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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 962 / 2018

08/03/2018 - 18:39:56

Filhos passam a gerir massa falida após interdição judicial de João Lyra

José Fernando Martins [email protected]
Segundo Lourdinha Lyra, o ex-usineiro João Lyra concordou com a decisão da Justiça de Alagoas - Foto: Divulgação

A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) decretou a interdição parcial do ex-usineiro João Lyra na Massa Falida da Laginha. A decisão ocorreu em sessão realizada na manhã desta quinta-feira, 8. Em seu lugar ficará a empresária Lourdinha Lyra, filha do também ex-deputado federal que um dia foi considerado o parlamentar mais rico do País. Para os desembargadores Pedro Augusto Mendonça, Kléver Loureiro e Elisabeth Carvalho, Lourdinha está apta a ser a curadora e fiscalizar a massa falimentar. 

Em breve conversa com o EXTRA, Lourdinha Lyra comentou a decisão da Justiça alagoana. “Vou cuidar de meu pai e darei tudo o que ele precisa. O motivo da interdição nada tem a ver com a saúde dele. Ele está bem, inclusive já sabe da decisão, que foi um comum acordo”, disse. Entretanto, a luta para assumir o cargo tramitou por anos na Justiça. 

Os irmãos Lourdinha e Guilherme Lyra sempre se colocaram contra as ações de venda dos bens que eram do patriarca, como a Mapel e as usinas de Minas Gerais, a Vale do Paranaíba e Triálcool. Na primeira semana de dezembro do ano passado, as duas usinas foram vendidas por R$ 206 milhões e R$ 134 milhões, respectivamente. Em meio à disputa judicial, a dupla conseguiu adiar leilões, impedir negociações e, claro, enfurecer João Lyra. 

Tanto é que o próprio ex-usineiro acusou os herdeiros de agirem de má-fé e de quererem a todo custo tumultuar o processo de falência. Lourdinha e Guilherme foram, ainda, acusados pelo pai de terem falsificado documento de transferência das ações de outro filho (Antônio José Pereira de Lyra), fato alvo de ação movida por JL contra os herdeiros.

Em 2016, os filhos chegaram a alegar que o pai estaria senil para coordenar os negócios da família. Lyra atualmente está com 86 anos de idade. O processo, que tramita na 24ª Vara de Família de Maceió, até ensejou a realização de exames para atestar a sanidade mental do falido usineiro. Um dos laudos chegou a assinalar que ele estaria senil, mas João Lyra tinha tido, pelo menos até agora, sucesso em retardar qualquer definição por parte da Justiça.

MUDANÇA

O EXTRA entrou em contato com o administrador judicial José Luiz Lindoso, da empresa de advocacia da Silva Lindoso e Araújo Consultoria Empresarial Ltda, localizada em Recife (PE). No entanto, o questionamento se a interdição modificaria os trabalhos e o pagamento dos credores ficou sem resposta por parte do administrador. 

Na semana passada, o  EXTRA noticiou que a Massa Falida da Laginha está disponibilizando aos credores trabalhistas e advogados um cadastro para coleta de dados bancários, visando identificar e atualizar as contas daqueles que têm acordo financeiro a ser feito.  O objetivo é facilitar o procedimento de recebimento quando do início de pagamento da classe trabalhista. Os credores devem acessar o site da Massa Falida pelo endereço eletrônico www.grupojl.com.br e clicar na aba “Cadastro de contas”, seguindo as instruções de preenchimento. 

Segundo a Lindoso e Araújo Consultoria Empresarial Ltda, os pagamentos serão realizados com base nos créditos habilitados na “Lista de Credores”, sendo imprescindível que as Certidões de Habilitação de Crédito expedidas pela Justiça do Trabalho, sejam encaminhadas a Massa para o e-mail [email protected] 

Lyra na berlinda

No dia 2 de fevereiro, a Justiça da Suíça determinou, por tempo indeterminado, o congelamento de contas secretas de João Lyra por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso é relativo a uma investigação que, no Brasil, também teve como alvo o senador Fernando Collor (PTC-AL).  Segundo as autoridades suíças, uma filial do grupo dirigido por Lyra teria fechado “contratos para a venda de uma quantidade importante de etanol, em meio ao pagamento de propinas”. 

Esses contratos, conforme as investigações, “teriam sido usados pelo mesmo grupo como garantia para obter empréstimos de diversas instituições financeiras privadas e públicas e propinas também teriam sido pagas nesse contexto”.  A Suíça iniciou a apuração contra Lyra em novembro de 2015 e, na época, o Ministério Público do país europeu “sequestrou a conta bancária” mantida pelo brasileiro.

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