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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 966 / 2018

05/04/2018 - 21:52:52

Alunos da Ufal não sabem onde irão concluir curso

Conselho Educacional estuda mudar a graduação de Viçosa para Rio Largo

Valdete Calheiros - Especial para o EXTRA
Unidade educacional da Ufal, em Viçosa (Foto: Divulgação)

Os alunos do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estão temerosos em relação ao destino da graduação. As aulas poderão ter novo endereço a partir do ano que vem, alterando a rotina e os investimentos feitos pelos quase 250 discentes. 

Atualmente, os universitários assistem as aulas para se formarem médicos veterinários na Unidade Educacional de Viçosa, distante cerca de 112 quilômetros da capital alagoana. A graduação entrou para a grade da Ufal há 10 anos e está vinculada ao Campus Arapiraca. O curso conta com cerca de 15 professores. 

No entanto, a Resolução n° 57/2017, do Conselho Universitário da Ufal (Consuni), datada de 4 de dezembro de 2017, fala sobre a desvinculação da Unidade Educacional de Viçosa da Campus Arapiraca e sua vinculação institucional ao Campus Universitário Reitor Aristóteles Calazans Simões, no Centro de Ciências Agrárias – Ceca/Ufal, em Rio Largo. 

Representantes dos alunos procuraram o EXTRA mostrando preocupação com os destinos do curso. Eles alegam que a mudança na estrutura organizacional e de endereço físico irá, entre outras coisas, causar prejuízos aos recursos públicos investidos, por exemplo, na construção do Hospital Veterinário de Viçosa.

“Se as aulas passarem a ser em Rio Largo, o que será feito do hospital? Temos toda estrutura em Viçosa e nenhuma em Rio Largo. Além disso, muitos estudantes adquiriram imóveis ou alugam dormitórios na cidade. Isso sem falar nos comerciantes que investiram seus poucos recursos financeiros em restaurantes e casas para alugar com vistas a garantir seu sustento quando souberam que o município abrigaria um curso universitário”, relacionou um dos estudantes que disse ainda “quando fizemos a escolha pelo curso, fizemos sabendo que nossos próximos quatro anos seriam em Viçosa e agora, de repente, querem mudar tudo”.

A acadêmica Camila Bernardo, 23, está no sexto período do curso e é uma das alunas que só irá conseguir concluir a faculdade se as aulas continuarem sendo ministradas em Viçosa.

“Moro em Paulo Jacinto. Gasto cerca de 30 minutos para chegar nas aulas. Caso, o curso se mude para Rio Largo, dificilmente irei concluir minha graduação”, disse. 

De acordo com o Cosuni, “há eficácia logística desta desvinculação, oportunizando melhores condições para o crescimento da Universidade e para o desenvolvimento sócio-econômico da respectiva região”, detalha a resolução do Conselho Universitário, cuja presidente é Maria Valéria Costa Correia, reitora da Ufal. Viçosa tem 26.249 habitantes, segundo o censo 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Rio Largo conta com 75.688 de acordo com o censo 2010 do IBGE. 

Ufal acredita em melhorias para universitários

O diretor do Centro de Ciências Agrárias (Ceca/Ufal), Gaus Andrade Lima, afirmou que os alunos não devem se preocupar e se precipitarem achando que haverá também mudança física no curso e que “se houver, certamente, é para a melhoria da graduação”. 

Conforme o diretor do Ceca, a resolução do Consuni designou um grupo de trabalho que deverá entregar um relatório parcial em junho próximo e um relatório final em dezembro deste ano apontando todas as possibilidades sobre a desvinculação, inclusive, do ponto de vista de endereço físico. O prazo foi estipulado pela resolução do Consuni. 

O grupo de trabalho é formado por dois membros do Conselho do Centro de Ciências Agrárias; dois do Colegiado do Curso de Medicina Veterinária; sete membros da Administração Superior, sendo um representante de cada uma das Prós-Reitorias e da Superintendência de Infraestrutura; dois representantes de Viçosa, sendo um do Poder Executivo e outro do Poder Legislativo; dois representantes designados pelo Conselho Provisório do Campus Arapiraca, representando os cursos de Agronomia e Zootecnia; três membros do Consuni, sendo um docente, um estudante e um técnico administrativo. 

Ainda segundo Gaus Andrade, a transferência irá proporcionar o compartilhamento de infraestrutura e de pessoal, permitirá a ampliação da oferta de vagas no curso de Medicina Veterinária das atuais 40 para 80, e irá melhorar o fluxo acadêmico e as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Caso haja mudança física, poderá acontecer no ano que vem ou em 2020 ou 2021. 

A resolução do Consuni, defende a possibilidade de criação da Residência Estudantil em Medicina Veterinária, Zootecnia, Agronomia, além da oferta de estágios, pesquisas, inovação tecnológica e atividades extensionistas socialmente referenciadas para todos os cursos das Ciências Agrárias e área de atuação para os demais cursos da Ufal, potencializando a Fazenda São Luiz e o Hospital Veterinário Universitário de Viçosa enquanto vetor de fomento ao desenvolvimento e de excelência científica. 

  “Havendo mudança física, o curso de Veterinária irá contar com a mesma estrutura dos cursos de Agronomia e Zootecnia, considerando as especificidades de cada um destes”, pontuou Andrade Lima que é engenheiro agrônomo. “E com o recente fechamento do Neafa (Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis), a população de Maceió e adjacências poderá contar com atendimento veterinário bem mais próximo em Rio Largo do que em Viçosa”, comparou. Rio Largo fica a cerca de 22 quilômetros de Maceió. 

O diretor não acredita em muitas mudanças na rotina dos alunos, porque, segundo ele, apenas 15 ou 20 são de Viçosa, os demais são de Maceió ou mesmo de fora de Alagoas. 

Ele garantiu que o Hospital Veterinário Universitário não será desativado. A unidade, construída há cerca de dois anos, custou aproximadamente R$ 2 milhões. No local, são realizados mais ou menos 100 atendimentos ao ano, uma média de um animal a cada três dias. Em Rio Largo, há um prédio que poderá ser facilmente adaptado a uma clínica veterinária de pequeno porte com o investimento de aproximados R$ 50 mil. 

Há planos futuros para que a Ufal, junto à prefeitura de Viçosa, procure o Ministério da Educação (MEC) para viabilizar a abertura de novos cursos naquele município, adiantou o diretor do Ceca. “Era para Medicina Veterinária estar funcionando junto aos cursos de Agronomia e Zootecnica, o que, por alguma razão não aconteceu. A estrutura é muito grande para o funcionamento de apenas um curso”, acredita. 

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