extermínio de mais de 50 milhões de cidadãos enganados com o apelo de força e união da sociedade proletária.

Em Cuba também não foi diferente. Ainda hoje, sessenta anos depois de Sierra Maestra,  as festejadas forças da sociedade civil esperam exercer o poder que encontra-se na mão de ferro da família Castro.

Portanto,  quando  alguém  ou segmento social lhe acenar com o reluzente apelo de que  a sociedade civil é o apanágio da liberdade, é a  inigualável força que promove as grandes mudanças. Cuidado, não se iluda, tenha certeza de que a  sociedade civil só será essa força enquanto necessária e útil aos escusos e secretos projetos dos grupos dominantes. Após, aquele apelativo reluzir  que lhe foi mostrado ao longe poderá, na verdade, ser a luz da incandescente neve  Siberiana, o brilhar da lâmina de uma guilhotina,  as chamas dos canos dos fuzis de um Paredón, ou ainda as flamas do dourado topete de um Trump.

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