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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 962 / 2018

14/03/2018 - 11:36:47

Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Barra de São Miguel, AL - Li e reli a entrevista do Lula na Folha de S. Paulo. Concordo quando ele diz que não vai se matar. “Vou brigar até o fim”, afirmou. O povo espera que ele não cometa esse gesto extremo porque tem uma pena de doze anos para cumprir. Seria uma grande frustração para todos os brasileiros que defendem a moralidade pública. Feita a ressalva, vamos aos fatos. Mesmo com todos os esforços da repórter Mônica Bergamo para tentar extrair alguma novidade que justificasse o encontro, as únicas coisas que se deduzem da conversa é que o PT vai se juntar aos golpistas nessas eleições para não sucumbir às urnas. As outras, já manjadas, são: os americanos, a TV Globo e a justiça perseguem o ex-presidente. 

Não respondeu sobre o triplex – já condenado – e desviou-se do sítio de Atibaia. Mas supõe que o juiz Sérgio Moro está a serviço da Secretaria de Justiça dos Estados Unidos.  Disse Lula: “Agora mesmo o Moro está lá [no exterior] para receber um prêmio dessa Câmara de Comércio Brasil-EUA. Ele foi lá para ficar 14 dias. Eu já recebi prêmios. Você vai num dia e volta no mesmo dia. Ô, querida, não me peça provas de uma coisa que eu não tenho. Eu estou apenas insinuando que pode ser, tal é a proximidade do Ministério Público com a Secretaria de Justiça dos EUA”. Para quem exerceu o mais alto cargo do país, a insinuação é, no mínimo, leviana e irresponsável.

É assim, com essa inconsequência, que o ex-presidente faz política no Brasil. É assim, com essa demonstração de insanidade, que ele atiça seus fanáticos contra as instituições constituídas. É assim, com essa insensatez, que ele quer voltar à Presidência da República.  O raciocínio do Lula assemelha-se muito com o de Dilma: turvo, incompreensivo e doentio. Aliás, a petezada pirou de vez depois que perdeu o poder. Gleisi e Lindbergh pregam a luta armada, Stédeli quer juntar os sem-terra no Maracanã para protestar contra a prisão do Lula, a Dilma (coitada!) ainda vive por aí falando do golpe, o Zé Dirceu convoca a militância para uma reação em cadeia, uma resistência cívica, o Vaccari escreve uma carta para dizer que os delatores mentiram sobre o sítio do Lula e, por fim, os fanáticos continuam fazendo adorações ao mestre como se ele fosse a vaca sagrada da Índia. 

Se a Nise da Silveira fosse viva bem que gostaria de ter esse pessoal do PT no seu grupo de análise para enriquecer os seus estudos sobre o suíço Carl Gustav Jung, por quem era apaixonada. A psiquiatra certamente iria concluir que o lugar dessa turma seria o manicômio e não os presídios, pois iria defender a tese da inculpabilidade deles por insanidade mental. 

No PT, a esquizofrenia virou uma doença contagiosa, contrariando o que se sabe sobre a doença. Tudo começou com a “mandioca” e a “mulher sapiens” da Dilma. De lá pra cá, a coisa desandou de tal forma que ninguém dentro do partido consegue conectar nada com coisa nenhuma. Por exemplo: eles acham que o desemprego é coisa do Temer, quando se sabe que deixaram 14 milhões de trabalhadores na rua, que não esvaziaram os cofres da Petrobras (é coisa da Globo!), que o PIB crescia no governo da Dilma, que não existia violência no governo deles, que o Zé Dirceu, Vaccari, Delúbio, Palocci, Lula, Vargas, João Paulo Cunha são honestos. Olha que prato cheio para uma banca de psiquiatras.

Faltou notícia ou jornalismo?

Aliança

E, agora, Lula acena com uma aliança com o MDB do “golpista” Temer, o que já vem ocorrendo em alguns estados, como em Alagoas, por exemplo. Receia que sem essa coligação o seu partido saia das urnas destroçado nas eleições deste ano. Veja essa parte da entrevista do ex-presidente à Folha e tire as suas conclusões: “Você acha que na Globo [que publicou a primeira reportagem sobre a delação da J&F] alguém faz jornalismo livre? O jornalista decide e faz uma denúncia como aquela que foi feita contra o Temer? No mesmo dia já tinha jornalista apostando na renúncia do Temer. E já tava se discutindo quem ia assumir e o que ia acontecer.

Enfrentamento

Ora, o Temer resolveu enfrentar. Teve a coragem de desmascarar o Janot, o Joesley e ficou presidente. E ainda ganhou duas paradas no Congresso Nacional [para impedir que o processo contra ele no STF seguisse], não se sabe a que preço. A imprensa dizia que R$ 30 bilhões foram gastos, não sei quantos bilhões. Mas ganhou.

Admiração

E o senhor o admira por isso?

Não. Eu continuo pensando o mesmo do Temer. Eu estou contando o fato. E o fato histórico não tem sentimentalismo. Tem uma fotografia”. E, então, não é um caso de demência mental? Enquanto a Dilma e os militantes apaixonados se esgoelam repetindo “é golpe, é golpe”, o chefe deles, nos bastidores, corre para uma aliança com o MDB “golpista” para o partido não se desmilinguir. 

Encenação

Maluf – só poderia ser ele - quebrou a disciplina do sistema penitenciário ao falar com a repórter Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Evidentemente que ele contou com a cumplicidade da administração do presídio que permitiu ao deputado contar suas lamúrias dentro da Papuda e, mais uma vez, se declarar inocente do roubo de quase 1 bilhão de dólares da Prefeitura de São Paulo. A entrevista foi conduzida por Maluf de forma a sensibilizar a opinião pública sobre a sua vida no cárcere por se tratar de um homem de 86 anos de idade.

Disciplina

É raro um condenado conceder uma entrevista dentro do presídio da Papuda. Isso mostra que os advogados do deputado estão usando de todos os meios para tirá-lo da cadeia, mesmo que isso atropele as leis e as normas do sistema carcerário. Na Papuda também estão presos Luís Estevão, Geddel Vieira Lima e outras figuras públicas em absoluto silêncio. Na conversa, Maluf, como sempre, procurou se vitimizar. Disse que não sabe por que está preso e insistiu que quer cumprir a pena em casa, pois se acha injustiçado como se a cadeia existisse apenas para ele. 

Confortável

A matéria mostra que nada é tão assustador na vida de Maluf lá dentro do presídio. Ele divide a cela de 10 metros quadrados com um servidor público, um holandês e um médico, Mike, que o mantém sob vigilância, assistindo-o quando há necessidade. Elogia os carcereiros, o serviço médico do presídio (“A doutora Etelvina é maravilhosa”) e diz que é tratado com reverência (“Me tratam de forma reverencial, pela idade e pela minha história”). E não tem queixas da comida que é servida (“Não é que a comida seja ruim. É que não é o gosto de casa que eu estou acostumado”). 

Malandragem

Maluf fala para a imprensa no momento em que seus advogados pedem ao STJ que ele cumpra a sentença em casa, enquanto o STF julga um habeas corpus para arrancá-lo do presídio. No encontro com a repórter, ele chora, se lamenta da situação, mas em nenhum momento promete que vai devolver o dinheiro roubado dos cofres públicos. Insiste que é inocente e até hoje não sabe o motivo da sua condenação. O deputado – que ainda não foi cassado – usa das suas habilidades políticas para tentar convencer os incautos de que o lugar dele é na sua mansão em São Paulo, onde pretende “curtir” o resto da pena em noites regadas a um bom vinho francês.

O choro

Lembra da família – mulher, filhos e netos – e repetidamente chora, interpretando a mesma cena bufão em que ele é o personagem central desse filme que ainda não foi concluído desde que deixou a prefeitura com os bilhões roubados. No rastro desse desvio, Maluf deixou chorando milhares de famílias pobres que ficaram sem saúde, educação e até sem a merenda escolar dos seus filhos porque o dinheiro surrupiado da prefeitura foi usado em luxúrias malufistas pelo mundo afora por ele e seus familiares.

O mentiroso

A prisão domiciliar, se ocorrer, é um prêmio ao deputado que, certamente, vai continuar levando uma vida confortável às custas do dinheiro público, já que em nenhum momento ele acenou em devolver a fortuna roubada. Sempre que é questionado se diz inocente, mesmo quando os procuradores conseguem repatriar alguns milhões ainda muito longe da quantia que foi desviada. Ao insistir veementemente na inocência diante de tantas provas em poder da justiça, Maluf mostra-se um seguidor da teoria do Joseph Goebbels, chefe da comunicação do Hitler, de que a mentira se torna verdadeira pela insistência do mentiroso em repetir a mentira. A mentira transforma Maluf no estereótipo do político brasileiro. 


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