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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 962 / 2018

11/03/2018 - 08:49:18

Novos abalos podem atingir Alagoas

Causas do tremor de 3 de março continuam sem explicação

Vera Alves - [email protected]
Foto: Divulgação

Cadeiras que balançam, um livro que cai, uma rachadura que aparece repentinamente. Cenas de filmes de fim do mundo que pela primeira vez foram presenciadas por centenas de pessoas em Maceió na tarde do sábado, 3, e que, segundo especialistas, podem voltar a ocorrer. 

Mas não há razão para pânico. Os mesmos especialistas são unânimes em afirmar a improvável ocorrência de um tremor de terra de grandes proporções em solo alagoano. O tremor do sábado, que gerou dezenas de teorias, foi confirmado como de pequena intensidade – 2,4 graus na escala Richter – e profundidade zero por estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR).

Quase uma semana após o incidente, ninguém sabe ainda, com certeza, o que causou o tremor. De concreto, apenas a constatação de que Alagoas não possui um órgão ou mesmo profissionais habilitados a respostas que ponham fim às muitas especulações que tomaram conta das redes sociais nos últimos dias. A mais propagada, de que o fenômeno estaria relacionado às atividades de extração do salgema, foi descartada por dois especialistas ouvidos pelo EXTRA, um geólogo e um engenheiro de minas.

Uma das hipóteses levantadas  é de que tenha havido uma acomodação da camada sedimentar localizada na região do bairro do Pinheiro, onde uma fissura de cerca de 2 km foi detectada em meados de fevereiro.

Quanto ao tremor em si, relatório técnico resumido enviado ao EXTRA pelo professor Marcelo Souza de Assumpção, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), lembra que mesmo estando longe das bordas de placas tectônicas, onde grandes terremotos ocorrem com muita frequência, o Brasil não está totalmente livre de tremores causados por pequenas falhas e fraturas dentro da placa Sul-Americana.

“Este tremor ocorreu às 17:30:32 (Hora Universal, 14h30min32s Hora Local) e teve magnitude bem pequena, apenas 2.4 na escala Richter. Foi registrado por estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), operadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), até 650 km de distância. Com base nas estações mais próximas (de 70 a 280 km), o epicentro foi determinado na área da cidade de Maceió, mas não há precisão para saber em que bairro exatamente. Com estações a mais de 70 km a margem de erro do epicentro é perto de 5 ou 10 km”, afirma o relatório.

Ainda de acordo com o Centro de Sismologia da USP, “o estado de Alagoas não tem um histórico de tremores muito fortes, não ultrapassando magnitudes 3.4. No Nordeste, o local relativamente mais ‘sísmico’ e próximo de Maceió é Caruaru (PE), com tremores até magnitude 3.8 ocorridos em 1967, 1984 e 2002, sem danos importantes. Os maiores da região Nordeste do Brasil ocorreram em 1980 no Ceará (magnitude 5.2) e em João Câmara (RN), em 1986 (magnitude 5.1). Nestes dois casos, houve danos sérios como rachaduras e trincas em casas. Alagoas, portanto, é um estado com baixa atividade sísmica, mesmo para padrões brasileiros”.

Por fim, o relatório destaca que “não há como prever os tremores de terra. Nem tampouco saber se a atividade vai continuar com outros abalos (menores ou maiores) ou se não vai ocorrer mais nada por muitos anos. A chance de tremores maiores com impacto nas construções é extremamente pequena, a ponto de não ser necessária nenhuma precaução especial, mas essa chance não é nula”.

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