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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 961 / 2018

06/03/2018 - 11:16:39

Alagoas livre da transmissão pelo açaí ou caldo de cana

Especialista alerta para importância da higiene nos locais de venda

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação
Açaí comercializado em Alagoas é refrigerado, mas higiene no local de venda deve ser observada

O estado de Alagoas já foi zona endêmica para a Doença de Chagas, uma doença infecciosa, também conhecida por Tripanossomíase Americana, causada pelas fezes dos insetos vetores, chamados de barbeiros no Brasil. 

A doença que já é conhecida há centenas de anos foi significativamente reduzida em Alagoas, mas continua sendo transmitida através da picada do inseto ou pela ingestão de alimentos contaminados. O açaí e o caldo de cana são dois dos principais alimentos veículos de transmissão. Na Região Norte por exemplo, a contaminação é corriqueira. 

Fernando Maia, médico infectologista e professor de infectologia da Universidade Federal de Alagoas, explica como se dá este tipo de transmissão.

“A contaminação pelo açaí ocorre mais na região Norte, e principalmente no Amazonas e no Pará, além dos demais estados. Lá o consumo do açaí se dá de forma in natura, a fruta é moída na hora e é consumida fresca, sem cozimento. O inseto parasita fica localizado nas frutas e é moído junto na hora do preparo, liberando as fezes contaminadas. Como o alimento não é cozido nem congelado, os parasitas permanecem vivos e são consumidos junto com o alimento”, explica o médico. 

Maia lembrou ainda que em Alagoas não há registro de nenhum caso de transmissão da doença através do açaí, pois a maioria dos produtos derivados do alimento já vêm congelados da região Norte. Já na Amazônia há vários relatos de pacientes que foram contaminados desta maneira. 

O caldo de cana já tem um histórico de surto de doença em Santa Catarina. A transmissão, segundo o infectologista, se dá da mesma maneira que o açaí, quando se mói a cana e o inseto está alojado nas fissuras da cana onde elimina as fezes e contamina o alimento. 

“É importante consumir esse alimento em locais com pelo menos um padrão mínimo de higiene. Além disso, os comerciantes que vendem o alimento devem comprar em locais que possuam o certificado de controle sanitário daquele alimento”, frisa.

Para continuar com a estatística de zero registros da doença através do açaí ou caldo de cana no estado, o infectologista aconselha o consumo desses alimentos em locais limpos, evitando o consumo em barracas no meio da rua que não são inspecionadas pela Vigilância Sanitária. 

Já a dica para o comerciante que vende a cana bruta para os vendedores que fazem o caldo, é que o local de venda passe por inspeções da Vigilância Sanitária. A cana deve ser inspecionada para ver se há infestação de barbeiros nas fissuras ou não. É de responsabilidade do órgão ficar atento aos locais em que esses produtos são vendidos, consumidos e oferecidos. Normas de higiene, lavagem do alimento, e principalmente o certificado de controle sanitário são essenciais para evitar a transmissão por via oral.

FASES DA DOENÇA

A Doença de Chagas tem duas fases clínicas, a aguda e a crônica. A aguda dura de 8 a 12 semanas e pode ou não ser identificada. Ela é caracterizada pela circulação de grande quantidade do parasita na corrente sanguínea. Se não for identificada e tratada com medicação específica, pode evoluir para uma fase crônica. A forma grava da fase aguda está associada em sua maioria à transmissão via alimentos, se comparada com a picada do barbeiro. Ela ocorre em menos de 1% dos pacientes e suas manifestações podem incluir miocardite aguda (inflamação do músculo cardíaco), pericardite (inflamação do pericárdio, membrana que envolve o coração) ou meningite.

No Brasil, há predominância dos casos crônicos, por causa da transmissão vetorial domiciliar que ocorreu há tempos. Eles se apresentam de forma cardíaca, indeterminada (aqueles pacientes que estão infectados mas não apresentam sintomas) e gastrointestinal.

O tratamento da infecção é feito pela droga identificada como Benznidazol, escolhida para o tratamento da doença em fase aguda. O tratamento deve ser feito por 60 dias e a dose varia de acordo com o peso do paciente. 

O BARBEIRO

Ao encontrar o inseto transmissor é recomendado que ele seja colocado num recipiente fechado, porém com furos, para que possa respirar. O recipiente deve ser levado a um posto de saúde, que deverá encaminhá-lo para exames. Uma 

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