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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 965 / 2018

04/04/2018 - 21:35:28

Em busca da hegemonia?

CLÁUDIO VIEIRA

Os últimos noticiários em Alagoas a respeito da desistência de Rui Palmeira de candidatura ao Governo do Estado, e via de consequência, da desestabilização da oposição, e da previsão de supremacia do atual governador e de seu pai senador, têm gerado afogueamento entre os colunistas, os muitos que aplaudem e os poucos que criticam. Há, no geral, um certo ar de admiração pela capacidade de articulação de ambos os personagens, pai e filho. O interessante é que, mesmo nas rodas dos que se consideram “pensantes”, o acontecimento é visto como fenômeno a ser aplaudido, sendo considerada absolutamente normal a dança de apoiamentos, mesmo que seja apenas corrida de ratos a abandonarem o barco que naufraga, buscando abrigo em tocas melhor sustentadas.

Não discuto o mérito do governador. Como afirmei semana passada, o bom trabalho que desenvolve credencia-o a pleitear (não a ser entronizado) um novo mandato. Malgrado reconheça isso, não vejo com sossego a busca de hegemonia que faz, considerando que para isso promove, mais uma vez, o fatiamento do poder sem qualquer proposição séria. Não há – é o que aparenta – uma aproximação de projetos republicanos, mas meramente de interesses individuais, alguns extremamente ambiciosos. É a busca do poder apenas pelo poder, nada mais. A verdade é que não se pode, em sã consciência, condenar o governante, e seu pai senador, por pretenderem garantir-se nos seus assentos. Mesmo usando de artifícios, como o fatiamento dos órgãos estaduais e outros agrados, fazem-no porque Alagoas, como de resto o Brasil, parece um deserto de inteligências, bem aplicando-se aqui o velho aforismo: “em terra de cegos quem tem um olho é rei”. 

Como disse acima, mesmo nas rodas mais preparadas intelectualmente, só tenho ouvido aplausos à esperteza do governador e do senador. Nenhuma repulsa ao uso da máquina pública em favor de candidaturas particulares. Nenhuma preocupação com o uso impróprio do poder. Nenhuma reprovação àqueles que abrem mão de suas convicções, que por serem apenas aparentes nada significam, e apressam-se ávidos ao regaço do possível vencedor. Ouvi, por exemplo, que a corrida dos próceres políticos alagoanos para os braços da situação já garante confortáveis vitórias dos Renans, pai e filho. Candidamente tenho perguntado: e o povo? E o eleitor? A resposta daqueles setores é representativa da pobreza moral da nossa sociedade: O povo? Ora, o povo vai para onde prefeitos, deputados, ministros, senadores querem.

Vida de gado! Até quando?   

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