Acompanhe nas redes sociais:

16 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 965 / 2018

04/04/2018 - 21:34:26

Cambalacho

ELIAS FRAGOSO

Quem protege criminoso é o quê? Quem desrespeita a Constituição merece o quê? Quem promove chicanas legais para livrar a cara de criminosos de colarinho branco presos ou em vias de serem presos, ganha o que com isso? Quem trai a confiança da Nação com votações pré-arrumadas e voltadas exclusivamente para liberar da cadeia o meliante já condenado em duas instâncias deve ser visto como?

“A Suprema corte deste país promoveu um cambalacho jurídico e, com uma precisão cirúrgica, jamais vista na história do tribunal, ajustou a Lei para salvar Lula” disse a revista Isto É em sua edição dessa semana. Premonitoriamente, há meses o ínclito senador Romero Juca já afirmava em gravação que era preciso “estancar a sangria” e concluía “com Supremo e tudo”. Quase ao mesmo tempo o “babalorixá de Banânia” afirmava que tínhamos “um Supremo acovardado”, isto porque nada havia sido feito até então para livrá-lo da cadeia.

Pois bem, agora que o Supremo, após se curvar em genuflexão e vassalagem a este ser criminoso, ferindo de morte a Constituição de quem é o guardião e traindo todas as expectativas dos cidadãos brasileiros quanto a um basta na corrupção neste país, certamente tornou-se – magicamente – para ele em herói. Não é essa a visão dos cidadãos de bem deste país. 

Tudo se encaminha para que não só o ex-presidente não venha a cumprir a sentença que o condenou, como se desenha no STF acabar com a prisão em segunda instância. Livrando a cara de todos os corruptos que estão presos, além de criminosos de todos os naipes. A Suprema Corte se apequena trazendo a si atribuições que não lhe pertence, desestruturando toda o arcabouço de justiça deste país, ferindo de morte a Lava Jato e entregando a Nação nas mãos de criminosos. Podemos estar iniciando uma perigosa etapa de vale tudo. 

O que essa malfadada decisão do Supremo está dizendo é que é possível desviar dinheiro público e seguir em liberdade (a defesa do Geddel já entrou com petição, por isonomia, para liberá-lo da cadeia) com a esperança mais que justificada de prescrição da pena. Ou, como afirmou editorial de o Globo “isso mantém de pé um edifício moralmente arruinado, mas difícil de ser batido”.

Esses vetustos senhores e senhoras imaginam o quê? Veja o caso específico do ministro Fachin, relator da Lava Jato. Ex-advogado do MST e indicado pelo poste que se dizia presidenta (sic!) até então havia negado todas os pedidos da defesa de Lula, mas, estranhamente (após inadequada visita do “seminarista” do PT, Gilberto Carvalho, e de outros próceres daquela agremiação) enviou para o plenário o processo que já havia recusado ao invés de indeferi-lo liminarmente como havia feito até então... O que deu margem a toda a cambalachada da semana que passou.

Um supremo papelão. Que não ficou só nisso. A patacoada foi completa. Todo o país aguardando uma decisão e o que eles resolvem fazer? Passaram a tarde inteira discutindo se iam decidir. Decidiram deixar para depois. Para o dia 4. Mas aí decidiram: que o criminoso já condenado, Lula, aguardasse em liberdade uma sentença que ainda não havia sido dada. Só rindo para não chorar.

Por que não concluíram a reunião/patacoada? Por que suas excelências estavam exaustas, por que um ministro, Marco Aurélio, tinha que viajar para assumir um cargo numa tal de Academia Brasileira do Direito do Trabalho. A Nação? Que se dane? O dano público que uma má  decisão acarreta? Que se dane! A votação poderia ser na segunda, terça ou quarta-feira desta semana. Não vai acontecer. Sabem por quê? Suas excelências irão descansar. Que ninguém é de ferro. Ufa!

O Supremo, se apequena, a Nação sofre. Nosso futuro fica cada vez mais ameaçado. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia